A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou uma posição contrária de peso em Mato Grosso. O senador eleito Mauro Mendes (União) afirmou nesta segunda-feira (05) que não considera adequada uma mudança que, na avaliação dele, aumentaria a rigidez das relações de trabalho no país.
Durante entrevista coletiva após uma reunião política com integrantes do PL e do União, Mendes defendeu uma revisão das regras trabalhistas e questionou o modelo de proteção adotado pela legislação brasileira.
O ex-governador usou como exemplo brasileiros que deixam o país em busca de oportunidades nos Estados Unidos. Segundo ele, muitos acabam submetidos a jornadas extensas, mas permanecem no exterior devido à possibilidade de obter uma remuneração maior.
“Porque lá nos Estados Unidos nós temos aí milhares e milhares e centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. Mas, no Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo”, criticou o senador.
A declaração foi usada por Mendes para defender uma mudança na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na visão dele, as normas precisam acompanhar transformações econômicas e tecnológicas e permitir maior autonomia nas relações entre empregados e empregadores.
Mendes afirmou que o país precisa discutir uma reforma mais ampla nas regras trabalhistas, em vez de simplesmente criar novas restrições à jornada.
Para o senador eleito, o Estado não deveria assumir sozinho a função de definir e proteger todas as relações entre trabalhadores e empresas.
“Não precisa achar que o Estado tem que proteger todo mundo, que tem que criar leis rígidas para proteger o trabalhador. Tem que ter uma relação justa entre trabalho e capital”, concluiu.
A fala ocorre em meio ao debate nacional sobre a escala 6x1, modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de atividade e tem um dia de descanso. Defensores do fim da escala argumentam que a mudança poderia melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, enquanto críticos apontam possíveis impactos sobre empresas, custos e organização das jornadas.
Mendes, que tem atuação empresarial principalmente nos setores de mineração e construção, também defendeu maior liberdade econômica. Para ele, uma legislação menos rígida poderia ampliar as possibilidades de negociação e contribuir para que os próprios trabalhadores tenham maior autonomia financeira.
A posição do senador eleito sinaliza como ele pretende participar do debate trabalhista no Congresso, especialmente em temas que envolvem jornada, direitos previstos na CLT e relação entre empregados e empresas.



