A escolha de Gisela Simona (União Brasil) para ocupar a vice na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) abriu uma divergência pública entre os principais integrantes do grupo que disputa o Governo de Mato Grosso. Enquanto o candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) classificou a substituição de Fábio Garcia como um “equívoco”, Gisela preferiu minimizar o episódio e afirmou que a decisão sobre o companheiro de chapa cabe ao candidato ao Governo.
A manifestação de Gisela ocorre depois de Mauro tornar pública sua insatisfação com a mudança na composição. O ex-governador defendia a indicação de Fábio Garcia para a vice, mas o deputado federal desistiu da disputa para concentrar esforços na tentativa de permanecer na Câmara dos Deputados.
Com a saída de Garcia, Pivetta escolheu Gisela para completar a chapa. A mudança não agradou a Mauro, que reconheceu ter discordado da decisão, embora tenha afirmado que continuará apoiando o grupo.
Gisela, por sua vez, afirmou que não vê a declaração como motivo para confronto. Segundo ela, a preferência de Mauro por Garcia já era conhecida e não interfere na legitimidade da escolha feita por Pivetta.
“Eu recebo com naturalidade a fala do governador, porque foi público e notório que ele defendeu o tempo todo o nome de Fábio Garcia”, afirmou.
Na avaliação da candidata a vice, a definição não cabia a Mauro, mas ao próprio candidato ao Governo. Por isso, ela considera que a decisão de Pivetta deve ser respeitada pelos demais integrantes da aliança.
“Temos aí o direito, a legitimidade do atual candidato ao governo escolher o seu vice”, disse.
Apesar da crítica feita posteriormente pelo ex-governador, Gisela afirmou que conversou com Mauro Mendes antes de aceitar o convite para compor a chapa.
De acordo com ela, o então candidato ao Senado manifestou disposição de apoiá-la caso Pivetta confirmasse seu nome para a vice-governadoria. A conversa, segundo Gisela, ocorreu antes da oficialização da escolha.
“Antes da aceitação do convite, eu conversei com Mauro Mendes, ele concedeu o seu apoio ao meu nome também, no sentido de que se for da escolha do Otaviano Pivetta, que ele estaria ao meu lado”, relatou.
A declaração é usada por Gisela para reforçar que sua entrada na chapa não ocorreu à revelia de Mauro e que havia, pelo menos naquele momento, uma disposição do ex-governador de acompanhar a decisão de Pivetta.
Ela também procurou evitar que a divergência fosse interpretada como uma ruptura entre os aliados.
“Então, nós caminhamos juntos nessa eleição de 2026”, afirmou.
Antes da mudança, Fábio Garcia era o nome defendido por Mauro Mendes para ocupar a vice de Pivetta.
Garcia chegou a ser colocado como opção para a composição, mas abandonou o projeto de disputar a vice-governadoria e decidiu voltar as atenções para a reeleição como deputado federal.
A desistência ocorreu em meio às repercussões da Operação Heritage, da Polícia Federal, e das medidas cautelares determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra investigados relacionados ao caso.
Com a saída de Garcia, Pivetta precisou reorganizar a composição e optou por Gisela, deputada federal e integrante do União Brasil.
A escolha provocou a reação de Mauro, que tornou pública sua discordância.
“Eu discordei da decisão dele, mas eu respeitei”, declarou o ex-governador.
Mauro foi além e classificou a decisão como um “equívoco”, afirmando que a escolha poderia produzir consequências políticas no futuro.
“Eu discordei porque ele cometeu um equívoco, que vai ter, provavelmente, algum desdobramento presente ou futuro”, afirmou.
A declaração colocou uma diferença interna no centro da pré-campanha, especialmente porque Mauro e Gisela pertencem ao mesmo partido e estarão na mesma composição eleitoral.
Apesar de considerar equivocada a escolha de Gisela, Mauro fez questão de afastar a possibilidade de rompimento com Pivetta.
O ex-governador afirmou que divergências são naturais dentro de uma aliança política e que não necessariamente levam à separação dos grupos.
“Todos unidos. Ter divergência não significa ter ruptura. A gente pode divergir e continuar caminhando junto”, afirmou.
A declaração indica que, pelo menos neste momento, a estratégia do grupo é preservar a aliança apesar da disputa interna sobre a composição.
Mauro e Pivetta possuem uma relação política construída ao longo dos últimos anos. Pivetta foi vice-governador durante a gestão de Mauro e agora disputa a sucessão no comando do Estado.
Com a definição das chapas, os dois seguem em projetos diferentes dentro da mesma aliança: Pivetta disputa o Governo, enquanto Mauro tenta conquistar uma das duas vagas ao Senado.
A entrada de Gisela modificou o desenho eleitoral inicialmente planejado por parte do grupo.
A composição agora reúne Pivetta na disputa pelo Governo, Gisela como vice e Mauro Mendes e Margareth Buzetti (PP) como candidatos ao Senado.
A escolha também coloca Gisela em uma posição de maior exposição política. Além de disputar a vice-governadoria, ela terá de consolidar seu espaço dentro de uma aliança na qual outro nome era considerado preferencial por uma das principais lideranças.
A deputada, entretanto, tenta transformar a situação em uma questão de respeito à decisão do cabeça de chapa.
Ao lembrar que conversou previamente com Mauro, Gisela também procura demonstrar que sua entrada na disputa foi discutida dentro do grupo e não representou uma ruptura com o ex-governador.
Embora Mauro e Gisela afirmem que a aliança continua de pé, a discordância sobre a composição da chapa pode ser explorada pelos adversários durante a campanha.
A escolha do vice costuma ter peso político em uma eleição majoritária, principalmente quando envolve diferentes grupos e interesses partidários. Nesse caso, a mudança de Garcia para Gisela ocorreu depois de uma alteração no projeto do deputado federal e acabou expondo uma preferência diferente entre Pivetta e Mauro.
A tendência, entretanto, é que os integrantes da aliança tentem impedir que o episódio ganhe proporções maiores.
Gisela adotou justamente essa postura ao afirmar que recebeu a crítica de Mauro “com naturalidade”. Em vez de responder diretamente ao ex-governador, ela destacou a legitimidade de Pivetta para escolher seu vice.
A estratégia também evita uma disputa pública entre dois integrantes do União Brasil que estarão no mesmo palanque durante a eleição.
A candidata a vice chega à campanha depois de uma mudança que ocorreu em meio às articulações partidárias e terá como desafio consolidar sua presença na chapa.
A escolha de Gisela também amplia a participação do União Brasil na composição majoritária, que terá Mauro e Margareth na disputa pelo Senado.
Apesar das diferenças, o discurso adotado até agora pelos integrantes do grupo é de manutenção da unidade.
Mauro admite que não gostou da escolha, mas diz que continuará caminhando com Pivetta. Gisela reconhece a preferência anterior do ex-governador por Garcia, mas afirma que recebeu apoio de Mauro antes de aceitar o convite.
O episódio, portanto, revela uma fissura na composição, mas não uma ruptura. A forma como essa divergência será administrada durante a campanha poderá determinar se a troca de Fábio Garcia por Gisela ficará restrita a uma disputa pontual pela composição da chapa ou se continuará sendo explorada como sinal de diferenças dentro do grupo.
Por enquanto, os dois lados mantêm o discurso de unidade. Gisela aposta na legitimidade da escolha de Pivetta, enquanto Mauro sustenta que é possível discordar sem abandonar a aliança.
A disputa eleitoral, porém, ainda está no início, e a convivência entre essas diferentes posições será testada ao longo da campanha.



