A pouco mais de uma semana da convenção estadual do MDB, a pré-candidatura da deputada estadual Janaina Riva ao Senado enfrenta um cenário de incertezas e falta de sustentação política. Sem o apoio esperado do PL e com dificuldades para construir uma chapa competitiva, a parlamentar passou a avaliar uma mudança de estratégia: deixar a disputa pelo Senado e buscar a vaga de vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos).
A possibilidade ganhou força nos bastidores e envolve articulações conduzidas por lideranças políticas e empresariais, incluindo o empresário Eraí Maggi (PP) e dirigentes nacionais dos partidos envolvidos.
O principal obstáculo para o projeto original de Janaina foi a decisão do PL de lançar candidatura própria ao Governo de Mato Grosso, com o senador Wellington Fagundes como candidato ao Palácio Paiaguás e o deputado federal José Medeiros na disputa pelo Senado.
A deputada vinha trabalhando nos últimos anos para aproximar o MDB do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e construir uma composição que pudesse incluir o apoio do próprio sogro, Wellington Fagundes. Com o fechamento da aliança liberal, o espaço político imaginado por Janaina acabou reduzido.
A alternativa de disputar o Senado de forma independente passou a ser considerada arriscada dentro do MDB, principalmente pela falta de um segundo nome competitivo para dividir a chapa e pela ausência de um palanque forte para a disputa majoritária.
Internamente, lideranças da legenda avaliam que uma candidatura isolada poderia prejudicar o desempenho do partido nas eleições proporcionais, consideradas prioridade pela direção nacional para ampliar as bancadas estadual e federal.
Outra possibilidade analisada nos bastidores seria uma eventual candidatura do senador Jayme Campos (União Brasil) ao Governo do Estado, abrindo espaço para Janaina disputar uma vaga ao Senado. A hipótese, porém, depende das definições internas do União Brasil e das articulações lideradas pelo grupo do governador Mauro Mendes, que trabalha para consolidar apoio à reeleição de Pivetta.
A movimentação de Janaina também teria provocado desconforto dentro do próprio MDB. Pré-candidatos e dirigentes da legenda passaram a questionar a condução das negociações, sob o argumento de que as articulações estariam concentradas no projeto pessoal da deputada, enquanto o partido busca fortalecer suas chapas proporcionais.
Caso a composição com Pivetta avance, o movimento representaria uma reviravolta no cenário político recente. Nos últimos anos, Janaina e o grupo do governo estadual protagonizaram embates públicos, incluindo disputas internas na Assembleia Legislativa, onde articulações do Palácio Paiaguás influenciaram a formação da Mesa Diretora.
Agora, a deputada avalia uma aproximação justamente com o grupo que, até pouco tempo, era um dos principais adversários políticos de sua trajetória.



