13 de Outubro de 2026

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POLÍTICA Terça-feira, 13 de Outubro de 2026, 10:29 - A | A

Terça-feira, 13 de Outubro de 2026, 10h:29 - A | A

APÓS DERROTA

Júlio Campos admite fim da carreira política, mas deixa porta aberta para voltar às urnas

Após mais de cinco décadas na vida pública, deputado diz que pode encerrar as disputas eleitorais, mas evita confirmar aposentadoria e critica duramente o prefeito de Cuiabá.

Tangará Online
Redação

Reprodução

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Depois de mais de cinco décadas de atuação na vida pública, o deputado estadual Júlio Campos (União) admite que pode estar próximo de encerrar sua trajetória eleitoral, mas evita anunciar uma aposentadoria definitiva da política. Aos 89 anos, o ex-governador afirma que já cumpriu uma parte importante de sua missão pública, mas deixa em aberto a possibilidade de participar novamente de disputas eleitorais, dependendo do cenário político dos próximos anos.

A declaração ocorre após Júlio não conseguir a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso nas eleições de 2026. O resultado também colocou em discussão o futuro político da família Campos, uma das mais tradicionais do Estado.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), avaliou o resultado das urnas como sinal de perda de espaço de grupos tradicionais, citando nominalmente as famílias Campos, Riva, Botelho e Pinheiro. Abilio, porém, ponderou que não caberia a ele decretar o fim político dessas trajetórias e classificou o momento como uma espécie de pausa para esses grupos.

Júlio reagiu às declarações e rejeitou a ideia de que a derrota eleitoral represente o encerramento definitivo de sua carreira.

“Eu já estava me preparando para encerrar realmente a carreira”, afirmou o deputado, ao lembrar que inicialmente não pretendia disputar a eleição de 2026. Segundo ele, a decisão de voltar à disputa ocorreu depois da convenção partidária, quando foi escolhido para integrar a chapa.

O parlamentar afirmou que, neste momento, sua prioridade é concluir o mandato que ainda exerce na Assembleia. A partir daí, segundo ele, o futuro dependerá das circunstâncias políticas.

Júlio Campos construiu uma trajetória que inclui cargos de prefeito, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. A possibilidade de deixar as disputas eleitorais, portanto, representa uma mudança significativa para um dos nomes mais conhecidos da política mato-grossense.

O próprio deputado reconhece que a idade é um fator que pesa na decisão.

“A própria idade até recomenda. E eu também já fui tudo”, afirmou.

Apesar disso, Júlio não apresentou uma decisão definitiva sobre o assunto. A fala indica que o deputado pretende concluir o mandato e avaliar posteriormente se continuará exercendo alguma função política ou se deixará as disputas eleitorais.

A possibilidade de aposentadoria política também não significa, necessariamente, afastamento completo da vida pública. O histórico de Júlio mostra uma atuação que ultrapassa mandatos específicos e envolve influência partidária e articulação política ao longo de décadas.

Outro ponto abordado pelo deputado foi sua relação com o União Brasil.

Durante a campanha eleitoral, Júlio relatou desentendimentos internos e fez críticas a integrantes da própria estrutura partidária. Mesmo diante dos atritos, ele não anunciou uma saída da legenda.
O parlamentar afirmou que pode permanecer no partido e fez questão de destacar que o União Brasil não pertence a uma única liderança.

“A minha função importante agora é concluir o meu mandato de cabeça erguida e dizer que, se tiver que continuar no União Brasil, eu posso continuar sem problema nenhum, porque o União Brasil não é de Mauro Mendes [...] é de todos nós”, declarou.

A fala ocorre em meio a uma reorganização das forças políticas de Mato Grosso depois das eleições. Mauro Mendes, que deixou o governo estadual e disputou uma vaga ao Senado, também se tornou alvo de críticas de Júlio durante o período eleitoral.

A relação entre os diferentes grupos do União Brasil deverá continuar sendo acompanhada, principalmente diante da nova composição política do Estado.

O momento mais duro da entrevista ocorreu quando Júlio respondeu às declarações de Abilio Brunini sobre a chamada “velha política”.

O prefeito afirmou que os resultados eleitorais demonstraram perda de espaço de famílias tradicionais no Estado. Entre os grupos citados por Abilio estavam os Campos e os Riva.

Júlio rejeitou a classificação e defendeu o histórico político de sua família.

Ao falar sobre sua trajetória e a do irmão, o senador Jayme Campos, o deputado afirmou que os dois acumulam décadas de vida pública sem terem sido alvos, segundo sua própria declaração, de investigações por corrupção ou desvio de dinheiro público.

“A velha política nós vemos com muito mais dignidade, porque, pelo menos nós, Campos, Júlio e Jayme Campos, nunca tivemos em 50 anos de vida pública Polícia Federal na nossa porta, Ministério Público fazendo processo por roubo, por corrupção, por desvio de dinheiro público”, afirmou.

A declaração representa a defesa feita pelo próprio parlamentar sobre sua trajetória e não equivale a uma avaliação independente sobre todo o histórico político da família.

