O depoimento do delegado Marcel de Oliveira trouxe novos elementos ao julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de matar Thays Machado e Willian César Moreno, em Cuiabá. Segundo o investigador, a apuração apontou que o empresário teria acompanhado a rotina da ex-namorada de forma contínua nas semanas que antecederam o crime.
Durante a sessão do Tribunal do Júri, o delegado relatou à juíza Monica Catarina Perri Siqueira que foram encontrados indícios de um suposto monitoramento feito pelo acusado. Conforme a investigação, havia registros relacionados à localização da vítima, além de informações sobre deslocamentos e permanência em determinados locais.
Segundo Marcel, os materiais apreendidos durante a investigação indicavam que Carlos Alberto teria utilizado recursos para acompanhar os passos de Thays. Entre os elementos analisados estavam dados de localização e anotações que, segundo a polícia, ajudaram a reconstruir a movimentação da vítima antes do assassinato.
Um dos episódios citados pelo delegado ocorreu no fim de 2022, durante a passagem de ano. De acordo com o depoimento, Thays teria relatado ao irmão que percebeu uma movimentação do ex-companheiro próximo ao prédio onde morava e que ele teria acompanhado o deslocamento dela até o local onde participaria da celebração.
Ainda conforme o relato apresentado no julgamento, durante a noite da virada, a vítima teria recebido diversas mensagens do empresário. As conversas, segundo a investigação, tinham tom de cobrança e questionamentos sobre onde ela estava e com quem permanecia.
O delegado afirmou que o conjunto de informações reunidas durante a apuração indicava uma tentativa de controle sobre a rotina da vítima antes do crime.
O julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra começou nesta sexta-feira (31), no Tribunal do Júri de Cuiabá, e segue sem previsão de encerramento. O processo é considerado um dos casos de maior repercussão criminal dos últimos anos no Estado.
Carlos Alberto, filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), está preso desde 2023. Ele confessou ter atirado contra Thays Machado e Willian César Moreno.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em frente a um edifício na Capital, quando o casal aguardava transporte por aplicativo. A acusação afirma que os disparos foram feitos de forma inesperada, sem que as vítimas tivessem possibilidade de reação.
O Ministério Público sustenta que a morte de Thays ocorreu em um contexto de violência de gênero e que o assassinato de Willian teve circunstâncias que dificultaram sua defesa. A defesa do acusado, por sua vez, já afirmou que pretende apresentar argumentos relacionados às condições emocionais do réu.



