O deputado estadual Júlio Campos falou sobre os principais movimentos da política de Mato Grosso para as eleições deste ano. Em meio às especulações sobre uma possível desistência da disputa por uma nova vaga na Assembleia Legislativa, o parlamentar confirmou que pretende concorrer novamente e afirmou que já apresentou a documentação necessária à Justiça Eleitoral.
Na entrevista, Júlio Campos também avaliou a composição da chapa, projetou a eleição de dois ou três deputados estaduais e comentou a escolha de Gisela Simona para integrar a chapa de Otaviano Pivetta. O deputado ainda falou sobre os possíveis impactos políticos das recentes decisões judiciais envolvendo integrantes do cenário eleitoral e sobre a possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa.
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Ao comentar sua permanência na disputa, o parlamentar afirmou que pretende apresentar novamente seu nome ao eleitorado e destacou a atuação que teve durante o atual mandato. Sobre a chapa, reconheceu que a composição é reduzida, com apenas 10 candidatos, mas disse acreditar que há potencial para eleger até três deputados estaduais.
Júlio também explicou como, segundo ele, ocorreu a discussão dentro do grupo político para a indicação de Gisela Simona e avaliou que a deputada reúne características que podem contribuir para a composição da chapa.
Outro tema abordado foi o impacto das recentes decisões judiciais no cenário político. O deputado afirmou que ainda é cedo para medir as consequências, mas avaliou que uma investigação dessa dimensão pode provocar efeitos significativos sobre candidaturas e projetos políticos.
Ao falar sobre uma possível CPI na Assembleia, Júlio Campos considerou que a investigação parlamentar pode ser mais um instrumento de apuração, mas ressaltou que o caso já vem sendo acompanhado por órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Ele afirmou ainda que, caso a comissão seja instalada e seja convocado, pretende participar das investigações.
Confira a entrevista completa:
COPopular- Nas últimas semanas, circulam nos bastidores da política de Mato Grosso informações de que o senhor não disputaria novamente uma vaga de deputado estadual. O que há de verdade nessa informação e qual é a sua posição sobre a candidatura?
Júlio Campos- Realmente, nos últimos dias, os meus próprios companheiros queriam ficar livres de mim aqui na Assembleia, mas vão ter que me engolir. Vou continuar disputando. Já estou registrado, meus documentos já foram apresentados, completos, junto ao Tribunal Regional Eleitoral. E acredito, pelo mandato sério que eu fiz, pelo trabalho que construí nesses quatro anos aqui como deputado estadual, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça, como vice-presidente da CAE, que tenho condição de ir novamente ao encontro do eleitorado do Mato Grosso e oferecer meu nome à apreciação dele no próximo dia 4 de outubro.
COPopular- O senhor afirmou que, apesar de a chapa ter apenas 10 candidatos, existe potencial para eleger dois ou até três deputados estaduais. O que leva o senhor a acreditar nessa possibilidade e quais seriam, na sua avaliação, os principais nomes com condições de conquistar essas vagas?
Júlio Campos- É uma chapa difícil, não resta dúvida. Temos apenas 10 candidatos, mas eu acredito que, com muito trabalho e muito entusiasmo, a gente tem condição de fazer dois ou três deputados estaduais, ainda com esses quadros um pouco resumidos. Temos, porém, um potencial de voto muito grande. Conseguiríamos fazer 180 mil votos na chapa. É possível. O deputado Dilmar Dal Bosco tem um potencial acima dos 55 mil votos. O deputado Júnior Campos tem um potencial acima dos 40 mil. O deputado Sebastião também tem um potencial. São os quatro principais candidatos, que já passam de 150 mil a 165 mil votos.
O potencial dos demais candidatos, até o momento, até a eleição, é de mais de 12 mil votos.
COPopular- Deputado, o União Brasil participou das discussões que levaram à escolha de Gisela Simona para compor a chapa de Otaviano Pivetta? O senhor participou dessas conversas e como avalia essa definição?
