O governo federal aguarda a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros, prevista para esta terça-feira (15), antes de definir quais medidas adotará em resposta. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a confirmação das sobretaxas é o cenário mais provável, embora as negociações diplomáticas permaneçam em andamento.
As tarifas foram anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em duas frentes distintas. A primeira prevê uma alíquota de 25% sobre produtos brasileiros após investigações envolvendo temas como desmatamento, pirataria e o sistema de pagamentos Pix. Em seguida, o governo americano anunciou uma taxa adicional de 12,5% para países considerados insuficientes no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Em ambos os casos, os Estados Unidos divulgaram listas de exceções para determinados produtos.
Apesar do cenário desfavorável, integrantes da equipe econômica e diplomática brasileira acreditam que ainda há possibilidade de alterações na decisão final, especialmente com a ampliação da relação de produtos isentos da cobrança.
O governo também espera participar de uma última rodada de negociações virtuais com o representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do encerramento do prazo. A expectativa é que o encontro sirva para antecipar o posicionamento oficial da Casa Branca.
Na última sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa para discutir os cenários possíveis. Segundo interlocutores, Lula orientou a equipe a manter o diálogo até o limite, mas reiterou que considera as tarifas injustificadas.
Caso as novas cobranças sejam confirmadas, a primeira reação do governo deverá ser uma manifestação oficial de repúdio. O Itamaraty pretende reforçar que as medidas são consideradas incompatíveis com a relação comercial entre os dois países e defender que a política tarifária brasileira já favorece as exportações norte-americanas.
Além da resposta diplomática, o governo avaliará juridicamente os impactos da decisão para definir os próximos passos, incluindo a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que autoriza o Brasil a adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais.
Enquanto isso, empresas e entidades empresariais dos próprios Estados Unidos também pressionam Washington para retirar produtos brasileiros da lista de sobretaxas. Segundo levantamento do Itamaraty, pelo menos 43 empresas e associações comerciais americanas argumentam que diversos itens importados do Brasil não possuem substitutos produzidos no mercado norte-americano.
Nos bastidores, o governo considera pouco provável um adiamento da decisão, já que representantes americanos vêm sinalizando que o cronograma da investigação será mantido. Ainda assim, uma eventual prorrogação é vista como positiva por abrir espaço para novas negociações.
Paralelamente, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defende que a entrada em vigor das tarifas seja adiada para depois das eleições brasileiras. Em manifestação enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e durante audiência pública realizada em Washington, o parlamentar afirmou que a adoção das medidas neste momento favoreceria politicamente o presidente Lula e prejudicaria a economia brasileira.
O tema marca mais um capítulo da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, iniciada há cerca de um ano, quando Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros e fez críticas ao governo brasileiro, ampliando o desgaste nas relações entre os dois países.




