O deputado estadual Faissal Calil voltou a se manifestar nas redes sociais após se tornar alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na segunda-feira (8), que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais em Mato Grosso.
Em vídeo publicado nos stories de uma rede social, o parlamentar aparece em Várzea Grande e faz comentários interpretados como deboche diante da repercussão da investigação. Na gravação, ele afirma que costuma estar no município todas as segundas-feiras, em referência às informações divulgadas após a operação.
"Que horas são ai no meu Rolex? Toda segunda-feira estou em Várzea Grande", afirma.
Faissal teve mandado de busca e apreensão cumprido em sua residência durante a ofensiva da Polícia Federal. Segundo relatório da investigação, o deputado é apontado como suposto articulador para o direcionamento de uma ação possessória ao desembargador afastado Dirceu dos Santos, que também figura entre os investigados.
As apurações tiveram origem em uma denúncia relacionada a um conflito fundiário envolvendo a Gleba Santo Expedito, no município de Cláudia. O documento encaminhado às autoridades relatava a suspeita de pagamento de R$ 1 milhão para favorecer uma empresa madeireira em uma disputa judicial envolvendo posse de terras.
De acordo com o relatório, após decisões favoráveis aos trabalhadores rurais em primeira instância, o processo chegou ao desembargador investigado, que posteriormente proferiu decisão favorável à empresa. A investigação busca esclarecer se houve irregularidades na tramitação e distribuição do recurso dentro do Tribunal de Justiça.
Ainda segundo os investigadores, Faissal teria atuado no caso após deixar o cargo de assessor no gabinete do magistrado e passar a atuar como advogado habilitado nos autos do processo.
Após a operação, o parlamentar afirmou que recebeu os agentes "com tranquilidade" e declarou que está à disposição para prestar esclarecimentos. Ele também negou manter qualquer relação financeira com o desembargador investigado e afirmou que não possui contato com ele desde que assumiu o mandato na Assembleia Legislativa.
A Operação Gemini investiga um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e ocultação de recursos de origem ilícita. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos itens como joias, uma arma de fogo, munições e um relógio de luxo. Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.
As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há condenação dos alvos citados na operação. Todos os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
Veja vídeo:



