O ex-ministro da Educação e atual senador Camilo Santana (PT-CE) afirmou não ser contra o enquadramento de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
A posição diverge da linha adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a decisão dos Estados Unidos sobre a classificação de organizações criminosas.
“O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar”, disse ao portal Metrópoles nesta quinta-feira (11).
Segundo o senador, ele próprio levou ao presidente Lula a discordância em relação às críticas feitas pelo governo brasileiro à medida anunciada pelas autoridades americanas. Camilo também avaliou que os Estados Unidos podem contribuir com a proposta de cooperação internacional defendida pelo governo brasileiro para o enfrentamento ao crime organizado.
Em outro trecho, o senador afirmou que o tema da segurança pública não deve ser usado para disputas políticas e criticou a polarização em torno do assunto, citando de forma indireta o cenário político do Ceará.
A classificação de facções como organizações terroristas tem sido defendida por setores da oposição, enquanto o governo federal sustenta que o combate ao crime organizado deve ocorrer dentro do arcabouço jurídico brasileiro e por meio de cooperação internacional.
Em nota anterior, o Executivo afirmou que facções praticam violência em diversos territórios, mas reforçou que o enfrentamento ao crime é responsabilidade do Estado brasileiro e criticou iniciativas externas por questões de soberania nacional.
No Senado, Camilo também defendeu a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que está em tramitação na Casa. Entre os pontos da proposta estão o endurecimento penal contra faccionados, a constitucionalização de fundos de segurança e maior autonomia dos estados na formulação de políticas da área.



