A realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027 deverá injetar cerca de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, segundo estudo elaborado pela FGV Projetos a pedido da Embratur. A projeção considera os impactos econômicos da preparação e da realização do torneio, que será disputado no Brasil, e foi apresentada durante o Confut, evento internacional voltado para negócios, inovação e gestão esportiva.
De acordo com o levantamento, o campeonato deverá acrescentar R$ 3,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o equivalente a aproximadamente 0,03% da economia nacional, além de gerar 73,7 mil empregos diretos e indiretos. O estudo também estima uma distribuição de R$ 4,5 bilhões em salários e lucros e uma arrecadação tributária de cerca de R$ 928 milhões.
Para o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, a dimensão econômica da competição supera amplamente a movimentação registrada pelos principais eventos esportivos realizados anualmente no país. Segundo ele, enquanto os dez maiores eventos recorrentes do calendário esportivo brasileiro movimentaram, juntos, cerca de R$ 4,56 bilhões em um ano, a Copa do Mundo Feminina deverá gerar praticamente o dobro desse montante sozinha.
O coordenador do estudo e professor da Fundação Getulio Vargas, Luiz Gustavo Barbosa, destacou ainda o ganho de imagem para o Brasil no cenário internacional. Segundo ele, ao sediar o Mundial Feminino, o país passará a integrar um grupo restrito de nações que receberam os três maiores eventos esportivos do planeta em um intervalo inferior a 15 anos, após a Copa do Mundo masculina e os Jogos Olímpicos, fortalecendo sua posição como destino para grandes competições e para o turismo internacional.
O levantamento divide os impactos econômicos em dois grandes eixos. O primeiro refere-se ao consumo gerado pelo público durante a competição. A expectativa é que cerca de 2 milhões de pessoas, entre turistas e residentes, acompanhem o torneio ao longo do mês de disputa. Esse fluxo deverá movimentar aproximadamente R$ 4,7 bilhões, sustentar 45,7 mil postos de trabalho, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e proporcionar uma arrecadação de R$ 516 milhões em tributos.
O segundo eixo está relacionado aos investimentos necessários para organizar o evento. A estimativa é que essa etapa represente um impacto de R$ 4,1 bilhões na economia brasileira. Considerando o orçamento global da competição, parte dos recursos permanecerá no país para custear serviços como logística, segurança, saúde, transmissão e infraestrutura, movimentando diversos setores econômicos e criando cerca de 28 mil vagas de trabalho.
A pesquisa também analisou o perfil dos turistas internacionais que costumam visitar o Brasil. Segundo dados utilizados no estudo, quase metade desse público é formada por mulheres, com permanência média de 11 dias e gastos concentrados em hospedagem, alimentação, compras, atividades culturais e lazer. Esse comportamento de consumo tende a beneficiar principalmente pequenos e médios empreendimentos espalhados pelas cidades-sede.
Outro aspecto destacado é o potencial de ampliação do público do futebol feminino. Pesquisas apontam que uma parcela significativa das pessoas que nunca frequentou estádios no Brasil é composta por mulheres, enquanto a Seleção Brasileira Feminina mantém elevados índices de aprovação entre os brasileiros. Para os pesquisadores, esse cenário pode estimular novos hábitos de consumo esportivo e ampliar o interesse pelo futebol feminino em diferentes regiões do país, deixando um legado que vai além dos impactos econômicos imediatos.



