Otaviano Pivetta entrou, em 2026, em uma fase diferente de sua trajetória política. Depois de mais de sete anos como vice-governador, ele passou a comandar definitivamente Mato Grosso em 31 de março, após a saída de Mauro Mendes.
A mudança não representou uma ruptura administrativa imediata. Pivetta participou da gestão estadual desde 2019 e, ao assumir o Palácio Paiaguás, recebeu a responsabilidade de conduzir projetos já em andamento e, ao mesmo tempo, construir uma identidade própria à frente do governo.
O desempenho do novo governador passou a ser observado sob dois aspectos: a capacidade de preservar os indicadores fiscais e os investimentos acumulados nos últimos anos e a transformação desses resultados em serviços e obras que sejam percebidos diretamente pela população.
Antes da mudança no comando do Estado, o governo apresentou à Assembleia Legislativa um balanço dos investimentos realizados nos últimos anos.
Entre os dados divulgados estão mais de R$ 4 bilhões aplicados na BR-163, com 230 quilômetros de duplicação. Na educação, o Estado informou a entrega de 46 novas escolas, além da reforma de mais de 100 unidades. Outras 65 escolas estavam em construção e 99 passavam por processos de reforma, segundo o balanço oficial.
Na área fiscal, o governo também destaca a situação das contas estaduais. Mato Grosso manteve, segundo os dados oficiais, a nota máxima na avaliação de capacidade de pagamento realizada pelo Tesouro Nacional por seis anos consecutivos.
Em 2025, ainda de acordo com o Estado, 16,40% da receita foram direcionados para obras e ações.
Os números ajudam a explicar o discurso de continuidade adotado por Pivetta, mas não encerram a avaliação sobre a administração.
As contas públicas também são analisadas por instituições independentes do Executivo.
Na avaliação das contas referentes a 2025, o Tribunal de Contas do Estado emitiu parecer prévio favorável. O Ministério Público de Contas, porém, apresentou ressalvas e manteve apontamentos relacionados a questões como créditos suplementares, recursos do Fundeb, contratações temporárias e incentivos fiscais.
O cenário coloca um desafio para a nova administração: manter a capacidade de investimento sem perder de vista as recomendações e apontamentos dos órgãos responsáveis pela fiscalização do dinheiro público.
Outro indicador que passou a fazer parte da discussão sobre o governo é a percepção dos eleitores.
Pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em agosto de 2026 apontou aprovação de 69,5% da administração Pivetta, enquanto 23,3% disseram desaprová-la. O levantamento ouviu 1.504 eleitores entre 21 e 23 de agosto e apresentou margem de erro de 2,6 pontos percentuais.
O resultado mostra uma avaliação positiva entre os entrevistados naquele período. O dado, entretanto, não permite afirmar sozinho que Pivetta seja o governador mais bem avaliado do Centro-Oeste.
Uma comparação desse tipo exigiria pesquisas feitas em períodos próximos e com metodologias equivalentes nos outros estados da região.
Como vice-governador, Pivetta esteve associado às decisões da administração anterior. Agora, a responsabilidade pelos resultados passa diretamente para ele.
A continuidade dos projetos já iniciados será uma das marcas do novo período, mas o governador também terá espaço para definir prioridades e apresentar novas propostas.
Entre os principais desafios estão a manutenção do equilíbrio financeiro, a execução de obras, a melhoria da saúde e da educação, a segurança pública, a geração de empregos e a relação com os municípios.
No caso de Mato Grosso, a infraestrutura tem peso ainda maior. A extensão territorial do Estado e a força do agronegócio tornam estradas, logística e capacidade de escoamento da produção questões estratégicas para a economia.
A discussão sobre a possibilidade de Pivetta se tornar um dos governadores de maior destaque do Centro-Oeste ainda depende de resultados que serão construídos ao longo do mandato.
Mato Grosso disputa espaço regional com Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, mas cada unidade possui características econômicas e administrativas próprias.
Por isso, indicadores como crescimento econômico, equilíbrio fiscal, investimentos, saúde, educação, segurança, infraestrutura e geração de empregos precisam ser considerados conjuntamente para qualquer comparação.
A aprovação popular também é relevante, mas pode oscilar conforme o momento político e econômico.
A chegada de Pivetta ao comando do Estado acontece, portanto, em um cenário de continuidade, mas também de cobrança.
O governo começa essa etapa com números positivos apresentados na área fiscal e um volume expressivo de investimentos em infraestrutura e educação. Ao mesmo tempo, os apontamentos dos órgãos de controle mostram que ainda existem questões a serem acompanhadas na administração dos recursos públicos.
A partir de agora, o desafio do governador será transformar a estrutura herdada em resultados concretos e construir uma avaliação própria de sua gestão.
Mais do que disputar o título de governador mais bem avaliado do Centro-Oeste, Pivetta terá de provar, ao longo do mandato, que o equilíbrio das contas e os bilhões destinados a obras conseguem chegar à ponta — seja em uma rodovia, em uma escola, em um hospital ou na qualidade dos serviços oferecidos aos mato-grossenses.
É esse resultado, e não apenas os números oficiais ou as pesquisas de aprovação, que deverá definir o tamanho político de Pivetta no cenário regional.



