09 de Setembro de 2026

ENVIE SUA DENÚNCIA PARA REDAÇÃO
logo

ENTREVISTA DA SEMANA Terça-feira, 08 de Setembro de 2026, 11:39 - A | A

Terça-feira, 08 de Setembro de 2026, 11h:39 - A | A

“Eu nunca briguei com o Mauro Mendes”, afirma Fávaro sobre rompimentos políticos

“Senador relembra rompimentos com antigos aliados, explica a reaproximação com Pedro Taques e fala sobre as alianças para 2026”

Lucas Leite
Tangará Online
[email protected]

Reprodução

favaro

O senador e candidato à reeleição Carlos Fávaro (PSD) falou sobre alianças, rompimentos e a formação do grupo político que pretende disputar as eleições de 2026 em Mato Grosso. Ele afirmou que não guarda mágoas de antigos aliados e atribuiu os afastamentos ao cenário político de cada período.

Fávaro também comentou a reaproximação com o ex-governador Pedro Taques, que agora aparece novamente ao seu lado na disputa por uma das duas vagas ao Senado, e respondeu às críticas de adversários que o classificam como “traidor”. O senador ainda explicou por que considera improvável uma composição no mesmo palanque com Mauro Mendes e Otaviano Pivetta e falou sobre a escolha de seus suplentes.

Clique aqui para participar do nosso grupo COPOPULAR

 

Na entrevista, Fávaro defendeu a união do chamado campo progressista em torno da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que a composição construída para a eleição representa, na avaliação dele, uma mudança no cenário político de Mato Grosso.

Ao longo da conversa, o senador também destacou a participação feminina na política, citou sua atuação no Senado e afirmou que pretende manter uma relação alinhada com os futuros suplentes durante o mandato. Em entrevista ao PodOlhar.

COPopular- Senador, sua trajetória política é marcada por alianças que, em diferentes momentos, terminaram em rompimentos, primeiro com o ex-governador Pedro Taques, depois com Mauro Mendes e, mais recentemente, com Neri Geller. Agora, o senhor volta a dividir o mesmo palanque com Pedro Taques na disputa pelo Senado. O que explica essa sequência de aproximações e rompimentos: diferenças de convicção, mudanças de circunstâncias políticas ou uma estratégia mais pragmática?

Fávaro- Eu não cultivo inimizade na minha vida, zero. Peço a Deus todos os dias que limpe meu coração de qualquer mágoa, de qualquer divergência.
Agora, é fato que pode haver momentos em que você tem uma divergência e não consegue caminhar junto. Mas, se você não cultivar o ódio, não cultivar inimizades, as composições podem acontecer.
Eu nunca briguei com o Pedro Taques. Nós nunca tivemos uma desavença. Eu nunca briguei com o Mauro Mendes, nunca briguei com o Neri Geller.
O Neri tem uma história de 40 anos em Lucas do Rio Verde. Eu sempre o apoiei e ele sempre me apoiou. Teve um episódio que ficou comprovado que não houve nada de errado, mas o presidente pediu que fosse feito um afastamento para dar transparência à investigação.
Então, eu acho que é normal. A gente não pode criar inimizade em hipótese alguma. A composição e o diálogo fazem parte da política, e eu cultivo isso com muita dedicação.

 

COPopular- Senador, especificamente sobre o rompimento com Pedro Taques, na época o senhor chegou a divulgar um documento com os motivos que levaram ao afastamento, destacando questões políticas e administrativas, e não pessoais. O que mudou desde então para que houvesse essa reaproximação? Como foram as conversas e os bastidores que levaram o senhor a voltar a dividir o mesmo projeto político com ele?

