A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou à Câmara dos Deputados que não possui em seus arquivos as listas de passageiros de aeronaves relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O esclarecimento foi encaminhado após um requerimento apresentado por deputadas federais que solicitaram informações sobre voos realizados por aeronaves vinculadas ao empresário nos últimos anos.
Na resposta, a agência explicou que não mantém controle ou armazenamento dos dados de passageiros em operações dessa natureza. Segundo o órgão, a responsabilidade pela guarda dessas informações cabe exclusivamente às empresas e operadores que administram as aeronaves.
A Anac também foi questionada sobre os deslocamentos realizados pelos aviões entre 2021 e 2025. No entanto, destacou que o acompanhamento dos planos de voo é atribuição do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão responsável pelo gerenciamento e monitoramento do tráfego aéreo nacional.
De acordo com a agência, os dados disponíveis em seus sistemas não permitem confirmar com precisão a rota efetivamente percorrida pelas aeronaves, nem eventuais alterações ocorridas após a autorização do voo.
Além dos esclarecimentos, a Anac forneceu informações sobre a frota administrada pela Prime You, empresa especializada na gestão de bens de alto padrão e que já teve Vorcaro entre seus sócios.
Segundo o levantamento, três jatos executivos permanecem sob administração da companhia. Outros dois equipamentos — um helicóptero e uma aeronave do modelo Learjet — deixaram de ser operados pela empresa após o encerramento dos contratos firmados em outubro de 2025.
Um dos helicópteros mencionados já havia aparecido em documentos produzidos durante investigações da Polícia Federal. Registros analisados pelos investigadores apontavam reservas da aeronave para viagens que teriam contado com a presença de lideranças políticas nacionais.
A documentação encaminhada pela Anac passa agora a integrar os materiais analisados pela Câmara dos Deputados. O órgão ressaltou que sua manifestação se limitou aos dados sob sua competência regulatória e não representa qualquer conclusão sobre as investigações envolvendo o empresário ou as aeronaves citadas.



