O clima de divisão que marcou a convenção estadual do União Brasil, em Cuiabá, ganhou novos desdobramentos após o secretário-geral da legenda e líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Dilmar Dal Bosco, fazer duras críticas à condução do partido e ao ex-governador Mauro Mendes. Além de questionar a decisão da sigla de apoiar um candidato de outra legenda ao Governo de Mato Grosso, o parlamentar classificou Mauro como "traidor", ampliando o racha interno que tomou conta do União Brasil.
As declarações ocorreram durante a convenção que definiu, por 30 votos a 19, o apoio do partido ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), encerrando a tentativa do senador Jayme Campos de lançar uma candidatura própria ao Palácio Paiaguás.
Em seu discurso, Dilmar afirmou que não pretendia se manifestar durante o encontro, mas decidiu usar a tribuna diante do que considerou uma inversão dos princípios partidários.
"Não queria falar nada hoje, eu ia pegar o microfone e ficar em silêncio, mas quero dizer que nunca vi um partido ir contra o seu próprio partido", declarou.
A crítica foi direcionada à decisão de submeter aos convencionais a possibilidade de o União Brasil apoiar um candidato filiado ao Republicanos, em vez de escolher um nome da própria legenda para disputar o Governo do Estado.
Para Dilmar, a situação é inédita dentro da história do partido, que surgiu da fusão entre DEM e PSL e, antes disso, teve origem no antigo PFL.
O momento de maior tensão ocorreu quando Dilmar elevou o tom das críticas e chamou Mauro Mendes de "traidor", acusando o ex-governador de abandonar o projeto de candidatura própria do União Brasil.
A declaração provocou reação entre lideranças presentes na convenção e expôs publicamente a divisão que vinha sendo construída nos bastidores do partido nas últimas semanas.
A disputa interna colocou em lados opostos dois dos principais grupos da legenda em Mato Grosso. De um lado, Mauro Mendes articulava a manutenção da aliança com o Republicanos e o apoio a Otaviano Pivetta. Do outro, Jayme Campos e seus aliados defendiam que o União Brasil lançasse candidatura própria ao Governo do Estado.
Com a aprovação da proposta defendida por Mauro Mendes, Jayme foi derrotado na votação e o partido oficializou o apoio à candidatura de Pivetta.
As declarações de Dilmar também abriram espaço para especulações sobre sua permanência na liderança do governo na Assembleia Legislativa.
Após o episódio, o deputado afirmou que não pretende tomar qualquer iniciativa em relação ao cargo e disse que a decisão cabe exclusivamente ao governador Otaviano Pivetta.
Segundo o parlamentar, ele continuará defendendo suas posições políticas independentemente da repercussão das declarações feitas durante a convenção.
Dilmar deixou claro que não pretende pedir desculpas pelas críticas dirigidas a Mauro Mendes, argumentando que divergências fazem parte da política e que diferentes posições não significam, necessariamente, o rompimento definitivo entre aliados.
Durante suas manifestações, o deputado também destacou sua longa trajetória partidária para justificar o direito de criticar os rumos adotados pela direção estadual.
Dilmar lembrou que acompanha a história da legenda desde o antigo PFL, passando pelo DEM até a criação do União Brasil, e afirmou que sempre participou das principais decisões políticas do grupo em Mato Grosso.
Segundo ele, justamente por fazer parte da construção do partido ao longo de décadas, sente-se à vontade para manifestar sua discordância em relação à estratégia aprovada pela maioria dos convencionais.
A convenção estadual acabou evidenciando um dos momentos de maior tensão interna vividos pelo União Brasil desde sua criação.
Mesmo com a vitória do grupo liderado por Mauro Mendes por 30 votos a 19, as declarações de Dilmar mostraram que a derrota sofrida pela ala ligada a Jayme Campos não encerra completamente o conflito interno.
O episódio também colocou em evidência a relação entre o deputado e o novo governador, Otaviano Pivetta. Como líder do governo na Assembleia Legislativa, Dilmar ocupa uma das funções políticas mais estratégicas do Executivo estadual, sendo responsável pela articulação da base governista no Parlamento.
Após as críticas públicas feitas durante a convenção, caberá a Pivetta decidir se mantém o parlamentar na liderança do governo ou promove mudanças na articulação política da Assembleia.
A eventual permanência de Dilmar poderá ser interpretada como um gesto de pacificação dentro da base aliada. Por outro lado, uma eventual substituição poderá sinalizar uma reorganização política após o acirramento da disputa interna no União Brasil.
Independentemente da decisão, a convenção desta quinta-feira deixou marcas na maior legenda da base governista. Além de consolidar o apoio do União Brasil à candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo de Mato Grosso, o encontro expôs publicamente o rompimento entre grupos históricos do partido e abriu um novo capítulo nas disputas internas que deverão influenciar o cenário político estadual nos próximos meses.



