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POLÍTICA Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 16:42 - A | A

Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 16h:42 - A | A

ELEIÇÕES 2026

Júlio Campos defende candidatura própria do União Brasil, admite apoio à CPI dos Consignados e avalia cenário político em Mato Grosso

Deputado afirma que maioria dos convencionais deve aprovar candidatura de Jaime Campos ao Governo e minimiza possível racha na sigla

Ana Carolina Guerra
Tangará Online
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O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) fez uma ampla análise do cenário político de Mato Grosso e das principais pautas em discussão na Assembleia Legislativa. Durante entrevista, o parlamentar afirmou que o União Brasil deverá confirmar candidatura própria ao Governo do Estado nas eleições de 2026, avaliou que o partido chegará fortalecido à convenção estadual e minimizou a possibilidade de um racha interno, mesmo diante das divergências entre lideranças da legenda.

Segundo Júlio, a antecipação da convenção do União Brasil foi definida em uma reunião entre o governador Mauro Mendes e o senador Jayme Campos. Inicialmente marcada para o dia 4 de agosto, a convenção foi antecipada para o dia 30 de agosto e será realizada das 15h às 18h, quando serão escolhidos os candidatos ao Governo do Estado, Senado, Câmara dos Deputados e Casa de Lei.

O parlamentar afirmou acreditar que a maioria dos convencionais defenderá a candidatura própria do partido ao Palácio Paiaguás. Segundo ele, dos 50 votantes, aproximadamente 35 deverão apoiar essa tese.

"Acreditamos que a grande maioria prefere a candidatura própria, porque ela fortalece o partido. Nós, deputados estaduais, precisamos de um candidato ao Governo para manter uma bancada forte na Assembleia. O mesmo acontece com os deputados federais, que terão melhores condições de ampliar a representação do União Brasil", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de um racha na legenda caso parte do grupo decida apoiar o vice-governador Otaviano Pivetta, Campos afirmou que divergências fazem parte do processo político e não devem comprometer a unidade do partido. Segundo ele, integrantes que optarem por apoiar outro projeto não sofrerão qualquer tipo de sanção, lembrando que situações semelhantes já ocorreram em outras eleições.

"O próprio Mauro Mendes já tem liberdade para apoiar o candidato que desejar. Todos os partidos convivem com dissidências. Isso acontece no PL, acontece em outras legendas e também pode acontecer no União Brasil", declarou.

Apesar das diferenças, acredita que ainda há espaço para uma composição entre os grupos políticos. Segundo ele, a prioridade do União Brasil é disputar o primeiro turno com candidatura própria e, posteriormente, avaliar alianças. "Na política tudo é possível. Se o Jayme não estiver no segundo turno, será muito mais fácil uma composição com o Pivetta, que faz parte do mesmo grupo político há mais de uma década, do que com o PL, que hoje é nosso adversário."

O deputado também afirmou que o Progressistas deverá respeitar a decisão que for tomada pelo União Brasil durante a convenção. Segundo ele, conversas com lideranças do partido indicam que a federação não criará obstáculos caso os convencionais aprovem a candidatura própria. O parlamentar acrescentou que eventuais questionamentos poderão ser levados ao Diretório Nacional, responsável por analisar recursos e até mesmo revisar decisões partidárias.

Por outro lado, o parlamentar confirmou ainda que esteve reunido com o empresário Cidinho Santos. Embora o encontro tenha tido como principal objetivo tratar de uma viagem para vistoriar a BR-163, os dois também conversaram sobre o atual cenário político. Júlio afirmou que o desejo de parte das lideranças continua sendo a reconstrução da unidade do grupo político, embora reconheça que as pré-candidaturas já estejam bastante consolidadas.

Outro assunto abordado foi a proposta de instalação da CPI dos Consignados, apresentada pela deputada estadual Janaina Riva. O parlamentar afirmou que ainda não foi procurado para assinar o requerimento, mas disse que poderá apoiar a investigação após analisar seu conteúdo. "Ainda não fui procurado. Geralmente assino todas as CPIs, independentemente de quem seja o autor. Vou analisar o texto e, se entender que é necessário, posso assinar", afirmou.

Mesmo defendendo o papel fiscalizador da Assembleia Legislativa, Júlio Campos ponderou que as comissões parlamentares de inquérito costumam enfrentar dificuldades para produzir resultados em final de mandato. Como exemplo, citou a CPI da Saúde, que, segundo ele, enfrenta obstáculos para ouvir testemunhas e concluir os trabalhos.

"O difícil não é criar uma CPI, é fazê-la funcionar. A CPI da Saúde está enfrentando dificuldades e precisou até de prorrogação para continuar os trabalhos."

O deputado também comentou a disputa interna do Partido Social Democrático pelo Governo de Mato Grosso. Segundo ele, a entrada do ex-prefeito Emanuel Pinheiro na disputa foi uma surpresa, uma vez que o partido já havia lançado a pré-candidatura da médica Natasha Slhessarenko. Para Júlio Campos, caberá à convenção da legenda definir quem representará o PSD na eleição.

Na área administrativa, o parlamentar criticou a proposta de contratação de um financiamento de R$ 1,5 bilhão para investimentos em habitação popular. Ele afirmou concordar com o pedido de vista apresentado pelo deputado Lúdio Cabral e defendeu maior debate antes da votação do projeto. Segundo Júlio Campos, Mato Grosso possui recursos suficientes em caixa e precisa avaliar se realmente há necessidade de contratar um empréstimo. Apesar das críticas, reconheceu que o déficit habitacional é um dos maiores desafios do Estado e afirmou que essa será uma das principais bandeiras da eventual candidatura de Jaime Campos ao Governo. "Fizemos cerca de 30 mil casas quando estivemos no governo. Mato Grosso precisa voltar a investir fortemente em habitação popular."

Ao comentar a promessa feita por Otaviano de ajudar a solucionar a crise do abastecimento de água em Várzea Grande, Júlio Campos disse que qualquer iniciativa nesse sentido terá seu apoio. Segundo ele, resolver um problema histórico como esse será positivo para toda a população. "Se ele conseguir resolver essa situação, terá meus aplausos. O importante é atender quem sofre há tantos anos com a falta de água."

O parlamentar também rebateu críticas direcionadas às administrações da família Campos pela situação do abastecimento no município. Segundo ele, o problema se agravou em razão do crescimento populacional e diversas outras gestões passaram pela prefeitura desde o último mandato de Jaime Campos. Por fim, afirmou que uma eventual intervenção do Governo do Estado no Departamento de Água e Esgoto (DAE) ou mesmo a concessão do serviço à iniciativa privada podem ser alternativas viáveis para solucionar definitivamente a crise.


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