O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (PSB), afirmou que o Parlamento estadual acompanhará de perto os desdobramentos da invasão ao sistema da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), caso que ganhou repercussão após a divulgação de informações sobre um técnico de informática que atuava na pasta e que morreu em circunstâncias que passaram a ser debatidas publicamente. O parlamentar classificou o episódio como preocupante e defendeu investimentos mais robustos em segurança da informação para evitar que situações semelhantes atinjam outras áreas estratégicas da administração pública.
Além da questão envolvendo a Secretaria de Saúde, Russi também falou sobre a criação de mecanismos de maior transparência para a destinação de emendas parlamentares, confirmou o avanço do projeto de implantação do hospital veterinário público estadual em Cuiabá, comentou sobre o concurso da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e voltou a defender a atuação da Assembleia na disputa territorial entre Mato Grosso e Pará, atualmente em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Questionado sobre a invasão ao sistema da Secretaria de Saúde e sobre as informações divulgadas pela imprensa envolvendo um técnico de informática da pasta, Russi afirmou que tomou conhecimento do caso pelos veículos de comunicação e destacou a gravidade da situação.
Segundo ele, a possibilidade de invasão de sistemas públicos exige atenção imediata do Estado, principalmente por envolver dados estratégicos e informações essenciais para o funcionamento dos serviços públicos.
“O que aconteceu é muito preocupante. Nós temos uma empresa pública do Estado, a MTI, que conta com bons profissionais, e não podemos aceitar uma situação como essa”, afirmou.
O deputado ressaltou que o caso ganha ainda mais relevância por ocorrer em um momento em que a Assembleia conduz investigações relacionadas à área da saúde por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Para ele, a eventual perda de informações pode dificultar o trabalho dos parlamentares e comprometer o acesso a documentos importantes.
“Se conseguem invadir a Secretaria de Saúde e apagar informações, imagina se isso acontece na Secretaria de Fazenda ou na Secretaria de Segurança Pública. O impacto seria enorme para a população e para o funcionamento do Estado”, observou.
Max Russi defendeu que o governo estadual amplie os investimentos em tecnologia e proteção de dados para evitar novos ataques. Segundo ele, a digitalização dos serviços públicos exige sistemas cada vez mais seguros e preparados para enfrentar tentativas de invasão.
O presidente da ALMT considerou preocupante o fato de o episódio ter ocorrido meses antes de se tornar público. Para ele, a situação precisa ser devidamente esclarecida pelos órgãos responsáveis.
“É algo que precisa ser averiguado. O Estado tem que tomar providências e a Assembleia vai acompanhar isso de perto para entender exatamente o que aconteceu e quais medidas precisam ser adotadas”, disse.
Apesar das especulações sobre uma possível relação entre a invasão do sistema e os trabalhos da CPI da Saúde, Russi evitou fazer qualquer associação direta antes da conclusão das investigações.
Ele afirmou respeitar as manifestações de parlamentares que defendem essa hipótese, mas destacou que cabe à comissão buscar os esclarecimentos necessários.
“A CPI tem a obrigação de levantar todas as informações. Eu particularmente quero acreditar que não exista uma relação direta, mas, se houver qualquer indício, a comissão precisa investigar e buscar respostas”, declarou.
Max reforçou que órgãos públicos devem possuir mecanismos de proteção capazes de garantir a preservação dos dados mesmo diante de ataques cibernéticos.
Ele citou a própria Assembleia Legislativa como exemplo de estrutura que mantém cópias de segurança das informações em locais distintos.
“Se um hacker invadir a Assembleia e apagar tudo, nós temos sistemas de armazenamento em outras unidades. Isso é o mínimo que se espera de instituições públicas de grande porte”, afirmou.
O parlamentar acrescentou que espera que o governo estadual tenha adotado medidas semelhantes em áreas consideradas estratégicas, como Fazenda, Segurança Pública e Saúde.
“Se não houver esse tipo de proteção, aí estamos diante de uma falha grave. Hoje se investe muito em tecnologia justamente para evitar perdas de informações e garantir a continuidade dos serviços”, ressaltou.