Júlio Campos- Sim. O deputado Nilson Leitão, que é o presidente do Progressistas, fez uma reunião por videoconferência com todos os nossos parlamentares, com todos os nossos líderes, consultando essa possibilidade. Em um momento em que me viabilizou politicamente, o que é lamentável, porque eu quero reafirmar a minha amizade pessoal e a minha admiração pelo deputado Fábio Garcia.
Mas, como chegou a uma situação difícil, com o caso do Oi, com os Campos, com a questão do ministro, tornou-se inevitável a sua substituição. E o Nilson Leitão fez uma videoconferência com todos os coligados de manhã, consultando qual o melhor nome que o União Brasil poderia sugerir.
E, realmente, praticamente houve um consenso de que o melhor nome para compor a chapa do Republicanos, indicado pelo União Brasil, era o da deputada Gisela Simona, porque, além de ser mulher, é uma deputada atuante, é advogada, é servidora pública de carreira, é cuiabana, é várzea-grandense. Então, está em todas as condições de fazer um bom desempenho e exercer a função, sendo eleita, de uma boa vice-governadora.
COPopular- Júlio, já é possível avaliar o impacto político dessa mudança na composição da chapa, com a entrada de Gisela Simona e a saída de Fábio Garcia? Como o senhor avalia a força desse novo arranjo, considerando a presença de Pedro Taques, Mauro Mendes e Fábio Garcia no cenário eleitoral?
Júlio Campos- Ainda não dá, está muito recente. Os acontecimentos ainda estão se desenrolando. Você sabe que decisão judicial a gente tem que acatar e recorrer contra ela.
Então, o que ocorre? No momento em que o ministro Flávio Dino tomou aquela decisão de não só fazer a quebra do sigilo bancário, mas também o bloqueio de bens e a proibição de conversa entre os possíveis envolvidos, porque isso está sendo analisado profundamente pelo Ministério Público Federal, a gente tem que entender que toda decisão tem um impacto muito grande.
Não vamos fingir que isso vai ser normal, porque não vai. Vai ser uma eleição bastante difícil de explicar o que aconteceu. E, se esse fato ainda ocorrer, essa explicação, essa decisão de Brasília, puder sair a curto prazo, causa um estrago muito grande em qualquer candidatura. Qualquer projeto político que sofrer um abalo desse tem consequências lamentáveis.
COPopular- Deputado, diante das investigações já realizadas pela Polícia Federal e das medidas determinadas pela Justiça, o senhor acredita que uma eventual CPI na Assembleia ainda teria relevância para esclarecer o caso? E, se a comissão for instalada, o senhor está disposto a participar das investigações?
Júlio Campos- Olha, segundo a informação do deputado Wilson Santos, que eu li para toda a gente, esse fato surgiu na Assembleia há mais de um ano, quando a deputada Janaina Riva ocupou a tribuna, fazendo essa denúncia. Ela fez a denúncia, comunicou ao Tribunal e, parece que, posteriormente, o caso foi arquivado.
Depois, posteriormente, o ex-governador, senador Pedro Taques, aprofundando esse assunto, encontrou um elo de ligação muito grande e terminou dando esse perigo ao caso.
E agora, a Assembleia, que já estava colhendo assinaturas há algum tempo, parece que poderá apresentar, a qualquer momento, essa CPI. Até ontem, já tinha sete assinaturas confirmadas. Hoje, pode morrer.
Mas eu acho que, a essa altura do campeonato, a CPI é mais um instrumento. Isso já está mais do que investigado. Quando a Polícia Federal bate à sua porta, é porque já está com muito conteúdo, muito estudo, muita quebra de sigilo e descobriu muita coisa.
Então, sem essa CPI, nesta altura, com a investigação quase em excesso, teria necessidade de funcionar no prazo?
Mas é um assunto que, se for aprovado, eu estarei, com certeza, se convocado, participando ativamente.



