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GERAL Segunda-feira, 06 de Outubro de 2025, 10:00 - A | A

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INVESTIGAÇÕES

Dono do Shopping China se muda de país "com medo" da justiça

O empresário foi alvo da Operação Patrón em 2019, mas teve ação penal trancada; defesa nega envolvimento com crime organizado e fala em perseguição

Maykom Milas
Tangará Online

Segundo informações apuradas pelo jornal Centro-Oeste Popular, o empresário paraguaio Felipe Cogorno Álvarez, dono do Shopping China, uma das maiores redes de lojas instaladas em cidades de fronteira entre Paraguai e Brasil, teria deixado Pedro Juan Caballero e buscado refúgio no Uruguai, de acordo com versões locais.

Cogorno foi um dos alvos da Operação Patrón, deflagrada em 2019 pela Polícia Federal, em desdobramento da Lava Jato, sob condução do juiz federal Marcelo Bretas, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele foi citado em investigações que envolviam lavagem de dinheiro, evasão de divisas e participação em organização criminosa. Em março de 2022, a 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) determinou o trancamento da ação penal, entendendo que não havia elementos mínimos para sustentar a denúncia.

Apesar do trancamento da ação, o nome do empresário continua sendo mencionado em relatos da região. Algumas versões apontam uma suposta proximidade dele com o narcotraficante Jorge Rafaat, conhecido como “rei da fronteira”, morto em 2016 em Pedro Juan Caballero. Há relatos de que Cogorno teria se ajoelhado diante de Rafaat, gesto interpretado por algumas fontes como sinal de respeito ao poder exercido pelo traficante.

Nos bastidores, circulam ainda menções de que o Shopping China poderia ter sido usado para movimentações financeiras associadas a atividades ilícitas. Denúncias indicam, segundo relatos locais, que funcionários do empreendimento poderiam trabalhar em ambiente de insegurança devido à violência na região. O jornal Centro-Oeste Popular informou que processos em análise poderiam investigar eventuais conexões de Cogorno não apenas com Rafaat, mas também com facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho.

Atualmente, de acordo com informações oficiais, o empresário não se encontra em Pedro Juan Caballero e estaria no Uruguai, segundo versões, para não ser rastreado pela Interpol.

Outro lado

Em nota enviada ao grupo Milas de Comunicação, a defesa de Felipe Cogorno negou todas as acusações e afirmou que ele nunca respondeu a qualquer processo penal no Brasil ou no exterior. Segundo a defesa, não houve absolvição, mas sim o trancamento de uma investigação, o que comprovaria a inexistência de indícios contra ele.

A defesa sustenta que Cogorno não possui vínculos com Jorge Rafaat nem com facções criminosas, esclarecendo que ele reside em Assunção há mais de 16 anos e nunca manteve contato com essas pessoas. Sobre os relatos que o associam a gestos de submissão frente a Rafaat, a defesa afirmou categoricamente que “isso nunca aconteceu”.

O empresário reforçou ainda que o Shopping China e demais empresas do grupo familiar jamais responderam a processos judiciais ou administrativos. De acordo com a defesa, todas as alegações que circulam são fruto de especulações, e os funcionários trabalham em segurança e tranquilidade.

Atualmente, Cogorno não participa da gestão diária do Shopping China, que é administrado por um gerente. Ele afirma se dedicar a outros negócios e realizar viagens regulares ao Brasil e ao exterior, cumprindo todos os controles migratórios. Para encerrar a polêmica, colocou-se à disposição para apresentar certidões negativas da Polícia Federal, da Justiça Federal brasileira e de autoridades do Paraguai e da Argentina, como prova da inexistência de registros criminais contra seu nome.


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