O governo de Mato Grosso pode passar por mais uma mudança no primeiro escalão após a Operação Heritage, da Polícia Federal. O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, sinalizou ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) que pretende deixar o cargo. A decisão ainda não foi formalizada e deve ser discutida entre os dois em uma conversa prevista para esta terça-feira (11).
A possível saída de Carvalho acontece em um momento de forte movimentação no grupo político que comanda o Estado. Em poucos dias, a operação provocou mudanças e abriu discussões sobre a permanência de integrantes do governo e sobre a própria formação da chapa de Pivetta para as eleições de 2026. Questionado sobre quem poderia assumir a Casa Civil, o governador descartou, por enquanto, a possibilidade de nomear o ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo.
“Ele já expressou a vontade dele de não permanecer. Eu vou conversar com ele hoje”, afirmou Pivetta ao comentar a situação de Carvalho. O governador indicou que pretende tratar cada mudança separadamente antes de anunciar novas decisões sobre o secretariado.
A crise também atingiu a Procuradoria-Geral do Estado. Francisco Lopes deixou o cargo na última sexta-feira (7), depois de ser incluído entre os investigados na operação. Para substituí-lo, Pivetta nomeou o procurador Felipe Florêncio, integrante da PGE há 13 anos. Segundo o governador, Lopes pediu exoneração e teve o pedido aceito.
No campo político, Fábio Garcia (União), que havia sido escolhido para ocupar a vice de Pivetta na disputa pelo Governo, anunciou nesta terça-feira que abandonou a candidatura majoritária e voltará a concorrer à Câmara dos Deputados. O deputado também foi citado na investigação. A mudança obriga o grupo governista a reabrir a discussão sobre quem ocupará a vice na chapa.
A Operação Heritage investiga suspeitas envolvendo um acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi. Entre as hipóteses apuradas estão possíveis crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. A investigação alcança políticos, servidores públicos, empresários e advogados, entre eles o ex-governador Mauro Mendes.
Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, a operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em quatro estados. As investigações seguem em andamento e a condição de investigado não significa condenação ou comprovação de participação nos crimes apurados. Enquanto o caso avança, Pivetta precisa administrar as consequências políticas e administrativas provocadas pela operação dentro do próprio governo e da aliança que sustenta sua candidatura à reeleição.



