O senador Wellington Fagundes elevou o tom das críticas contra a gestão estadual ao afirmar que servidores públicos de Mato Grosso foram prejudicados por irregularidades envolvendo empréstimos consignados autorizados pelo governo. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar declarou que os trabalhadores teriam sido “roubados” por meio de operações financeiras realizadas após a entrada do Banco Master no sistema de crédito destinado ao funcionalismo estadual.
A declaração foi feita da tribuna do Senado Federal e compartilhada posteriormente em suas plataformas digitais. Durante o pronunciamento, Wellington associou a atuação do banco ao escândalo dos consignados investigado em Mato Grosso e responsabilizou o governo estadual pela autorização concedida à instituição financeira para operar junto aos servidores.
A manifestação ocorre após a repercussão de informações divulgadas pelo portal Metrópoles sobre a participação do governador Mauro Mendes em um evento promovido pelo empresário Daniel Vorcaro. Segundo a publicação, o encontro teria ocorrido meses antes de o Banco Master passar a oferecer empréstimos consignados aos servidores estaduais. Mauro Mendes, por sua vez, negou qualquer relação com Vorcaro, afirmou que custeou suas próprias despesas e classificou como falsas as informações sobre um suposto jantar com o empresário.
Registros publicados no Diário Oficial apontam que as primeiras referências ao Banco Master nas operações de crédito consignado em Mato Grosso surgiram pouco tempo depois do evento mencionado na reportagem nacional.
O debate ganhou força após a revelação de um esquema de irregularidades envolvendo instituições financeiras que atuavam no segmento de consignados para o funcionalismo público estadual. Dados apresentados na Assembleia Legislativa indicam que, entre aproximadamente 104 mil servidores, cerca de 62 mil possuíam contratos ativos de empréstimos consignados. Parte desses contratos apresentaria inconsistências e, em alguns casos, comprometimento superior ao limite considerado adequado da renda dos trabalhadores.
O tema também foi citado pelo senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, que apontou a existência de um modelo semelhante de atuação em diversos estados e municípios brasileiros.
Ao comentar a situação dos servidores mato-grossenses, Wellington Fagundes afirmou que a procura por empréstimos seria consequência das dificuldades financeiras enfrentadas pela categoria, agravadas, segundo ele, pela ausência do pagamento integral do Reajuste Geral Anual (RGA). O parlamentar criticou tanto a atual gestão quanto a possibilidade de continuidade da política salarial em uma futura administração liderada pelo vice-governador Otaviano Pivetta.
Para o senador, a reposição inflacionária representa apenas a atualização monetária dos vencimentos dos servidores e sua não concessão acaba ampliando a pressão econômica sobre os trabalhadores do serviço público. Ele defendeu que o reajuste seja implementado e afirmou que continuará cobrando medidas em favor da categoria.



