O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Polícia Federal a aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais, incluindo entre os alvos o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi. A decisão foi assinada pelo ministro Cristiano Zanin no âmbito da Operação Sisamnes, investigação que ganhou novos desdobramentos após a análise do celular do advogado Roberto Zampieri, morto em Cuiabá.
Outro integrante do STJ, o ministro Paulo Dias de Moura Ribeiro, também é investigado por suspeitas relacionadas ao mesmo caso. De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, documentos da investigação chegaram a mencionar a advogada Catarina Buzzi, filha de Marco Buzzi, mas as apurações não identificaram indícios que justificassem sua inclusão entre os investigados.
Marco Buzzi já está afastado de suas funções em outro procedimento disciplinar, instaurado após denúncias de importunação sexual e assédio. O magistrado nega as acusações e afirma que irá comprovar sua inocência.
As investigações sobre a venda de sentenças já haviam alcançado outros nomes do Judiciário. Paulo Dias de Moura Ribeiro passou a ser alvo da Polícia Federal em razão de sua suposta ligação com o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como um dos operadores do esquema investigado.
A Operação Sisamnes teve origem após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros quando deixava seu escritório, em Cuiabá. O telefone celular da vítima foi apreendido durante as investigações do homicídio e, ao ser periciado, revelou mensagens e arquivos que apontariam para uma rede de influência envolvendo negociações de decisões judiciais.
A partir desse material, a Polícia Federal ampliou as apurações, que passaram a envolver magistrados, advogados, empresários e servidores públicos. O caso já resultou em afastamentos de autoridades, exoneração de servidores e novas frentes de investigação sobre a atuação de integrantes do sistema de Justiça.



