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POLÍTICA Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 11:15 - A | A

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 11h:15 - A | A

OPERAÇÃO DA PF

“Quem meteu a mão no dinheiro público precisa responder”, diz Jayme Campos sobre R$ 308 milhões

Senador afirma que investigação sobre suposto desvio de recursos públicos precisa ser rigorosa e diz que dinheiro poderia financiar cerca de 4 mil UTIs

Lucas Leite
Tangará Online
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Reprodução

jayme campos

O senador Jayme Campos (União Brasil) subiu à tribuna do Senado para fazer um balanço do momento político de Mato Grosso e comentar a investigação que colocou o Estado novamente no centro do noticiário nacional. O parlamentar afirmou que considera “muito triste” ver Mato Grosso associado às páginas policiais e defendeu uma apuração rigorosa sobre o suposto esquema envolvendo recursos públicos que pode alcançar R$ 308 milhões.

Ao abordar a operação da Polícia Federal, Jayme destacou a dimensão financeira do caso e buscou traduzir o valor para áreas consideradas essenciais pela população. Segundo ele, os R$ 308 milhões investigados seriam suficientes para financiar a implantação de cerca de 4 mil Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O senador também citou a possibilidade de utilização dos recursos em moradias populares, creches e escolas.

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“Estamos falando de R$ 308 milhões”, afirmou. Para Jayme, mais importante do que o impacto financeiro é dimensionar o que uma quantia dessa magnitude poderia representar para a população. Ele questionou quantas pessoas poderiam ser atendidas na rede pública de saúde e quantos municípios poderiam ampliar suas estruturas caso recursos dessa ordem fossem destinados a serviços públicos.

Apesar das críticas, o senador fez questão de ressaltar que a investigação precisa seguir os procedimentos legais e que os envolvidos devem ter assegurado o direito de defesa. Jayme afirmou que cabe às autoridades esclarecer os fatos e responsabilizar quem eventualmente tenha cometido irregularidades.

A defesa de uma investigação rigorosa foi acompanhada de uma cobrança por responsabilização caso as suspeitas sejam confirmadas. “A lei deve valer para todos”, declarou. Na avaliação do senador, não pode haver espaço para impunidade quando o assunto envolve dinheiro público, independentemente de quem esteja sendo investigado.

O pronunciamento também teve um componente político. Jayme aproveitou a fala para abordar diretamente a disputa interna que travou no União Brasil e que terminou com a rejeição de seu nome para concorrer ao Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026.

O senador lembrou que, no dia 30 de julho, participou da convenção do partido e colocou seu nome à disposição para disputar o Palácio Paiaguás. A candidatura, no entanto, não recebeu votos suficientes entre os convencionais para avançar.

Jayme afirmou que respeitou a decisão da legenda e se apresentou como um político acostumado a disputas e mudanças no cenário eleitoral. Ele destacou sua trajetória partidária, que começou no antigo PDS, passou pelo PFL e pelo Democratas até chegar ao União Brasil.

Segundo o senador, sua permanência na política não estaria condicionada à conquista de novos cargos. Ele afirmou que continuará exercendo o mandato no Senado até 31 de janeiro de 2027, independentemente do resultado da disputa interna que encerrou sua tentativa de concorrer ao Governo do Estado.

“Minha relação com Mato Grosso nunca dependeu da eleição, de convenção partidária ou de cargo”, afirmou durante o discurso.

A declaração ocorre em meio à reorganização das forças políticas de Mato Grosso para a eleição de 2026. Depois de ter o nome rejeitado dentro do União Brasil, Jayme passou a se aproximar de outro grupo político que trabalha na construção de uma candidatura ao Governo do Estado.

Sem citar diretamente adversários ou detalhar os próximos passos eleitorais, o senador preferiu apresentar sua fala como uma defesa de um projeto de Estado que, segundo ele, deve superar as disputas por cargos e nomes.

Na segunda parte do discurso, Jayme deslocou o foco da investigação e da disputa eleitoral para uma discussão mais ampla sobre o futuro de Mato Grosso. O senador afirmou que o Estado precisa pensar além das eleições e construir um planejamento de longo prazo.

Para ele, o crescimento econômico, embora importante, não seria suficiente para garantir desenvolvimento social. Jayme defendeu uma administração pública voltada para as pessoas, com maior atenção aos municípios e aos serviços oferecidos à população.

O parlamentar também cobrou uma gestão baseada em planejamento, integridade e eficiência. A crítica, neste ponto, foi associada novamente ao episódio investigado pela Polícia Federal. Para Jayme, casos envolvendo suspeitas de desvios de recursos públicos prejudicam a imagem do Estado e desviam o foco de suas potencialidades econômicas.

O senador afirmou que gostaria de ver Mato Grosso em destaque por sua produção, capacidade de inovação e geração de oportunidades, e não por investigações e escândalos.

“Esse é o Mato Grosso que eu quero ver nas manchetes”, afirmou, ao defender uma mudança na forma como o Estado aparece no noticiário nacional.

A frase se tornou um dos principais trechos do pronunciamento. Jayme afirmou que o Estado não deveria ser lembrado por escândalos, mas por sua capacidade produtiva e pela qualidade dos serviços públicos.

“Não é o Mato Grosso das páginas policiais. Não é o Mato Grosso dos escândalos”, disse. Na sequência, defendeu um Estado marcado por produção, inovação, oportunidades e, principalmente, por uma política que tenha como foco o interesse público.

A declaração ocorre justamente em um momento em que uma investigação envolvendo supostas irregularidades com recursos públicos voltou a colocar Mato Grosso no centro das atenções nacionais. O senador, porém, evitou antecipar conclusões sobre o caso e reforçou que a apuração deve determinar se houve crime e quem eventualmente seria responsável.

Jayme também relacionou a discussão à necessidade de preservar o dinheiro público. Segundo ele, os recursos arrecadados pelo Estado devem chegar ao cidadão por meio de serviços e políticas públicas.

Para o senador, essa é uma questão que ultrapassa partidos e governos. Ele defendeu que o compromisso com o interesse público permaneça mesmo depois do encerramento de mandatos e ciclos eleitorais.

Ao final do pronunciamento, Jayme voltou a destacar que pretende cumprir integralmente o mandato de senador. A declaração ocorre após a derrota na convenção do União Brasil, que retirou de seu caminho, ao menos neste momento, a possibilidade de disputar o Governo de Mato Grosso pela legenda.

O senador afirmou que cargos são temporários e que as eleições passam, mas que a responsabilidade com o Estado deve permanecer.

“Cargos passam, mandatos terminam, eleições chegam e vão embora. Mas algo que precisa permanecer é o compromisso com o nosso Estado”, declarou.

Com a fala, Jayme procurou encerrar o episódio da disputa interna do partido reafirmando sua atuação política e, ao mesmo tempo, posicionando-se diante da investigação que envolve cifras milionárias e atingiu integrantes do cenário político de Mato Grosso.

O parlamentar encerrou o discurso dizendo que pretende continuar atuando até o último dia de seu mandato em defesa de pautas que considera importantes para Mato Grosso e para o país. A fala também reforçou uma das principais mensagens do pronunciamento: o Estado, na visão de Jayme, precisa ser associado ao desenvolvimento e à qualidade de vida da população, e não a suspeitas de corrupção e desvios de dinheiro público.


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