10 de Junho de 2026

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POLÍCIA Terça-feira, 09 de Junho de 2026, 15:22 - A | A

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NÃO ACEITOU O NÃO

Delegada aponta misoginia em feminicídio de mulher que recusou relação sexual

Suspeito foi preso após uma semana de buscas e confessou participação

Ana Carolina Guerra
Tangará Online
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A prisão do suspeito de matar Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, trouxe novos elementos para a investigação de um crime que chocou Mato Grosso pela violência empregada contra a vítima. O homem, de 20 anos, foi localizado após sete dias de diligências e acabou confessando o assassinato durante o deslocamento para a delegacia.

Responsável pelas investigações, a delegada Jéssica Assis classificou o caso como um exemplo extremo da violência praticada contra mulheres e afirmou que o feminicídio foi motivado pela recusa da vítima em manter relações sexuais.

Segundo a investigação, Josivany e o suspeito se encontraram na noite de 31 de maio, em Várzea Grande, após combinarem um programa sexual. Os dois seguiram para uma residência abandonada, onde consumiram drogas. No entanto, antes da relação, a mulher desistiu de prosseguir.

De acordo com a delegada, a negativa da vítima desencadeou a agressão. A apuração aponta que o suspeito não aceitou a decisão da mulher e passou a agir de forma violenta, ignorando sua vontade e autonomia.

Imagens de câmeras de monitoramento analisadas pela investigação mostram os dois caminhando juntos momentos antes do crime. Em determinado trecho, o suspeito aparece conduzindo a vítima para uma área de mata. Os registros também indicam que ela tentava deixar o local.

Durante depoimento, o investigado alegou ter sido ameaçado pela vítima com uma faca. A versão, entretanto, é contestada pelos elementos reunidos até o momento. Conforme a investigação, os vídeos e demais evidências apontam para uma dinâmica diferente daquela apresentada pelo suspeito.

Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi a declaração do próprio preso de que teria ateado fogo no corpo da vítima. Inicialmente, a hipótese era de que o incêndio tivesse sido provocado para dificultar a identificação do cadáver. Agora, a polícia trabalha para esclarecer se a mulher ainda estava viva quando as chamas foram iniciadas.

Diante dessas informações, além do feminicídio, outras possíveis qualificadoras e crimes podem ser incluídos na investigação conforme o avanço das perícias e dos laudos técnicos.

A delegada destacou que o caso representa uma grave manifestação de violência de gênero e relacionou o episódio a outro crime recente ocorrido em Mato Grosso, o assassinato da adolescente Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, morta pelo próprio pai em Várzea Grande.

Para ela, os dois casos revelam uma realidade marcada pelo controle da liberdade feminina e pela intolerância diante da autonomia das mulheres, seja na vida adulta ou ainda na adolescência.

O corpo de Josivany foi encontrado no dia 1º de junho em um terreno baldio no bairro Centro-Sul, em Várzea Grande, após um incêndio mobilizar equipes de emergência. A vítima estava parcialmente carbonizada, sem roupas e apresentava lesões na cabeça, além de sinais de tentativa de ocultação do cadáver.

Ao longo da última semana, investigadores reuniram imagens de segurança, levantaram informações em diversos pontos da cidade e identificaram locais frequentados pelo suspeito. Após a prisão, ele indicou onde havia escondido as roupas utilizadas no dia do crime, que foram recolhidas para análise pericial.

O suspeito permanece à disposição da Justiça. Enquanto isso, a investigação segue em andamento para esclarecer completamente a dinâmica dos fatos, a motivação do crime e eventuais agravantes que possam ser incluídos no inquérito.

 


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