Júlio ocupou diferentes cargos públicos ao longo de décadas, enquanto Jayme Campos também construiu carreira política em Mato Grosso, com passagens pela Prefeitura de Várzea Grande, Governo do Estado e Senado.

Além de rebater o conceito de “velha política”, Júlio direcionou críticas diretamente à atuação de Abilio durante as eleições.

O deputado acusou o prefeito de ter utilizado a estrutura da Prefeitura para favorecer a eleição da esposa, Samantha Iris (PL), que conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa.

“Repudio as palavras do prefeito Abilio Brunini, que usou e abusou da máquina pública para eleger a sua esposa, traindo os seus companheiros de partido”, afirmou.

A acusação foi feita por Júlio durante a entrevista e não deve ser confundida com uma conclusão sobre eventual irregularidade. Abilio, por sua vez, tem defendido que o resultado eleitoral representa uma mudança no comportamento do eleitorado e uma redução do espaço ocupado por grupos políticos tradicionais.

A troca de acusações mostra que a disputa eleitoral de 2026 não terminou completamente com a apuração das urnas. O resultado abriu uma nova fase de confrontos políticos entre grupos que deverão disputar espaço nas próximas eleições municipais e estaduais.

Para sustentar o argumento de que os grupos tradicionais ainda possuem força eleitoral, Júlio citou o desempenho de Janaina Riva (MDB) na disputa pelo Senado.

Segundo o deputado, Janaina recebeu aproximadamente 550 mil votos e terminou a disputa na terceira colocação.

Na avaliação de Júlio, a votação demonstrou que o eleitorado ainda mantém vínculos com nomes conhecidos da política estadual, apesar da derrota na disputa pelas duas vagas ao Senado.

O deputado também criticou a articulação política que envolveu a eleição e classificou como “coligação falsa” a aproximação entre grupos que apoiaram candidaturas diferentes durante a campanha.

Nesse ponto, trata-se da interpretação de Júlio sobre o processo eleitoral. O resultado oficial, por sua vez, colocou Mauro Mendes e José Medeiros entre os eleitos para o Senado, enquanto Janaina terminou fora das duas vagas.

A não reeleição de Júlio ocorre em um momento de mudança na presença institucional da família Campos.

O grupo acumulou décadas de participação na política de Mato Grosso, especialmente em Várzea Grande. Júlio foi prefeito do município, governador, senador e deputado federal, enquanto Jayme Campos também ocupou cargos executivos e legislativos de destaque.

Com a saída de Júlio da Assembleia ao final do atual mandato, a família perde uma representação direta na Casa de Leis. Jayme, por sua vez, permanece como senador.

O cenário não significa necessariamente o fim da participação política dos Campos, mas reduz a presença institucional direta do grupo no Legislativo estadual.

O próprio Abilio utilizou esse resultado como parte de sua avaliação sobre uma mudança no comportamento do eleitorado mato-grossense. Júlio discorda dessa interpretação e considera que a votação obtida por nomes tradicionais demonstra que ainda existe espaço político para esses grupos.

Apesar das incertezas sobre seu futuro eleitoral, Júlio também reafirmou sua posição no cenário nacional.

O deputado declarou que continuará apoiando o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, grupo com o qual afirma manter alinhamento desde 2018.

A posição mantém Júlio dentro do espectro conservador da política brasileira mesmo diante da mudança de configuração no cenário estadual.

O posicionamento também demonstra que a possibilidade de deixar as disputas eleitorais não necessariamente significa afastamento do debate político.

A derrota eleitoral coloca Júlio Campos diante de uma decisão que ele próprio já vinha considerando antes da campanha: continuar ou não disputando eleições.

Por enquanto, o parlamentar não anunciou aposentadoria. O que existe é o reconhecimento de que sua idade e o longo percurso político tornam natural a discussão sobre um encerramento de ciclo.

Ao mesmo tempo, Júlio mantém críticas, alianças e posicionamentos que indicam que ainda pretende participar do debate político de Mato Grosso.

A relação com o União Brasil, as críticas a Abilio Brunini e o alinhamento com o grupo bolsonarista mostram que o deputado continua atuando politicamente mesmo diante da possibilidade de deixar o Legislativo.

A eleição de 2026, portanto, pode representar o fim de uma etapa institucional, mas ainda não definiu o ponto final da trajetória de Júlio Campos.

A própria declaração do deputado resume a situação: ele admite que já pensou em encerrar a carreira, reconhece que a idade recomenda cautela, mas não fecha completamente as portas.

Enquanto conclui o atual mandato, Júlio terá ainda a oportunidade de participar das discussões políticas de Mato Grosso e acompanhar a reorganização dos grupos que emergiram das urnas.

O que acontecerá depois dependerá tanto de sua decisão pessoal quanto do espaço que continuará encontrando no cenário político estadual. Por enquanto, o veterano mantém a porta entreaberta — e deixa claro que, mesmo fora de uma próxima disputa eleitoral, não pretende abandonar o debate político.


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