A crescente incidência de transtornos mentais e o aumento das tentativas de suicídio em Mato Grosso têm acendido um sinal de alerta entre autoridades da área da saúde. O tema foi destaque pelo deputado estadual Carlos Avalone (PSDB), que classificou o cenário atual como uma das maiores preocupações sociais enfrentadas pelo Estado.
Segundo o parlamentar, o sofrimento emocional tem atingido públicos cada vez mais diversos, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos, exigindo uma resposta mais rápida e eficiente do poder público.
“Os números são assustadores. Em Cuiabá, chegam a ser registradas até cinco tentativas de suicídio por dia. É uma realidade que exige atenção de toda a sociedade e do poder público”, afirmou.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no mundo. No Brasil, são aproximadamente 14 mil mortes anuais, o equivalente a cerca de 38 suicídios por dia. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio já figura entre as principais causas de morte.
Para Avalone, embora o estado tenha avançado na ampliação da assistência psicológica e psiquiátrica, a estrutura ainda está distante da necessidade real da população. O deputado defende que a saúde mental seja tratada como prioridade nas políticas públicas estaduais.
Entre as iniciativas já implementadas, destacou a destinação de aproximadamente R$ 100 milhões para fortalecer a rede de acolhimento nos municípios. Os recursos estão sendo utilizados na implantação e ampliação de unidades especializadas para atendimento de pessoas em sofrimento psíquico.
Outro desafio apontado pelo parlamentar é a capacitação dos profissionais que atuam na atenção básica. Segundo ele, muitos servidores da rede pública ainda não possuem treinamento adequado para identificar sinais precoces de transtornos mentais e situações de risco.
“Precisamos capacitar melhor os profissionais que estão na ponta. São eles que visitam as famílias, acompanham pacientes e podem identificar sinais de alerta antes que a situação se agrave”, ressaltou.
Além disso, também demonstrou preocupação com a falta de estruturas especializadas para atender pacientes em situações de crise, especialmente crianças e adolescentes que apresentam surtos ou necessitam de acompanhamento imediato.
Durante a entrevista, informou que equipes técnicas do Ministério da Saúde participam de discussões em Mato Grosso para desenvolver estratégias voltadas ao fortalecimento da assistência em saúde mental. A proposta é construir modelos de atendimento que possam servir de referência para outras regiões do país.
Na avaliação do parlamentar, fatores como o uso excessivo das redes sociais, a sobrecarga de informações, as transformações nas relações sociais e as pressões da vida moderna podem estar contribuindo para o aumento dos casos de ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais.
“Estamos vivendo uma grande pandemia nessa área. Precisamos discutir esse tema sem preconceitos e ampliar o acolhimento para quem sofre”, concluiu.
SERVIÇO
Especialistas alertam que pensamentos frequentes sobre morte, isolamento social repentino, perda de interesse por atividades antes prazerosas e frases relacionadas à desesperança podem indicar sofrimento emocional grave. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico especializado e buscar apoio junto aos serviços de saúde mental disponíveis no município.



