O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de tarifas sobre produtos importados de 60 países, incluindo o Brasil, que passará a enfrentar uma sobretaxa de 12,5% em diversas mercadorias destinadas ao mercado norte-americano. A medida entrou em vigor após ser divulgada pela administração do presidente Donald Trump e foi justificada como parte de uma estratégia para pressionar países considerados insuficientes no combate ao uso de trabalho forçado em suas cadeias de produção.
A decisão ocorre poucos dias após Washington impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. Com a nova medida, o Brasil passa a acumular mais uma barreira comercial em meio ao endurecimento da política tarifária adotada pela Casa Branca.
Embora o país esteja entre os atingidos, a sobretaxa não é exclusiva do Brasil. Outros 59 parceiros comerciais também foram incluídos na lista elaborada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que estabeleceu dois níveis de tributação para as importações.
A tarifa de 10% será aplicada a produtos provenientes de países como Argentina, Canadá, Índia, México, Reino Unido, Indonésia, Malásia e membros da União Europeia, entre outros.
Já a alíquota de 12,5% alcança o Brasil e um grupo de países formado por China, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Chile, Colômbia, Peru, Rússia, Israel, Arábia Saudita, África do Sul, Singapura, Turquia, Vietnã, Uruguai, Venezuela e diversas outras economias da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina.
Segundo o governo norte-americano, a iniciativa integra um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento das barreiras comerciais e ao combate à entrada de produtos associados a práticas de trabalho forçado. A política também busca ampliar o controle sobre as cadeias globais de fornecimento e reforçar exigências de conformidade para exportadores que desejam acessar o mercado dos Estados Unidos.
Em alguns casos, como os de Japão, Coreia do Sul, Suíça, Taiwan e União Europeia, a nova cobrança será aplicada considerando o mecanismo da tarifa de Nação Mais Favorecida (NMF). Isso significa que a alíquota anunciada poderá ser compensada pela tarifa padrão já existente para determinados produtos, evitando a cobrança cumulativa integral. Para os demais países, incluindo o Brasil, a sobretaxa será adicionada às tarifas já incidentes sobre as importações.
A nova decisão representa mais um capítulo da política comercial adotada pelo governo Trump, marcada pelo aumento de tarifas sobre parceiros estratégicos e pela utilização de medidas tarifárias como instrumento de negociação econômica e pressão diplomática. Especialistas avaliam que o endurecimento das regras pode ampliar os custos para exportadores e afetar o fluxo de comércio entre os Estados Unidos e os países atingidos pela medida.