Para Russi, mesmo que documentos tenham sido afetados pela invasão, existem outras fontes institucionais que podem auxiliar na recuperação de dados necessários para o andamento das investigações, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e demais órgãos de controle.
Outro assunto abordado pelo presidente da Assembleia foi a proposta apresentada pela Mesa Diretora para ampliar os mecanismos de fiscalização e transparência relacionados às emendas parlamentares.
Russi afirmou que a iniciativa busca fortalecer o acompanhamento da aplicação dos recursos públicos e garantir que a sociedade tenha acesso às informações sobre os investimentos realizados pelos deputados estaduais.
“Tudo aquilo que for feito para dar mais transparência e mais acompanhamento ao uso do dinheiro público é importante”, declarou.
Segundo ele, as emendas parlamentares cumprem papel relevante ao direcionar investimentos para setores e municípios que, muitas vezes, não são contemplados pelas ações prioritárias do governo estadual.
Ainda assim, o parlamentar destacou que a origem pública dos recursos exige prestação de contas constante.
“As emendas são importantes porque levam investimentos para diversas regiões do Estado. Mas é dinheiro público, e nós temos a obrigação de mostrar como está sendo aplicado”, afirmou.
Max Russi confirmou que o projeto do hospital veterinário público estadual está avançando e deve entrar em uma nova etapa nos próximos meses.
Segundo o deputado, a proposta estava em análise na Procuradoria-Geral do Estado e, após a conclusão dessa fase, seguirá para o processo licitatório.
“É algo concreto e importante para Mato Grosso. O recurso já está garantido e os trâmites estão avançando”, afirmou.
O parlamentar explicou que ainda não é possível estabelecer uma data exata para o início do funcionamento da unidade, uma vez que o projeto depende do cumprimento de etapas legais, incluindo licitação, contratação da empresa responsável e execução das obras.
“Não dá para dizer se serão 90 dias, 120 dias ou seis meses. Existem procedimentos que precisam ser respeitados e até possíveis questionamentos judiciais podem surgir durante o processo”, explicou.
Apesar disso, Russi demonstrou confiança de que o hospital esteja em funcionamento ao longo de 2026.
“Se não houver nenhum grande obstáculo, acredito que teremos o hospital veterinário funcionando em 2026”, afirmou.
Embora a unidade seja instalada em Cuiabá, Russi ressaltou que o hospital não terá atendimento restrito à capital.
Segundo ele, trata-se de um investimento estadual que beneficiará moradores de diferentes municípios, especialmente da Baixada Cuiabana.
“É um hospital para todo Mato Grosso. Naturalmente, Cuiabá e Várzea Grande serão bastante beneficiadas pela localização, mas o projeto é estadual”, explicou.
O presidente da Assembleia também defendeu a expansão futura do modelo para outras regiões mato-grossenses.
“Começamos pela capital porque ela concentra a maior população e uma demanda significativa. Depois disso, podemos discutir novas unidades em outras regiões do Estado”, afirmou.
Em relação a situação dos candidatos aprovados no concurso público da Seduc que aguardam convocação. O deputado reconheceu a importância dos concursos públicos para o fortalecimento dos serviços estaduais e disse compreender a expectativa dos aprovados.
“Todo concurso é importante para o Estado. Quando existe necessidade de pessoal, é importante que haja o chamamento”, declarou.
Segundo ele, diversas manifestações chegaram por meio das redes sociais, mas ainda não houve uma reunião presencial com representantes da categoria.
Russi defendeu que o governo avalie a possibilidade de prorrogar o prazo de validade do certame, permitindo futuras convocações.
“Se existe a possibilidade legal de prorrogação por mais dois anos, considero importante manter esse cadastro de reserva ativo para que essas pessoas tenham oportunidade de serem chamadas”, afirmou.
No entanto, o parlamentar lembrou que a decisão final cabe à Secretaria de Educação e ao governo estadual.
“A Assembleia pode fazer o pedido e a cobrança, mas a decisão administrativa é do Executivo”, pontuou.



