A eleição de 4 de outubro de 2026 em Mato Grosso colocou novamente em discussão os limites das pesquisas de intenção de voto e mostrou como o comportamento do eleitor pode mudar entre o período de coleta das entrevistas e o momento da votação.
A principal diferença ocorreu na disputa pelo Governo do Estado. Pesquisa TMT Dados divulgada às vésperas da eleição apontava Otaviano Pivetta com 35% das intenções de voto, Wellington Fagundes com 26% e Natasha Slhessarenko com 15,2%. O levantamento foi realizado entre 28 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais.
Nas urnas, Pivetta foi reeleito no primeiro turno com mais de 60% dos votos válidos, resultado significativamente superior ao apontado pelo levantamento.
Outro levantamento, divulgado pela AtlasIntel em 3 de outubro, já apresentava um cenário diferente. Pivetta aparecia com 54,3% dos votos válidos, seguido por Natasha, com 24,3%, e Wellington, com 19,6%. A pesquisa ouviu 1.200 pessoas entre 27 de setembro e 2 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais.
A diferença entre os números evidencia a influência do momento em que cada pesquisa é realizada. Metodologia, composição da amostra, período de coleta e mudanças na preferência do eleitor podem interferir nos resultados apresentados.
Levantamentos eleitorais procuram medir a intenção de voto em determinado período. Eles não registram, necessariamente, mudanças ocorridas depois que as entrevistas são encerradas.
Por isso, a interpretação dos números depende da análise de fatores como data da coleta, tamanho da amostra, margem de erro, metodologia e cenário apresentado aos entrevistados.
A Justiça Eleitoral estabelece regras para o registro e a divulgação das pesquisas. O Tribunal Superior Eleitoral também determina que levantamentos que apresentem candidatos considerem os nomes registrados para a respectiva disputa.
No caso de Mato Grosso, a diferença entre os levantamentos da reta final e o resultado oficial reforça a necessidade de distinguir uma fotografia do momento da decisão efetivamente registrada nas urnas.
A eleição também alterou de forma significativa a representação de Mato Grosso na Câmara dos Deputados.
Dos oito deputados federais eleitos, quatro não integravam a atual bancada. Foram escolhidos Coronel Fernanda, Professora Rosa Neide, Fábio Garcia, Coronel Assis, Virginia Mendes, Juarez Costa, Thiago Boava Hey Roy e Coronel Roveri.
Rosa Neide retorna à Câmara, enquanto Virginia Mendes, Thiago Boava Hey Roy e Coronel Roveri passam a integrar a representação do Estado em Brasília.
A nova composição também marca a saída de Emanuelzinho, Rodrigo da Zaeli e Nelson Barbudo, que não conseguiram a reeleição. Zé Medeiros, por sua vez, deixa a Câmara depois de conquistar uma das duas vagas destinadas ao Estado no Senado.
Na Assembleia Legislativa, a renovação foi menor, mas também modificou a composição da Casa.
Seis dos 24 eleitos não faziam parte da atual legislatura: Samantha Iris, Léo Bortolin, Alessandra Ferreira, Alcino Barcelos, Adelcino Lopo e Ulysses Moraes.
O grupo representa cerca de um quarto das cadeiras do Legislativo estadual. Ulysses Moraes retorna à Assembleia depois de já ter exercido mandato, enquanto Samantha Iris, que utilizou o nome político Samantha do Abilio durante a campanha, conquistou uma cadeira em sua primeira disputa por um cargo estadual.
O resultado das urnas desenha um novo cenário político para Mato Grosso.
No Executivo, Pivetta permanece no governo após a vitória no primeiro turno. No Senado, Mauro Mendes e Zé Medeiros ocuparão as duas vagas disputadas na eleição.
As mudanças mais expressivas, porém, aparecem nas bancadas legislativas. A renovação de metade dos representantes de Mato Grosso na Câmara Federal e de aproximadamente um quarto da Assembleia abre espaço para novos nomes e altera a correlação de forças políticas para o próximo período.
A eleição também deixa uma diferença fundamental entre pesquisas e apuração: levantamentos mostram o que o eleitor declara no momento em que é entrevistado; a urna registra aquilo que ele efetivamente decidiu.
Em 2026, essa distância ajudou a produzir não apenas uma vitória expressiva na disputa pelo governo, mas também uma renovação relevante da representação política de Mato Grosso.



