Mato Grosso enfrenta um cenário preocupante em relação à chikungunya. Além do elevado número de casos registrados neste ano, o estado também chama atenção pelas sequelas deixadas pela doença, especialmente as dores articulares persistentes que podem permanecer por meses após o período agudo da infecção. O problema tem provocado afastamentos do trabalho, limitações físicas e prejuízos à qualidade de vida de milhares de pessoas.
Com mais de 20 mil casos confirmados, o estado lidera os índices nacionais de pacientes que desenvolvem dores crônicas após a infecção. Diferentemente dos sintomas iniciais, que costumam desaparecer após alguns dias, muitos pacientes continuam convivendo com dores intensas nas articulações, dificuldade de locomoção e restrições para realizar tarefas simples da rotina.
Quando os sintomas permanecem por mais de três meses, o quadro passa a ser considerado uma condição crônica. As sequelas atingem principalmente mãos, joelhos, tornozelos, punhos e ombros, comprometendo movimentos básicos e afetando diretamente a capacidade laboral de trabalhadores de diversos setores.
Os impactos são sentidos tanto no campo quanto na cidade. Em atividades que exigem esforço físico, como agricultura, construção civil e indústria, as limitações provocadas pela doença dificultam o desempenho das funções. Em escritórios e ambientes administrativos, o desconforto prolongado também interfere na produtividade, na concentração e na permanência durante longas jornadas de trabalho.
A dor crônica causada pela chikungunya tem se tornado um fator de preocupação não apenas para a saúde dos pacientes, mas também para o mercado de trabalho. Segundo a médica especialista em dor Kellyn Ferreira, a persistência dos sintomas pode comprometer significativamente a capacidade laboral, reduzir a produtividade e aumentar os riscos de acidentes durante a execução das atividades profissionais. Em casos mais graves, as limitações físicas provocadas pela doença podem até resultar em aposentadoria precoce, afastando trabalhadores de suas funções e gerando impactos para os setores produtivos.
A especialista explica ainda que as sequelas da chikungunya vão além das dores articulares e podem afetar diversos aspectos da vida do paciente. Alterações no sono, irritabilidade, ansiedade e redução da qualidade de vida são consequências frequentemente observadas em pessoas que convivem com a dor persistente. Ela destaca que muitos pacientes apresentam sofrimento contínuo mesmo quando exames convencionais não identificam alterações significativas, tornando fundamental uma avaliação especializada para definição do tratamento mais adequado.
Outro ponto de alerta é a automedicação. De acordo com Kellyn Ferreira, a busca por alívio imediato da dor leva muitos pacientes ao uso frequente de analgésicos sem orientação médica, prática que pode mascarar sintomas, retardar diagnósticos e causar danos à saúde, especialmente aos rins e ao sistema gastrointestinal. Por isso, ela recomenda que pessoas que apresentam dores prolongadas, limitações de movimento ou desconfortos persistentes procurem acompanhamento especializado para evitar o agravamento do quadro e acelerar a recuperação da funcionalidade e da qualidade de vida.