Fávaro- Eu fico muito feliz quando encontro um companheiro que diz assim: “Ô, Fávaro, que bom! Você nos ajudou a fazer essa unidade em torno do campo progressista no estado de Mato Grosso”.
Vocês sabem que, nos últimos 30 anos, nunca aconteceu uma unidade no campo progressista. Nunca se conseguiu unir todos os partidos políticos por uma causa maior. E, desta vez, nós conseguimos.
E como conseguimos? Com diálogo. Eu demonstrei publicamente: “Pedro, não tem nada pessoal. Se você for um dos escolhidos pelos partidos para ser um companheiro na segunda vaga, em uma chapa, não teremos problema nenhum”.
Em algum momento, por exemplo, o PDT falou: “Olha, tem uma mágoa aqui no PDT porque o Pedro Taques já foi do PDT quando foi governador e saiu”. Eu chamei a presidência do PDT: “Gente, o projeto é maior. Nós temos um projeto na busca da reeleição do presidente Lula. A gente tem que passar por isso”.
E dei o meu próprio exemplo: “Eu não rompi com o Pedro, mas não criei inimizade. Está tudo certo. Vamos trabalhar pela frente”.
Acho que esses exemplos e o esforço de todo, não foi só do Carlos Fávaro, foram fundamentais. Foi o esforço do PDT, do PSB, da Rede, do PSOL, da Rosa Neide, que foi fundamental na organização do PT, do PV, do Stopa.
Percebe que todo mundo, o PCdoB, o Alexandre César, que veio ajudar, todos nós conversamos muito.
Veja que, na convenção, foi uma bela festa da democracia. Estava lotado de gente, todo mundo empolgado, animado, e não trocou ninguém na chapa. Está tudo unido, tudo certinho.
Então, é a força de um grupo que sabe o seu objetivo, um objetivo maior, que é reeleger o presidente Lula para ele continuar avançando com as mudanças, mudanças em favor das pessoas que mais precisam.
E eu tenho certeza de que o resultado dessa unidade vai ser a vitória nas eleições.

 

COPopular- Senador, ao longo da sua trajetória política, o senhor já foi chamado de “traidor” por adversários, principalmente em razão das alianças e dos rompimentos que marcaram sua carreira. Como o senhor reage a esse tipo de crítica? E, olhando para trás, existe algum rompimento ou decisão política que o senhor faria de forma diferente hoje?

Fávaro- Eu não cultivei nenhuma inimizade. Acho que são conjunturas do momento, situações em que você está, uma composição melhor ou um pensamento ideológico mais ajustado.
Eu não trato dessa forma. Posso dizer, por exemplo, que todas as pessoas com quem, em determinado momento, eu não caminho mais junto, quando caminhei, eu caminhei de verdade. Eu ajudei de verdade, estive junto de verdade. Acho que é assim que funciona a política.
E tenho certeza de que o eleitor consegue perceber isso na minha formação e no meu histórico.

 

COPopular- Senador, Eraí Maggi, um dos sócios da Bom Futuro e uma figura importante do agronegócio, é também um aliado histórico do senhor e já manifestou publicamente o desejo de vê-lo eleito ao Senado ao lado de Mauro Mendes, além da reeleição de Otaviano Pivetta ao governo. Durante as negociações para a formação das alianças, houve a possibilidade de os três estarem no mesmo palanque? O que foi discutido nesse sentido e por que essa composição não avançou?

Fávaro- Primeiro, quero dizer que tenho muito orgulho do apoio do Eraí e também do ex-governador Blairo Maggi. O Blairo é em quem me espelho na política. Entrei na política pelas mãos dele e tive seu apoio quando fui vice, senador e também quando fui ministro da Agricultura, inclusive junto com o presidente Lula e vários produtores rurais.
As pessoas, dentro da democracia, têm suas preferências. Esse era o sonho que o Eraí imaginava para essa conjuntura, mas, na prática, não é possível, não tem lógica. Respeito, gosto muito e fico feliz com o apoio deles, mas meu projeto é caminhar dentro do nosso grupo político, com total dedicação.
E nós temos uma grande novidade: teremos a primeira governadora mulher da história de Mato Grosso. Construí isso passo a passo com a doutora Natália. Convidei-a para o PSD e disse que poderíamos construir juntos a candidatura que ela quisesse.
Ela foi conquistando espaço e, em determinado momento, tornou-se candidata ao governo. Eu fui apoiando e trabalhando para aproximá-la da Federação Brasil da Esperança, porque ali será o palanque do presidente Lula.
Então, o desejo do Eraí de reunir todos no mesmo palanque não é possível. Estamos construindo nosso projeto com muita dedicação e tenho certeza de que teremos uma eleição histórica para o nosso campo político.

