As contas do setor público consolidado fecharam com resultado negativo de R$ 55,3 bilhões em junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O desempenho reúne os números do governo federal, estados, municípios e empresas estatais e indica que as despesas superaram as receitas no período.
O resultado representa uma piora em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o déficit primário havia sido de R$ 47,1 bilhões. O cálculo considera apenas receitas e despesas do governo, sem incluir os gastos com juros da dívida pública.
No detalhamento das contas, o governo federal concentrou a maior parte do resultado negativo, com déficit de R$ 47,2 bilhões. Estados e municípios registraram saldo negativo de R$ 6,6 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram déficit de R$ 1,47 bilhão.
No acumulado do primeiro semestre, o setor público apresentou déficit primário de R$ 80,2 bilhões, equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado contrasta com o mesmo período do ano passado, quando houve superávit de R$ 22 bilhões.
Segundo os dados oficiais, um dos fatores que influenciaram a piora foi a antecipação de pagamentos de precatórios — valores devidos pelo governo após decisões judiciais. Somente a União registrou déficit de R$ 93,4 bilhões nos seis primeiros meses do ano.
Quando são incluídos os juros da dívida pública, o resultado negativo aumenta significativamente. Em junho, o déficit nominal do setor público chegou a R$ 166 bilhões. No acumulado de 12 meses, o rombo alcançou R$ 1,32 trilhão, o equivalente a 10% do PIB.
Os números acompanham a trajetória de aumento da dívida pública e são observados por investidores e agências de classificação de risco, que utilizam indicadores fiscais para avaliar a capacidade financeira dos países.
Para este ano, a meta fiscal estabelecida pelo governo prevê resultado positivo de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. No entanto, a regra permite uma margem de tolerância e autoriza abatimentos de determinadas despesas, como pagamentos de precatórios e investimentos previstos em áreas específicas.
Com a inclusão das despesas com juros, o cenário fiscal permanece pressionado. Apenas os juros nominais da dívida somaram R$ 1,16 trilhão em 12 meses até junho, representando 8,8% do PIB.



