O deputado federal Fábio Garcia (União) está fora da disputa pela vice-governadoria na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos). O parlamentar decidiu retirar seu nome da composição e voltar ao projeto de buscar um novo mandato na Câmara dos Deputados. A mudança mexe novamente na formação da chapa governista para as eleições de 2026 e deixa em aberto a escolha do novo vice.
A decisão acontece em meio ao impacto político da Operação Heritage, da Polícia Federal, que colocou Garcia e o ex-governador Mauro Mendes entre os investigados. Uma das medidas determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), restringe o contato entre investigados. Como Mendes é uma das principais lideranças do grupo que apoia Pivetta e também pretende disputar o Senado, a determinação criou uma dificuldade para a atuação conjunta dos dois durante o período eleitoral.
Garcia afirmou nesta terça-feira (11) que a decisão de deixar a vice foi tomada após uma conversa com os partidos que integram a aliança. De acordo com o deputado, os presidentes das legendas pediram que ele reconsiderasse o projeto para a eleição majoritária. O parlamentar avaliou que a restrição judicial poderia dificultar a condução da campanha e optou por retornar à disputa pela Câmara.
A mudança também ocorre antes do registro oficial da chapa na Justiça Eleitoral. Com isso, o grupo não precisará lidar com uma eventual substituição de candidato já formalizado e poderá negociar diretamente um novo nome para a vice. A escolha deverá envolver novamente os partidos que sustentam a candidatura de Pivetta e pode provocar uma nova rodada de conversas dentro da aliança.
Garcia havia chegado à posição de vice depois de uma disputa interna no União Brasil sobre o caminho do partido para a eleição estadual. A proposta de lançar candidatura própria ao Governo, defendida pelo senador Jayme Campos, perdeu a votação interna por 30 votos a 19. O resultado fortaleceu a aliança com Pivetta e abriu espaço para que o União Progressista indicasse o candidato a vice.
Agora, com a saída de Garcia, o deputado volta ao projeto que inicialmente era sua prioridade: permanecer na Câmara dos Deputados. A operação da Polícia Federal, entretanto, passa a fazer parte do cenário político que antecede a eleição. Garcia nega participação nas irregularidades investigadas na Heritage e afirma que não praticou qualquer ato relacionado ao acordo sob apuração. A investigação ainda está em andamento e as medidas judiciais impostas aos envolvidos não equivalem a uma condenação.



