Mato Grosso registrou a segunda maior redução nos gastos com segurança pública do país entre 2024 e 2025, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento aponta que as despesas do Estado caíram 10,9% no período, passando de R$ 4,3 bilhões para R$ 3,9 bilhões em valores corrigidos pela inflação. Apenas o Rio Grande do Norte apresentou retração maior.
Segundo o estudo, a redução atingiu diferentes áreas da segurança pública. Os recursos destinados ao policiamento tiveram queda de 27,5%, enquanto os investimentos em inteligência diminuíram 7,5%. Também foram registradas reduções de 3,5% na área de defesa civil e de 8,7% nas demais subfunções relacionadas ao setor.
O anuário também analisou a evolução dos investimentos ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, Mato Grosso aparece entre os estados com menor crescimento das despesas em segurança pública, registrando aumento de apenas 3,4%.
Na comparação com os demais estados da região Centro-Oeste, o crescimento dos investimentos em Mato Grosso ficou abaixo do observado em Goiás, que registrou expansão de 25,9%, e em Mato Grosso do Sul, com aumento de 16,6%. Em nível nacional, os maiores avanços foram registrados no Piauí e no Acre.
Para o presidente da Associação dos Familiares Vítimas de Violência de Mato Grosso, Wantuir Luiz Pereira, a redução dos investimentos preocupa diante do cenário da criminalidade no Estado.
Segundo ele, além do fortalecimento das forças policiais, é necessário ampliar os investimentos em áreas que contribuam para a prevenção da violência, como educação, esporte, geração de emprego e políticas sociais. Na avaliação do representante da entidade, a diminuição dos recursos destinados à segurança pode comprometer a capacidade do poder público de enfrentar o avanço da criminalidade.
Wantuir Pereira afirma que a associação recebe, com frequência, relatos de famílias que enfrentam dificuldades relacionadas à insegurança, incluindo demora no atendimento de ocorrências por falta de policiamento ostensivo em alguns bairros e lentidão na conclusão de investigações.
Ele também defende o reforço da estrutura da Polícia Civil, da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e do sistema prisional. Segundo o advogado, investimentos nessas áreas são fundamentais para acelerar investigações, produzir provas técnicas e reforçar o combate à entrada de celulares e drogas nas unidades prisionais.
Na avaliação da entidade, a redução dos investimentos pode comprometer a estrutura da segurança pública e dificultar o enfrentamento ao crime organizado, que tem ampliado sua atuação em diferentes regiões do Estado.



