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AGRONEGÓCIO Sábado, 01 de Agosto de 2026, 08:00 - A | A

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BUSCANDO MAIS QUALIDADE

Europa paga até 40% mais pela carne bovina de Mato Grosso do que a China

Mesmo com liderança chinesa em volume de compras, mercados europeus se destacam pela maior remuneração

Tangará Online
Redação
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Reprodução

CARNE

A China segue como o principal destino da carne bovina produzida em Mato Grosso, mas os mercados europeus têm se destacado pelo maior valor pago pelo produto estadual. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que compradores da Europa remuneram a proteína mato-grossense com valores superiores aos praticados pelo mercado chinês, abrindo espaço para uma estratégia de expansão de mercados de maior valor agregado.

No primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada de carne bovina de Mato Grosso. Já os demais países europeus desembolsaram cerca de US$ 6.667 por tonelada. Os valores ficaram até 40% acima do preço médio registrado pela China, que pagou aproximadamente US$ 4.745 por tonelada no mesmo período.

Apesar da diferença na remuneração, o mercado chinês continua sendo fundamental para a pecuária mato-grossense. O país asiático respondeu por 55,2% dos embarques estaduais no primeiro semestre, consolidando-se como o maior comprador em volume.

A diferença entre os mercados, porém, mostra uma mudança de estratégia para o setor produtivo: além de buscar compradores em maior quantidade, produtores e empresas exportadoras passaram a mirar destinos que valorizam atributos como qualidade, origem, controle sanitário e rastreabilidade.

Esse cenário aparece no Índice de Atratividade das Exportações, indicador elaborado pelo Imea que avalia o retorno econômico proporcionado por cada mercado em comparação ao preço da arroba do boi gordo em Mato Grosso.

No ranking, a União Europeia aparece na liderança, com índice de 108,49, seguida pelos demais países europeus, com 98,59. A China registrou índice de 74,37, ficando atrás também do Oriente Médio, com 76,58, e da América do Norte, com 75,47.

Os números indicam que, embora alguns mercados comprem volumes menores, eles conseguem gerar maior retorno financeiro para a cadeia produtiva da carne bovina.

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a presença em mercados mais exigentes fortalece a competitividade da pecuária estadual.

Segundo ele, a China permanece como uma parceira estratégica pela capacidade de absorver grandes volumes, mas a entrada e consolidação em mercados europeus demonstram que a produção mato-grossense está preparada para atender consumidores que valorizam padrões elevados de qualidade e regularidade no fornecimento.

A ampliação dos destinos de exportação também é apontada como uma forma de reduzir a dependência de poucos compradores e estimular investimentos dentro da cadeia produtiva.

Com maior participação em mercados que oferecem melhor remuneração, o setor ganha incentivo para avançar em tecnologia, genética, eficiência no campo e práticas de conformidade socioambiental, fatores cada vez mais exigidos no comércio internacional.


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