 

COPopular-Senador, quando o senhor deixou o Senado para assumir o Ministério da Agricultura, sua suplente, Margarete Buzetti, passou a ocupar a cadeira e adotou uma postura de oposição ao governo, enquanto o senhor atuava na base. Agora, na formação da nova chapa, o senhor demonstrou mais preocupação com a escolha dos suplentes. Houve uma mudança de estratégia? O senhor pretende garantir um alinhamento político mais claro entre os suplentes e o seu projeto, ou ainda pode haver alguma surpresa nessa composição?

Fávaro- Eu não trato isso como nenhum problema muito grave, não. Quando nós elegemos lá atrás, eu não fico olhando cor partidária ou bandeira partidária. Eu gosto de princípios.
Eu achava, e continuo achando, fundamental a presença das mulheres na política. Eu já aprovei três PECs, e é muito difícil aprovar uma emenda à Constituição. Três PECs de minha iniciativa viraram lei no Brasil, além de alguns projetos de lei.
O que considero mais relevante é a PEC e o projeto de lei que determinam a obrigatoriedade de 30% das vagas nas chapas serem ocupadas por mulheres e que, no mínimo, 30% do tempo de televisão e dos recursos dos partidos sejam destinados às mulheres, para que elas possam participar da política.
As mulheres vivem de fato o dia a dia e conhecem, muitas vezes, melhor que os homens a ausência do poder público. É ela quem leva o filho à escola e vê as condições do local, quem normalmente vai ao posto de saúde, quem sente a falta de água em casa e os transtornos que isso gera. A mulher precisa vir para a política.
Então, montamos uma chapa lá atrás com a participação da Margarete Buzetti e, agora, fiz questão de ter a Carmen Machado, uma servidora pública, uma mulher dedicada, junto comigo e com o Alexandre Schenck, para continuarmos tocando esse projeto.
O Schenck vem do agronegócio, que é uma força econômica do nosso Estado, e vem do interior. A Carmen é uma mulher guerreira, servidora pública, e tenho certeza de que vai nos ajudar a cumprir os compromissos com todos os servidores públicos de Mato Grosso.
Eu me defino como um político que se tornou muito municipalista. Ajudei os 142 municípios de Mato Grosso. Nunca olhei bandeira partidária, se o prefeito era do PL, de outro partido, qual era a cor política, se gostava ou não do Fávaro, se tinha apoiado ou não. Eu não olhei para isso. Olhei para as pessoas, atendi a todos e com muita dedicação.
E acho que o resultado vai acontecer.
Voltando à Margarete: ela assumiu como senadora antes mesmo de eu ser ministro. E vai ser assim também agora. Quero dizer aos eleitores: prestem atenção em como a gente se tratou no passado para olhar para o futuro.
O Schenck vai ser senador. Nós vamos revezar, e ele vai defender as pautas e os compromissos que assumiu nesta eleição. A Carmen também vai ser senadora, assim como Zé Lacerda assumiu anteriormente. Por uma articulação minha, ele vai defender essas pautas. Quando pediu voto, fez compromissos com os eleitores e vai ajudar também a trabalhar no mandato pelos resultados.
A Margarete assumiu antes mesmo de eu ser ministro. Depois, eu me tornei ministro e ela permaneceu mais tempo no Senado. Ela tinha seus ideais e, muitas vezes, discordava ideologicamente. A gente tem que respeitar. Só que o mandato é do titular.


Comente esta notícia

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Tangará Online (tangaraonline.com.br). É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Tangará Online (tangaraonline.com.br) poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.


image