O deputado estadual Júlio Campos (União) avaliou como natural o suposto encontro entre o governador Mauro Mendes (União) e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, durante uma viagem a Nova York, em 2023. Para o parlamentar, reuniões e jantares com empresários, banqueiros e autoridades fazem parte da agenda institucional de quem ocupa cargos de chefia no Executivo e, por si só, não representam irregularidade.
Apesar de relativizar a repercussão do caso, Júlio ponderou que cabe aos órgãos responsáveis esclarecer se o encontro realmente ocorreu. O tema ganhou destaque após denúncias relacionarem a viagem internacional a decisões posteriores do governo estadual envolvendo operações de crédito consignado para servidores públicos.
Segundo o deputado, o principal ponto que precisa ser esclarecido não é a eventual participação de Mauro Mendes em um jantar social, mas os atos administrativos adotados pelo Executivo na sequência. Ele destacou que a abertura para novas instituições financeiras atuarem com empréstimos consignados e o posterior credenciamento do Banco Master merecem explicações detalhadas.
Júlio observou que o Estado promoveu alterações no processo de autorização para que bancos operassem com consignados junto ao funcionalismo público e ressaltou que, pouco tempo depois, a instituição financeira passou a atuar no mercado estadual. Na avaliação dele, a investigação deve concentrar esforços na análise dos procedimentos adotados pelo governo e nas condições oferecidas aos servidores.
O parlamentar também citou a participação do secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra, defendendo que tanto ele quanto o governador apresentem informações sobre os critérios utilizados para o credenciamento das instituições financeiras.
Para Júlio Campos, é necessário verificar se houve alguma condição diferenciada concedida ao Banco Master ou se os contratos firmados com os servidores continham taxas, cláusulas ou cobranças fora dos padrões praticados pelo mercado. Segundo ele, a atuação de bancos privados nesse segmento é comum, mas qualquer indício de irregularidade deve ser devidamente apurado.
Ao comentar a possível participação da Assembleia Legislativa no caso, o deputado afirmou não ter conhecimento de qualquer projeto aprovado pelo Parlamento que tenha autorizado especificamente a atuação do Banco Master em Mato Grosso. Conforme explicou, o funcionamento das operações de crédito consignado é regulamentado por legislação geral, cabendo ao Poder Executivo estabelecer as regras e realizar os credenciamentos por meio de decretos e atos administrativos.
Por fim, o parlamentar reforçou que a investigação deve se concentrar na legalidade dos procedimentos adotados pelo governo estadual, afastando o foco de um eventual encontro social ocorrido durante a viagem aos Estados Unidos.



