18 de Agosto de 2026

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POLÍTICA Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 11:06 - A | A

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 11h:06 - A | A

MUDANDO O CENÁRIO

Operação da PF aumenta pressão sobre Mauro Mendes e Fábio Garcia e pode provocar impacto na eleição de Mato Grosso

Apuração sobre suposto desvio de recursos públicos ocorre em meio à formação das chapas e pode aumentar a pressão sobre o grupo governista

Renato Assunção
Tangará Online

Reprodução

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A Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal em 6 de agosto, colocou novamente a política de Mato Grosso no centro de uma investigação de grande repercussão nacional. A apuração envolve suspeitas relacionadas a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, com valores que chegam a aproximadamente R$ 308 milhões, e tem entre os alvos o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia. A ação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em quatro estados e incluiu medidas como bloqueio de bens e quebra de sigilos.

A investigação apura suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, uso indevido de informação privilegiada e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. Até o momento, porém, trata-se de uma investigação em andamento e não de uma condenação. Os nomes atingidos pelas medidas têm direito à defesa e à presunção de inocência, e eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e das decisões tomadas no decorrer do processo.

O impacto do caso, no entanto, ultrapassa o campo jurídico. A operação ocorre justamente durante a formação das chapas para as eleições de 2026 e atinge diretamente um grupo político que possui participação importante na disputa pelo Governo de Mato Grosso e pelo Senado. Mauro Mendes deixou o comando do Estado para disputar uma vaga ao Senado, enquanto Fábio Garcia ocupa posição estratégica na composição política ligada ao governador Otaviano Pivetta.

A investigação, portanto, abre uma nova frente de tensão em um cenário eleitoral que já vinha sendo marcado por disputas internas, mudanças de alianças e definição de candidaturas. O caso pode ser explorado pelos adversários durante a campanha e colocar temas como transparência, gestão pública e uso de recursos do Estado no centro do debate.

Pressão chega ao grupo político

A dimensão da operação também aumenta a pressão sobre a base política de Mauro Mendes. O ex-governador é uma das principais lideranças do grupo que se mantém no comando do Estado e vinha participando diretamente das articulações para 2026.

Fábio Garcia, por sua vez, está inserido na estrutura política que sustenta a candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo. Qualquer desdobramento da investigação envolvendo o deputado pode, portanto, produzir efeitos não apenas sobre sua própria candidatura, mas também sobre a estratégia eleitoral do grupo.

O governador Otaviano Pivetta já declarou confiar na inocência de Mauro Mendes e Fábio Garcia e afirmou que ambos terão oportunidade de apresentar suas defesas. A manifestação sinaliza que o caso também passou a ser tratado dentro da própria base governista, em um momento em que os partidos tentam consolidar alianças para a disputa.

A operação também pode aumentar a cobrança por explicações sobre o acordo investigado. A depender dos próximos passos da PF e do STF, documentos, depoimentos e novas medidas poderão alimentar o debate eleitoral durante os próximos meses.

Investigação não significa condenação

Apesar da repercussão política, a situação jurídica dos investigados precisa ser tratada com cautela. Uma pessoa ser alvo de busca e apreensão ou aparecer em uma investigação não significa que tenha sido considerada culpada.

O processo de investigação ainda precisa reunir elementos capazes de confirmar ou afastar as suspeitas levantadas. Da mesma forma, eventuais acusações formais, caso ocorram, ainda estarão sujeitas ao contraditório e à ampla defesa.

O mesmo vale para as discussões sobre imunidade parlamentar. O fato de Fábio Garcia ser deputado federal não impede automaticamente uma investigação. A Constituição estabelece garantias específicas aos parlamentares relacionadas ao exercício do mandato, mas essas prerrogativas não representam uma proteção absoluta contra investigações ou eventual responsabilização criminal.

Qualquer consequência jurídica dependerá do avanço da apuração, das decisões judiciais e, em caso de condenação, do cumprimento das regras previstas na legislação.

