A inflação medida pelo IPCA avançou para 4,72% no acumulado de 12 meses, superando o teto da meta e reacendendo o debate sobre os próximos passos da política monetária no país. O índice, mostrou alta de 0,58% em maio, acima das projeções do mercado, que variavam entre 0,52% e 0,55%. O resultado dividiu analistas e reforçou a incerteza sobre a condução da taxa básica de juros, atualmente em 14,5%.
Apesar da pressão inflacionária, parte do mercado observa sinais de desaceleração em segmentos específicos da economia, especialmente nos serviços, o que ainda sustenta apostas de um possível último corte na Selic. No entanto, o comportamento dos preços de alimentos e energia segue como principal fator de preocupação e fortalece o argumento de manutenção da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 16 e 17 de junho.
O grupo de Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33% no mês e respondeu por quase metade da inflação de maio. Entre os principais aumentos estão produtos da cesta in natura, como batata-inglesa, tomate e cebola, que tiveram fortes variações de preço influenciadas por fatores climáticos, problemas de oferta e custos logísticos. Também contribuíram para a alta itens como carnes, leite e arroz. Já o grupo Habitação subiu 1,22%, com destaque para a energia elétrica residencial, que avançou 3,67% após reajustes tarifários e o acionamento da bandeira amarela pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Em sentido oposto, o grupo de Transportes registrou queda de 0,46%, impulsionado pela redução nos preços da gasolina e do etanol. No setor de serviços, houve desaceleração na margem, com recuo na média dos núcleos de inflação de 0,50% para 0,45%, movimento que é acompanhado de perto pelo Banco Central por indicar possível perda de pressão inflacionária estrutural.
Mesmo com esses sinais de alívio parcial, o cenário geral segue considerado desafiador. Parte dos economistas avalia que ainda há espaço para mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, enquanto outra parcela do mercado defende a interrupção do ciclo de queda, diante da inflação persistente acima da meta e da ausência de ancoragem firme das expectativas.
No cenário externo, o mercado acompanha as negociações entre Estados Unidos e Irã e os impactos no preço do petróleo. A queda recente do barril Brent pode contribuir para reduzir pressões inflacionárias futuras, especialmente em combustíveis e no câmbio, mas analistas avaliam que esse efeito tende a ser mais de contenção de risco do que de reversão do quadro atual.
Com sinais mistos na economia, a decisão do Copom deve ocorrer em um ambiente de forte divisão no mercado financeiro, que ainda oscila entre a expectativa de mais um corte na taxa básica de juros ou a manutenção da Selic no atual patamar.



