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POLÍTICA Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026, 14:11 - A | A

Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026, 14h:11 - A | A

EM NOVO MANDATO

Pivetta pode ser um dos governadores de maior destaque do Centro-Oeste

Gestão em Mato Grosso combina continuidade administrativa, investimentos e forte aprovação, mas avaliação sobre desempenho depende de indicadores e comparação entre estados

Elidio Oliveira
Tangará Online

Mayke Toscano

pivetta

Otaviano Pivetta entrou, em 2026, em uma fase diferente de sua trajetória política. Depois de mais de sete anos como vice-governador, ele passou a comandar definitivamente Mato Grosso em 31 de março, após a saída de Mauro Mendes.

A mudança não representou uma ruptura administrativa imediata. Pivetta participou da gestão estadual desde 2019 e, ao assumir o Palácio Paiaguás, recebeu a responsabilidade de conduzir projetos já em andamento e, ao mesmo tempo, construir uma identidade própria à frente do governo.

O desempenho do novo governador passou a ser observado sob dois aspectos: a capacidade de preservar os indicadores fiscais e os investimentos acumulados nos últimos anos e a transformação desses resultados em serviços e obras que sejam percebidos diretamente pela população.

Antes da mudança no comando do Estado, o governo apresentou à Assembleia Legislativa um balanço dos investimentos realizados nos últimos anos.

Entre os dados divulgados estão mais de R$ 4 bilhões aplicados na BR-163, com 230 quilômetros de duplicação. Na educação, o Estado informou a entrega de 46 novas escolas, além da reforma de mais de 100 unidades. Outras 65 escolas estavam em construção e 99 passavam por processos de reforma, segundo o balanço oficial.

Na área fiscal, o governo também destaca a situação das contas estaduais. Mato Grosso manteve, segundo os dados oficiais, a nota máxima na avaliação de capacidade de pagamento realizada pelo Tesouro Nacional por seis anos consecutivos.

Em 2025, ainda de acordo com o Estado, 16,40% da receita foram direcionados para obras e ações.

Os números ajudam a explicar o discurso de continuidade adotado por Pivetta, mas não encerram a avaliação sobre a administração.

As contas públicas também são analisadas por instituições independentes do Executivo.

Na avaliação das contas referentes a 2025, o Tribunal de Contas do Estado emitiu parecer prévio favorável. O Ministério Público de Contas, porém, apresentou ressalvas e manteve apontamentos relacionados a questões como créditos suplementares, recursos do Fundeb, contratações temporárias e incentivos fiscais.

O cenário coloca um desafio para a nova administração: manter a capacidade de investimento sem perder de vista as recomendações e apontamentos dos órgãos responsáveis pela fiscalização do dinheiro público.

Outro indicador que passou a fazer parte da discussão sobre o governo é a percepção dos eleitores.

Pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em agosto de 2026 apontou aprovação de 69,5% da administração Pivetta, enquanto 23,3% disseram desaprová-la. O levantamento ouviu 1.504 eleitores entre 21 e 23 de agosto e apresentou margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

O resultado mostra uma avaliação positiva entre os entrevistados naquele período. O dado, entretanto, não permite afirmar sozinho que Pivetta seja o governador mais bem avaliado do Centro-Oeste.

Uma comparação desse tipo exigiria pesquisas feitas em períodos próximos e com metodologias equivalentes nos outros estados da região.

Como vice-governador, Pivetta esteve associado às decisões da administração anterior. Agora, a responsabilidade pelos resultados passa diretamente para ele.

A continuidade dos projetos já iniciados será uma das marcas do novo período, mas o governador também terá espaço para definir prioridades e apresentar novas propostas.

Entre os principais desafios estão a manutenção do equilíbrio financeiro, a execução de obras, a melhoria da saúde e da educação, a segurança pública, a geração de empregos e a relação com os municípios.

No caso de Mato Grosso, a infraestrutura tem peso ainda maior. A extensão territorial do Estado e a força do agronegócio tornam estradas, logística e capacidade de escoamento da produção questões estratégicas para a economia.

A discussão sobre a possibilidade de Pivetta se tornar um dos governadores de maior destaque do Centro-Oeste ainda depende de resultados que serão construídos ao longo do mandato.

Mato Grosso disputa espaço regional com Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, mas cada unidade possui características econômicas e administrativas próprias.

Por isso, indicadores como crescimento econômico, equilíbrio fiscal, investimentos, saúde, educação, segurança, infraestrutura e geração de empregos precisam ser considerados conjuntamente para qualquer comparação.

A aprovação popular também é relevante, mas pode oscilar conforme o momento político e econômico.

A chegada de Pivetta ao comando do Estado acontece, portanto, em um cenário de continuidade, mas também de cobrança.

O governo começa essa etapa com números positivos apresentados na área fiscal e um volume expressivo de investimentos em infraestrutura e educação. Ao mesmo tempo, os apontamentos dos órgãos de controle mostram que ainda existem questões a serem acompanhadas na administração dos recursos públicos.

A partir de agora, o desafio do governador será transformar a estrutura herdada em resultados concretos e construir uma avaliação própria de sua gestão.

Mais do que disputar o título de governador mais bem avaliado do Centro-Oeste, Pivetta terá de provar, ao longo do mandato, que o equilíbrio das contas e os bilhões destinados a obras conseguem chegar à ponta — seja em uma rodovia, em uma escola, em um hospital ou na qualidade dos serviços oferecidos aos mato-grossenses.

É esse resultado, e não apenas os números oficiais ou as pesquisas de aprovação, que deverá definir o tamanho político de Pivetta no cenário regional.


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