A informação de que mais de R$ 100 milhões teriam saído da Assembleia Legislativa para o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) foi contestada pelo presidente da Casa, deputado Max Russi (PSB). Ele afirma que o Legislativo não fez qualquer transferência ao órgão e que a origem dos valores foi interpretada de maneira equivocada.
O assunto veio à tona após a divulgação de informações atribuídas a um relatório da Polícia Federal, no contexto da Operação Tomada de Contas. Em entrevista nesta quarta-feira (4), Russi afirmou que a Assembleia não foi responsável pela destinação dos recursos mencionados.
Na versão do parlamentar, a proposta que aparece na discussão orçamentária partiu do Governo do Estado. Ele argumenta que a participação da Assembleia na elaboração do orçamento não significa que os deputados tenham transferido dinheiro diretamente para o Tribunal de Contas.
A declaração ocorre em um momento de pressão sobre o TCE-MT, que está no centro de uma investigação federal sobre suspeitas envolvendo contratos, decisões orçamentárias e movimentações financeiras.
Russi explicou que os valores destinados aos poderes estaduais são discutidos anualmente entre o Executivo e as instituições. O modelo, segundo ele, passou por mudanças após a aprovação da PEC do Teto, em 2017.
A proposta inicial é apresentada pelo governo e pode ser alterada durante a tramitação na Assembleia. As emendas são discutidas entre os deputados e lideranças, mas, conforme Russi, a definição dos recursos dos demais poderes não é uma decisão exclusiva do Legislativo.
O presidente da Assembleia também afirmou que procurou os setores responsáveis para conferir a informação depois que o assunto ganhou repercussão.
A Operação Tomada de Contas apura suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e possíveis movimentações financeiras envolvendo o TCE-MT. A investigação também examina indícios de pressão sobre fornecedores e favorecimentos relacionados à liberação de recursos.
A ação resultou na prisão preventiva do presidente do tribunal, Sérgio Ricardo, além de atingir outros conselheiros.
Russi afirmou que não pretende questionar o trabalho dos investigadores e defendeu que a Polícia Federal aprofunde a apuração e divulgue os resultados. Sua ressalva é sobre a interpretação dos dados orçamentários, que considera incorreta.
A versão apresentada pelo deputado ainda precisa ser confrontada com os documentos orçamentários e com o conteúdo integral do relatório policial para esclarecer a origem e a natureza dos valores mencionados.



