A decisão do União Brasil de apoiar Otaviano Pivetta (Republicanos) na corrida pelo Governo de Mato Grosso não encerrou a disputa interna dentro do partido. O deputado estadual Júlio Campos anunciou que seguirá outro caminho e declarou apoio ao senador Wellington Fagundes (PL).
A escolha coloca Júlio no mesmo grupo político do irmão, Jayme Campos, que também decidiu apoiar Wellington depois que a proposta defendida por seu grupo perdeu a votação interna do União Brasil.
Para Júlio, a posição partidária não impede que ele tenha uma escolha diferente na disputa pelo Palácio Paiaguás.
“Eu não vou votar no Otaviano Pivetta, vou seguir a ala dissidente”, afirmou o deputado.
A divergência ganhou força durante a convenção do União Brasil que definiu o rumo da legenda na eleição estadual.
A proposta de apoiar Pivetta recebeu 30 votos, enquanto outros 19 convencionais defenderam que o partido apresentasse uma candidatura própria ao Governo.
O resultado derrotou a estratégia defendida pelo grupo de Jayme Campos, que vinha trabalhando para manter maior autonomia do União Brasil na disputa.
Apesar de dizer que respeitaria a decisão, Jayme criticou a forma como a convenção foi conduzida e classificou o processo como “draconiano”.
Júlio agora assume publicamente uma posição diferente daquela definida pela maioria do partido.
Além da influência política de Jayme, Júlio atribuiu sua escolha à relação que mantém há décadas com Wellington Fagundes e com a família do senador.
O deputado recordou que seu pai, João Baiano, foi aliado político de longa data. Segundo Júlio, essa proximidade foi construída ainda na década de 1970 e atravessou diferentes eleições.
O parlamentar também destacou que Wellington teria apoiado sua trajetória política ao longo dos anos.
Para Júlio, a relação construída ao longo de décadas pesa na decisão de apoiá-lo justamente em uma eleição na qual Jayme Campos não estará na disputa.
Mesmo declarando voto em Wellington, Júlio afirmou que continuará no União Brasil e que sua campanha eleitoral seguirá dentro da estrutura partidária relacionada à aliança firmada com o Republicanos.
O deputado também sinalizou que pretende evitar uma atuação ostensiva na disputa pelo Governo e concentrar sua energia na própria campanha.
Na prática, a posição cria uma situação politicamente delicada: o União Brasil estará oficialmente ao lado de Pivetta, enquanto uma ala importante da família Campos trabalhará por Wellington.
O cenário mostra que a decisão tomada na convenção não eliminou as divergências internas e pode levar integrantes do partido a apoiarem candidatos diferentes na disputa pelo comando de Mato Grosso.



