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GERAL Terça-feira, 08 de Setembro de 2026, 11:42 - A | A

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ARTIGO

Seu voto não está à venda: escolher bem também é fazer política

Lucas Leite

Reprodução

Lucas Leite

Em época de eleição, o eleitor costuma ouvir muitas promessas. Obras que serão feitas, problemas que serão resolvidos, empregos que serão criados e uma lista quase interminável de compromissos apresentados por candidatos em busca de votos. Mas, diante de tantas propostas, fica uma pergunta importante: como escolher quem realmente merece representar a população?

A resposta começa por algo básico, mas que muitas vezes é deixado de lado: não vender o voto.

Vender ou trocar o voto por dinheiro, benefício, combustível, cesta básica ou qualquer outro tipo de vantagem pode parecer, em um primeiro momento, uma forma de levar algum benefício para casa. Mas a conta pode ser muito maior depois. O voto é uma das poucas ferramentas que o cidadão tem para escolher quem terá poder de decisão sobre saúde, educação, segurança, impostos, empregos, infraestrutura e tantos outros assuntos que interferem diretamente na vida das pessoas.

Quando o voto é negociado, a população corre o risco de colocar no poder alguém que não está preocupado com o interesse coletivo, mas com os próprios interesses.

Também é preciso entender que escolher bem não significa simplesmente votar em quem promete mais.

Promessa bonita qualquer candidato pode fazer. O que diferencia um político é sua trajetória, suas atitudes, sua capacidade de apresentar propostas possíveis e, principalmente, aquilo que fez quando já teve a oportunidade de exercer algum cargo público.

É importante olhar para o passado antes de acreditar no futuro prometido.
O candidato já ocupou algum cargo? O que fez? Cumpriu compromissos anteriores? Como se posicionou diante de problemas importantes? Teve participação em projetos que melhoraram a vida da população? Como trata as pessoas quando não está diante das câmeras?

Essas perguntas podem revelar muito mais do que uma propaganda eleitoral bem produzida.

Outro cuidado importante é não escolher um candidato apenas porque ele é famoso, aparece muito nas redes sociais ou possui uma grande estrutura de campanha. Popularidade não é sinônimo de competência. Número de seguidores também não representa capacidade para administrar dinheiro público ou criar leis que beneficiem a sociedade.
O eleitor precisa olhar além da propaganda.

É claro que nenhum candidato será perfeito. A política é feita por pessoas, e pessoas possuem erros, acertos, opiniões e contradições. Mas isso não significa que devemos abandonar a responsabilidade de analisar quem está pedindo nosso voto.

Aliás, talvez um dos maiores problemas da política esteja justamente na falta de participação do cidadão depois da eleição.

Muitas pessoas reclamam que "político é tudo igual", que "política não presta" ou que "nenhum candidato presta". Mas, se a política é ruim, uma das formas de começar a mudar esse cenário é justamente prestar mais atenção em quem está sendo escolhido.
O voto não termina na urna.

Depois da eleição, é preciso acompanhar o mandato. Saber quem votou em determinado projeto, quais promessas foram cumpridas, como os recursos públicos estão sendo utilizados e se o representante continua defendendo aquilo que prometeu durante a campanha.

Representar a população deveria significar colocar o interesse público acima dos interesses pessoais e eleitorais.

Por isso, o diferencial de um bom candidato não está apenas na capacidade de falar bem ou de emocionar o eleitor. Está na disposição de trabalhar, ouvir, prestar contas e assumir responsabilidades mesmo quando determinada decisão não rende aplausos ou votos.

A população não precisa de salvadores. Precisa de representantes preparados, responsáveis e comprometidos com aquilo que realmente importa para a sociedade.

Nas eleições, portanto, vale desconfiar de quem oferece soluções fáceis para problemas complexos. Vale pesquisar. Comparar. Perguntar. Cobrar. E, principalmente, não trocar uma escolha que pode durar quatro ou oito anos por uma vantagem que pode durar apenas alguns dias.

O voto tem valor muito maior do que qualquer benefício recebido durante uma campanha.

Escolher bem não significa acertar sempre. Significa tomar uma decisão consciente, baseada em informações e não apenas em amizade, fanatismo, promessa ou interesse imediato.

A política já carrega uma imagem negativa diante de boa parte da população. Mudar essa percepção também depende do eleitor. Quando pessoas preparadas e comprometidas conseguem espaço, a política pode deixar de ser vista apenas como disputa por poder e voltar a ser entendida pelo que deveria ser: uma ferramenta para melhorar a vida coletiva.
No fim, a escolha está nas mãos de cada eleitor.
E talvez a pergunta mais importante antes de apertar o botão da urna não seja "o que esse candidato pode me dar?", mas sim:
"O que essa pessoa pode fazer pela sociedade se eu entregar a ela o meu voto?"

 

Lucas Leite, jornalista, assessor de imprensa, social mídia, empresário e editor chefe do COPopular, instagram @luucasleitte email [email protected]


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