Antigos aliados voltam ao debate

Paralelamente à investigação, o ambiente político de Mato Grosso também passou a registrar novos confrontos entre grupos que já estiveram próximos em diferentes momentos.

Pedro Taques, ex-governador do Estado, voltou a ocupar espaço no debate político em meio às críticas direcionadas ao grupo de Mauro Mendes. Declarações e acusações atribuídas ao ex-governador passaram a circular entre adversários e ganharam espaço em um momento de intensa movimentação eleitoral.

A trajetória de Taques no comando do Estado entre 2015 e 2018 e sua relação com diferentes grupos políticos fazem com que qualquer manifestação sua tenha potencial de repercussão no cenário de 2026. Ainda assim, declarações políticas e denúncias precisam ser diferenciadas de fatos comprovados judicialmente.

Outro personagem que voltou ao centro das articulações é o senador Jayme Campos. Com uma longa trajetória na política mato-grossense, ele mantém uma relação histórica com diferentes grupos e também já ocupou o cargo de governador.

A relação entre Jayme e o grupo de Mauro Mendes passou por diferentes momentos. Em 2018, Fábio Garcia foi escolhido primeiro suplente de Jayme na disputa pelo Senado, quando os dois grupos mantinham uma proximidade política.

O cenário atual, entretanto, é diferente. A disputa eleitoral de 2026 colocou antigos aliados em posições distintas e tornou as alianças mais complexas.

“Fogo amigo” ganha espaço

Em uma eleição marcada pela formação de blocos e pela disputa por espaços estratégicos, críticas vindas de antigos aliados podem ganhar peso. O chamado “fogo amigo” tem potencial para atingir grupos políticos justamente porque parte de pessoas que conhecem suas relações, alianças e disputas internas.

Para o grupo de Mauro Mendes e Fábio Garcia, o desafio será evitar que a Operação Heritage domine o debate eleitoral e obrigue seus integrantes a concentrar a campanha na apresentação de explicações sobre a investigação.

A resposta deverá ocorrer em duas frentes: no campo jurídico, com a apresentação das defesas e esclarecimentos solicitados pelas autoridades; e no campo político, com a tentativa de preservar a unidade do grupo e manter o foco nas propostas para 2026.

O cenário também pode ser afetado caso novos nomes sejam incluídos na investigação ou caso surjam novos elementos sobre o acordo com a Oi. Da mesma forma, a ausência de novas medidas ou eventual esclarecimento das suspeitas poderá reduzir a pressão política sobre os investigados.

Eleição de 2026 pode ganhar novo contorno

A Operação Heritage surge em um momento em que Mato Grosso ainda está definindo o desenho definitivo da eleição. As chapas para o Governo, Senado e Câmara dos Deputados passam por negociações e podem sofrer alterações até o período permitido pela legislação eleitoral.

Nesse ambiente, uma investigação envolvendo figuras centrais de um dos principais grupos políticos do Estado pode interferir nas estratégias dos partidos. Adversários podem utilizar o episódio para questionar a gestão anterior e pedir explicações sobre o uso de recursos públicos, enquanto os investigados deverão buscar demonstrar que não cometeram irregularidades.

O tamanho desse impacto dependerá, em grande medida, dos próximos passos da investigação.

Se novas informações forem divulgadas pela Polícia Federal ou pelo STF, a operação poderá permanecer no centro da campanha por meses. Caso as suspeitas não avancem ou sejam afastadas em relação a determinados investigados, o cenário tende a mudar.

Por enquanto, o que existe é uma investigação de grande repercussão, com medidas determinadas pelo STF e nomes relevantes da política mato-grossense entre os alvos. O caso, contudo, já produziu um efeito político concreto: aumentou a tensão dentro de um cenário eleitoral que ainda está em formação.

Em Mato Grosso, a eleição de 2026 começa a ser disputada não apenas por propostas e alianças, mas também pelo discurso sobre gestão pública, transparência e responsabilidade com o dinheiro do Estado. E a Operação Heritage colocou esses temas no centro da disputa antes mesmo do início oficial da campanha.


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