A eleição de 2026 pode provocar uma das maiores reconfigurações na história recente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Analistas políticos e articulações em torno das chapas proporcionais indicam que o Legislativo estadual pode registrar uma taxa de renovação próxima a 50%. Caso a tendência se confirme nas urnas, cerca de metade dos 24 parlamentares atuais não retornará ao plenário na próxima legislatura, que se inicia em 2027.
Embora os atuais deputados contem com a vantagem da visibilidade, uso da estrutura do mandato e bases consolidadas, a disputa ganha contornos imprevisíveis com a entrada de novos atores competitivos. O cenário reúne ex-prefeitos com forte apelo regional, vereadores de grandes centros, empresários e lideranças setoriais com musculatura política para disputar cada vaga.
Pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo do ano refletem um eleitorado altamente indecisos na modalidade espontânea. Amostras do instituto MT Dados mostram os primeiros colocados com percentuais baixos — como o deputado Lúdio Cabral registrando 1,9%, seguido por Max Russi (1,4%) e Eduardo Botelho (1,1%). O cenário evidencia que a grande maioria dos eleitores mato-grossenses ainda não definiu seu candidato a deputado estadual, abrindo espaço para mudanças expressivas durante o período de campanha.
A dinâmica da eleição proporcional também amplia as incertezas. A conquista da vaga não depende exclusivamente da votação individual do candidato, mas do quociente partidário alcançado pela legenda ou federação. Com isso, parlamentares tradicionais situados em chapas "pesadas" (com excesso de candidatos competitivos) enfrentam risco direto de ficar fora da lista final.
Um dos principais motores dessa projeção de mudança é a presença de ex-gestores municipais no pleito. O movimento segue uma tendência nacional registrada em 2026, na qual dezenas de prefeitos renunciaram aos mandatos para disputar vagas nos legislativos estaduais. Por carregarem o recall de gestões recentes e alianças consolidadas em suas regiões, ex-prefeitos chegam à disputa com potencial para superar a votação de deputados que buscam a reeleição.
Outro fator determinante foi a movimentação ocorrida durante a janela partidária, quando 11 dos 24 deputados estaduais alteraram suas filiações. As trocas visaram garantir sobrevivência eleitoral em legendas com melhor projeção de bancada. Partidos como o PL, por exemplo, estruturaram estratégias ostensivas para ampliar o número de cadeiras na Casa, elevando a pressão sobre os ocupantes das vagas.
A reconfiguração do plenário também é impulsionada por parlamentares que decidiram alçar voos maiores. A movimentação da deputada Janaína Riva — tradicionalmente uma das candidatas mais votadas do estado — em direção à disputa pelo Senado altera a distribuição proporcional de votos na ALMT. Sem sua presença na disputa proporcional, centenas de milhares de votos tendem a se redistribuir entre outras candidaturas. Especulações semelhantes envolvendo nomes como o do deputado Júlio Campos também mantêm o xadrez político em aberto.
Paralelamente, a corrida pela ALMT será marcada por um embate de territorialidade. Enquanto candidatos da Baixada Cuiabana concentram esforços em Cuiabá e Várzea Grande, lideranças do interior apostam na fidelização de seus currais eleitorais. O uso intensivo de plataformas digitais surge como ferramenta complementar, mas especialistas reforçam que a presença territorial e as alianças com vereadores e prefeitos continuam sendo os fatores decisivos para converter apelo popular em votos na urna.



