Mais do que conhecer fabricantes de baterias, um grupo de 15 empresários brasileiros teve acesso a uma etapa raramente visitada por delegações internacionais: a produção das células de lítio, componente considerado o coração dos sistemas de armazenamento de energia. A experiência ocorreu durante missão técnica à China liderada por Merivaldo Britto, fundador da plataforma Tudo de Energia, e pode representar um passo importante para a atração de novos investimentos para a América do Sul.
A agenda, realizada entre os dias 30 de maio e 7 de junho, incluiu visitas a instalações industriais de alta tecnologia e participação na SNEC, maior feira de energia solar do mundo. O diferencial da missão, segundo Britto, foi levar os empresários para conhecer a origem da cadeia produtiva das baterias, etapa que normalmente não faz parte dos roteiros técnicos internacionais.
Enquanto grande parte do mercado concentra atenção nos fabricantes que montam os sistemas de armazenamento para aplicações residenciais, comerciais, industriais e do agronegócio, a missão chegou às fábricas responsáveis pela produção das células de lítio utilizadas por esses fabricantes.
“Falamos muito sobre baterias, mas poucos conhecem onde tudo começa. Conseguimos levar empresários brasileiros para conhecer uma das etapas mais estratégicas da indústria global de armazenamento de energia, que é justamente a fabricação das células que dão origem às baterias utilizadas em diversos setores da economia”, destacou Merivaldo Britto.
Durante a viagem, também foi firmado um Memorando de Entendimento (MOU) com a Navion, empresa especializada em soluções de armazenamento energético. O acordo prevê estudos e articulações voltados à instalação de uma fábrica de células de lítio na América do Sul.
Embora as negociações ainda estejam em fase inicial, Britto revelou que duas localidades despontam como candidatas a receber o empreendimento: o Paraguai e a região de Manaus (AM).
A iniciativa é considerada estratégica diante do crescimento da demanda por sistemas de armazenamento de energia impulsionados pela expansão da geração solar, da mobilidade elétrica e da eletrificação de processos industriais e do agronegócio.
Além das discussões sobre a futura unidade industrial, a missão também abriu espaço para a construção de parcerias voltadas à introdução de novas tecnologias no mercado brasileiro.
Segundo Britto, os contatos realizados durante a viagem devem resultar em projetos voltados aos segmentos residencial, comercial, industrial e agrícola, ampliando o acesso do país a soluções de armazenamento energético já consolidadas no mercado internacional.
“Estamos trabalhando em um projeto inovador para a América do Sul. Mais do que uma oportunidade de negócio, é uma missão de vida e um propósito dentro do setor energético. Ter a confiança de parceiros internacionais para construir algo inédito nessa área é uma grande responsabilidade”, afirmou.



