Os preços mundiais dos alimentos apresentaram leve queda em junho, de acordo com levantamento divulgado nesta sexta-feira (3) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O recuo foi impulsionado, principalmente, pela redução nos preços do açúcar, dos cereais e dos produtos lácteos, que compensou as altas registradas nos óleos vegetais e nas carnes.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha a variação mensal de uma cesta de produtos comercializados internacionalmente, ficou em 130,3 pontos em junho, abaixo dos 130,8 registrados em maio.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador ainda está 1,7% mais alto. Já em relação ao recorde histórico alcançado em março de 2022, após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o índice acumula queda de 18,7%.
Entre os produtos que mais contribuíram para a redução está o grupo dos cereais, cujo índice caiu 3,5% no mês. O trigo ficou mais barato devido ao avanço da colheita e à expectativa de boa oferta na região do Mar Negro. O milho também recuou, influenciado pela perspectiva de produção elevada na América do Sul e pela queda dos preços do petróleo.
O arroz foi a exceção dentro do grupo, registrando alta de 3,2%, impulsionada pelo aumento da demanda de países asiáticos pelo arroz do tipo indica.
O açúcar teve a maior queda entre os produtos acompanhados pela FAO, com recuo de 5,7%. Segundo a entidade, a redução foi favorecida pelo menor preço do etanol no Brasil, o que levou usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar. Apesar disso, preocupações com possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre as safras da Índia e da Tailândia limitaram uma queda mais acentuada.
Os produtos lácteos também apresentaram retração de 1,5%, refletindo o aumento da oferta no mercado internacional.
Na direção oposta, o índice das carnes avançou 0,4% e atingiu um novo recorde, impulsionado pela forte demanda mundial por carne de aves. Já os óleos vegetais registraram alta de 3,8%, influenciados pelo aumento das cotações do óleo de palma e da colza, favorecidos pela demanda da indústria de biodiesel.



