14 de Outubro de 2026

ENVIE SUA DENÚNCIA PARA REDAÇÃO
logo

POLÍTICA Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, 11:33 - A | A

Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, 11h:33 - A | A

operações do Banco Master e Credcesta

Valdir Barranco cobra explicações do governo de MT sobre cartões consignados de servidores

Requerimento apresentado na Assembleia Legislativa reúne 24 pedidos de informações sobre contratos, valores descontados dos salários, credenciamento de instituições financeiras e fiscalização das operações envolvendo o Banco Master/Credcesta

Tangará Online
Redação

Marcos Lopes/ALMT

Valdir Barranco

O deputado estadual Valdir Barranco (PT) elevou a pressão sobre o governo de Mato Grosso ao apresentar o Requerimento nº 546/2026, na última quarta-feira (7), cobrando explicações do governador Mauro Mendes e do secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra Guimarães dos Santos, sobre a regulamentação e a operação dos cartões consignados de benefício oferecidos aos servidores públicos estaduais. O parlamentar exige a apresentação de documentos e informações detalhadas sobre o credenciamento das instituições financeiras, com atenção especial às operações do Banco Master S.A./Credcesta, autorizado a atuar nessa modalidade após as mudanças promovidas pelo Decreto Estadual nº 257, de 5 de maio de 2023.

A cobrança ocorre em meio à grave crise dos consignados em Mato Grosso, marcada por denúncias de descontos questionados, contratos sob análise, reclamações de servidores e investigações sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito. O caso levou à adoção de medidas judiciais envolvendo contratos de cartões consignados e à discussão sobre a necessidade de responsabilização e proteção dos trabalhadores atingidos. Em junho de 2026, a imprensa noticiou que os descontos relacionados às operações investigadas já haviam alcançado cifras expressivas, enquanto órgãos públicos discutiam a revisão dos contratos e a suspensão de repasses às instituições envolvidas.

“O que aconteceu com os consignados em Mato Grosso é absurdo e não pode ser tratado como se fosse um problema qualquer. Estamos falando de servidores que viram seus salários comprometidos, de famílias que precisam do dinheiro para sobreviver e de uma situação que exige respostas concretas. Não basta o governo dizer que está tomando providências. Queremos documentos, números, nomes, datas e explicações. Quem abriu as portas para essas operações precisa explicar como tudo aconteceu e quais controles foram adotados. O dinheiro é do trabalhador, não é terra sem lei para instituição financeira fazer o que quiser!”, afirmou Barranco.

O deputado também destaca seu posicionamento em defesa da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Consignados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Barranco assinou, defendeu e apoiou a criação da comissão, que busca investigar denúncias envolvendo empréstimos consignados, cartões de crédito e cartões-benefício destinados aos servidores estaduais. “Eu assinei, defendi e apoiei a CPI porque não aceito que um caso dessa gravidade termine em silêncio, sem investigação e sem que ninguém preste contas. CPI não é favor a deputado, não é disputa política e muito menos perseguição a empresa. É instrumento de fiscalização para descobrir o que aconteceu, identificar responsabilidades e defender os servidores. Quem não deve explicações não deveria ter medo de apresentar documentos. O que não dá é deixar o trabalhador pagando a conta enquanto as perguntas continuam sem resposta!”, disparou o parlamentar.

O Requerimento nº 546/2026 reúne 24 solicitações de informações e documentos encaminhadas ao Executivo estadual. Entre os principais pedidos está a cópia integral do processo administrativo que resultou no Termo de Convênio de Consignação nº 026/2023, firmado entre o Banco Master e a SEPLAG em 30 de maio de 2023, com vigência prevista até 29 de maio de 2028. Barranco quer conhecer a tramitação completa do processo, os critérios utilizados para a habilitação, os pareceres técnicos e jurídicos, as decisões administrativas e a identificação dos servidores públicos e gestores que participaram da análise e da autorização.

O parlamentar também exige uma relação completa das instituições habilitadas a operar cartões consignados entre 2023 e 2026, os valores descontados mensalmente dos contracheques e repassados a cada empresa, o total acumulado destinado ao Banco Master/Credcesta e o número de servidores que possuem ou possuíram contratos nessa modalidade. O requerimento ainda solicita informações sobre taxas de juros, Custo Efetivo Total (CET), reclamações, denúncias, processos administrativos, contratos contestados, restituições de valores e eventuais suspensões ou descredenciamentos.

“A pergunta é simples: como essas empresas foram autorizadas a operar, quem analisou os processos, quais garantias foram exigidas e quanto saiu do bolso dos servidores? Nós queremos saber tudo, sem maquiagem e sem informação pela metade. Não estamos condenando ninguém antecipadamente, mas também não vamos aceitar que a gravidade das denúncias seja empurrada para debaixo do tapete. Transparência não é discurso bonito de governo. Transparência é apresentar os documentos e permitir que a sociedade saiba o que aconteceu.”, enfatizou Barranco.

O requerimento também questiona os mecanismos de fiscalização adotados pela SEPLAG, pede relatórios de auditoria e monitoramento produzidos pela secretaria e pela Controladoria-Geral do Estado, além de informações sobre possíveis transferências de carteiras de crédito e contratos entre instituições financeiras. Barranco solicita ainda os fundamentos administrativos e jurídicos que justificaram a vigência de cinco anos do convênio com o Banco Master/Credcesta e esclarecimentos sobre a situação atual do acordo.

A iniciativa, segundo o parlamentar, integra o trabalho de fiscalização do Poder Legislativo e busca assegurar que as dúvidas sobre as operações sejam respondidas com base em documentos oficiais. O deputado ressalta que o objetivo é esclarecer os procedimentos adotados pelo Estado, apurar eventuais responsabilidades e garantir que os direitos dos servidores públicos sejam respeitados. “Servidor público não pode ser tratado como refém de desconto em folha nem passar anos tentando descobrir por que o dinheiro do seu salário está indo embora. O governo tem o dever de fiscalizar as operações que autoriza e de dar respostas à população. Eu vou continuar cobrando, defendendo a investigação e exigindo transparência”, concluiu Barranco.


Comente esta notícia

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Tangará Online (tangaraonline.com.br). É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Tangará Online (tangaraonline.com.br) poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.


image