A Operação Heritage provocou mais uma mudança no primeiro escalão do Governo de Mato Grosso. Cinco dias depois de ser alvo da investigação da Polícia Federal, o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, anunciou nesta terça-feira (11) que está deixando a função.
A saída ocorre em um momento de forte pressão sobre o grupo político ligado ao governo. Carvalho é o segundo integrante da estrutura estadual a deixar o cargo após a deflagração da operação. Na sexta-feira (07), o então procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, também pediu exoneração.
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Carvalho comunicou a decisão por meio de uma carta publicada nas redes sociais. No texto, afirmou que pretende se afastar da rotina do governo para cuidar da família, das empresas das quais participa e concentrar esforços no esclarecimento das suspeitas levantadas pela investigação.
O ex-secretário negou ter qualquer participação no acordo firmado entre o Estado e a empresa Oi, que está no centro da apuração. Segundo ele, o período em que o negócio foi analisado, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, não coincide com sua atuação em cargo público.
A partir dessa alegação, Carvalho sustenta que não tinha poder para interferir na decisão que resultou no acordo.
Outro ponto usado pelo ex-secretário para explicar a decisão foi a situação judicial envolvendo seu nome.
Carvalho afirmou que houve pedido para que ele fosse afastado do cargo durante as investigações, mas que a medida não foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República também se manifestou contra o afastamento.
Por isso, Carvalho ressaltou que sua saída não foi determinada pela Justiça. A decisão, conforme relatou, foi tomada por ele, pela família e pelo governador Otaviano Pivetta.
Ele também afirmou que ser investigado não significa ter sido condenado e destacou que, até o momento, não foi denunciado nem condenado criminalmente.
“Apurar é o começo do caminho. Julgar é o fim. Estamos no começo”, escreveu.
A Heritage apura suspeitas relacionadas a um acordo de aproximadamente R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
O caso levou a Polícia Federal a cumprir medidas contra pessoas ligadas à negociação e atingiu nomes importantes da política mato-grossense.
Além de Carvalho, aparecem no contexto da investigação o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia. Este último também decidiu abandonar a disputa para vice-governador e voltar a concorrer à Câmara dos Deputados.
As medidas determinadas pela Justiça não representam, por si só, uma condenação dos investigados. A apuração ainda deverá avançar para esclarecer a participação de cada pessoa citada e a eventual existência de irregularidades.
Na carta de despedida, o ex-secretário também contestou qualquer possibilidade de ter recebido vantagem relacionada ao negócio investigado.
Ele afirmou que não participou do acordo e negou que recursos ligados ao caso tenham sido utilizados em benefício dele ou de familiares.
Carvalho também mencionou uma ação que tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e que, segundo ele, aborda os mesmos fatos. Na avaliação apresentada pelo ex-secretário, o processo não demonstra a prática de irregularidade por parte dele.
Ao deixar o governo, Carvalho ainda agradeceu a Pivetta pela confiança e afirmou esperar que a administração estadual consiga continuar suas atividades. Também manifestou apoio a Francisco Lopes e Fábio Garcia diante das repercussões da investigação.
A saída abre espaço para uma nova definição dentro da Casa Civil, em mais uma mudança provocada pelo impacto político da Operação Heritage sobre integrantes do grupo governista.



