A disputa pelas vagas de Mato Grosso na Câmara dos Deputados promete ser uma das mais concorridas das eleições de 2026. Entre os parlamentares que buscam a reeleição está Irajá Lacerda (PSD), que terá pela frente uma corrida marcada por grande número de candidatos e bases eleitorais disputadas.
Em um levantamento espontâneo do instituto MT Dados citado na pré-campanha, Irajá aparece com 0,5% das intenções de voto. O percentual, isoladamente, não permite apontar o resultado da eleição, mas mostra um cenário pulverizado e indica que o deputado ainda precisa consolidar seu nome diante dos demais concorrentes.
A situação chama atenção porque o parlamentar já apareceu em posições mais favoráveis em levantamentos anteriores. Em julho, uma pesquisa chegou a colocá-lo à frente de alguns deputados que também buscam a renovação do mandato. Em outro levantamento posteriormente divulgado, Irajá registrou 1,7%.
As diferenças entre as pesquisas podem estar relacionadas a período, metodologia, amostra e cenário apresentado aos entrevistados. Ainda assim, os números mostram que a disputa permanece aberta.
A eleição para deputado federal terá uma característica que aumenta a dificuldade para quem já ocupa uma cadeira: a presença de diversos candidatos conhecidos e com estruturas políticas próprias.
Entre os nomes que aparecem no cenário estão Professora Rosa Neide, Coronel Fernanda, Fábio Garcia, Nilson Leitão, Neri Geller e outros políticos que buscam espaço na bancada federal.
Com vários candidatos disputando votos semelhantes, pequenas variações na votação podem alterar significativamente a posição de cada nome.
Além disso, a eleição proporcional não funciona apenas pela soma individual de votos. O desempenho dos partidos e das federações, a distribuição dos votos entre os candidatos e o cálculo do quociente eleitoral também interferem na definição dos eleitos.
Uma das apostas de Irajá está na consolidação de sua presença política na Região Oeste de Mato Grosso.
A atuação e as alianças construídas em municípios do interior podem fornecer ao deputado uma base importante para a campanha. O desafio será ampliar esse desempenho para outras regiões e transformar uma eventual força regional em uma votação estadual capaz de garantir sua permanência na Câmara.
Em uma eleição proporcional, ter uma região forte ajuda, mas pode não ser suficiente.
A campanha precisará buscar votos em diferentes municípios, especialmente diante da quantidade de candidatos com bases eleitorais consolidadas.
O desempenho do PSD também será decisivo.
A estratégia partidária para a eleição poderá influenciar diretamente as chances dos candidatos da legenda. Uma chapa competitiva pode ampliar as possibilidades de conquistar cadeiras, enquanto uma concentração excessiva de candidatos fortes nas mesmas regiões pode aumentar a disputa interna.
Para Irajá, isso significa que a campanha individual será apenas parte da equação.
Além de conquistar votos para si, o deputado precisará estar inserido em uma composição partidária que ofereça condições de competitividade no cálculo das vagas.
Irajá também conta com uma rede de articulação política construída ao longo da carreira.
Entre os apoiadores está o senador José Lacerda, seu pai, que possui trajetória política em Mato Grosso e pode participar das articulações em torno da candidatura.
No interior, esse tipo de apoio pode contribuir para a formação de alianças com prefeitos, vereadores e lideranças municipais.
Entretanto, apoio político não representa necessariamente transferência automática de votos. O desempenho eleitoral de cada candidato depende também de sua presença nos municípios, capacidade de comunicação e avaliação feita pelo eleitor.
Os números disponíveis devem ser interpretados com cautela.
Uma pesquisa eleitoral é um retrato de determinado momento e não uma previsão do resultado. Na eleição proporcional, essa cautela é ainda mais importante porque o número de candidatos é elevado e a votação necessária para conquistar uma cadeira depende do desempenho das chapas.
Por isso, o percentual de 0,5% registrado por Irajá em um levantamento não significa que ele esteja fora da disputa.
Ao mesmo tempo, o número mostra que o deputado não pode depender apenas do fato de já ocupar um mandato.
A busca pela reeleição exigirá mobilização, alianças e capacidade de ampliar sua votação.
Outro ponto que deverá entrar na estratégia de Irajá é apresentar ao eleitor os resultados de sua atuação em Brasília.
Parlamentares que buscam a reeleição costumam utilizar em campanha projetos, recursos destinados aos municípios, emendas e ações realizadas durante o mandato.
A dificuldade está em transformar essas realizações em reconhecimento eleitoral.
Em um Estado com 142 municípios e diferentes realidades regionais, uma atuação conhecida em determinadas áreas pode não ter o mesmo impacto em outras.
Por isso, a campanha deverá trabalhar para ampliar a presença do deputado para além de sua base tradicional.
A disputa pela Câmara em Mato Grosso ainda está longe de ter vencedores definidos.
Deputados que atualmente ocupam cadeiras podem ser derrotados, enquanto candidatos que aparecem com percentuais modestos nas pesquisas podem crescer durante a campanha.
Para Irajá, os levantamentos recentes funcionam mais como um alerta do que como uma sentença.
O deputado possui mandato, experiência política e uma base construída no interior, mas enfrenta concorrentes com trajetórias e estruturas próprias.
A combinação desses fatores torna a eleição imprevisível.
Com a aproximação do período eleitoral, a tendência é que as alianças municipais sejam intensificadas e os candidatos passem a concentrar esforços nas regiões consideradas estratégicas.
Irajá terá de ampliar sua presença, fortalecer sua base no Oeste e buscar novos espaços em outras regiões de Mato Grosso.
Também precisará acompanhar de perto a composição do PSD e o desempenho dos demais candidatos que disputam votos semelhantes.
Se conseguir transformar alianças e atuação parlamentar em votação, poderá permanecer em Brasília. Caso não consiga ampliar seu desempenho, poderá enfrentar dificuldades para renovar o mandato.
Por enquanto, não há elementos para afirmar que o deputado esteja fora da disputa. Mas os números citados mostram que a reeleição está longe de estar garantida.
Em uma eleição proporcional marcada por muitos candidatos, a diferença entre permanecer ou deixar a Câmara pode estar em poucos milhares de votos.



