A disputa por duas cadeiras ao Senado Federal em Mato Grosso ganhou novos contornos com a consolidação das chapas e das alianças para as eleições de 2026. Nesse cenário, a presença do empresário Elson Ramos, ligado à Musiva, na segunda suplência de Mauro Mendes passou a ser observada como um dos componentes da estratégia política do grupo que apoia a candidatura do ex-governador.
De acordo com os dados divulgados pela Justiça Eleitoral e pela Agência Senado, Mauro Mendes concorre ao Senado pelo União Brasil, tendo Cidinho Santos como primeiro suplente e Elson Ramos como segundo suplente.
A composição coloca Elson em uma posição que vai além da formalidade eleitoral. Empresário com atuação no setor de entretenimento e eventos, ele reúne relações em segmentos que tradicionalmente possuem capacidade de mobilização, especialmente entre empresários, produtores culturais, profissionais do entretenimento e diferentes setores da iniciativa privada.
Reportagem publicada pela Gazeta Digital descreveu Elson como uma figura que passou a ocupar espaço estratégico nas articulações eleitorais de Mato Grosso, destacando sua trajetória empresarial e sua aproximação com diferentes grupos políticos.
A força política de um suplente não pode ser medida apenas pelo cargo formal que ocupa na chapa. Em determinadas disputas, a capacidade de articulação, relacionamento e mobilização pode contribuir para ampliar a presença de uma candidatura em determinados segmentos.
É nesse ponto que o nome de Elson Ramos ganha relevância na campanha de Mauro Mendes.
Sua atuação empresarial, especialmente à frente de empreendimentos ligados ao entretenimento, proporciona contato com públicos diversificados. Esse trânsito pode ser utilizado politicamente para ampliar a interlocução da campanha com setores que nem sempre estão diretamente ligados às estruturas tradicionais dos partidos.
Um exemplo dessa capacidade de articulação ocorreu em setembro, quando um evento realizado na Musiva reuniu cerca de 2,5 mil pessoas e contou com a presença de Mauro Mendes, do governador Otaviano Pivetta, de Virginia Mendes, Beto Dois a Um e outras lideranças. O encontro foi apresentado como um momento de reforço à aliança política em torno dos dois grupos.
A presença de Elson na composição ocorre em um momento no qual Mauro Mendes aparece à frente em pesquisas divulgadas recentemente.
Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 18 de setembro apontou Mauro Mendes com 52,3% das intenções de voto, considerando a possibilidade de o eleitor escolher até dois candidatos ao Senado. Janaina Riva apareceu com 32,4%, José Medeiros com 23,1%, Carlos Fávaro com 18,9% e Pedro Taques com 15,9%. A margem de erro informada foi de 2,7 pontos percentuais.
Outro levantamento, realizado pelo Instituto MT Dados em julho, também apontava Mauro na liderança, com 46% quando considerados os dois votos para o Senado. Naquele levantamento, 45% dos entrevistados estavam indecisos.
Os números, entretanto, são fotografias de momentos específicos da campanha e não permitem antecipar o resultado das urnas.
A escolha dos suplentes também revela como as campanhas procuram ampliar sua capacidade de diálogo com diferentes segmentos da sociedade.
Cidinho Santos, primeiro suplente, possui trajetória política consolidada e agrega experiência institucional à chapa. Elson Ramos, por sua vez, representa um perfil empresarial diferente, com circulação em setores ligados ao entretenimento, eventos e iniciativa privada.
A combinação cria uma composição que reúne experiência política e relacionamento empresarial.
A própria imprensa especializada registrou que a indicação de Elson para a segunda suplência ocorreu dentro das negociações partidárias que envolveram o Podemos e a base política ligada ao grupo governista.
Embora aliados possam apostar no prestígio de Elson como instrumento de ampliação da campanha, é importante separar articulação política de resultado eleitoral.
Não há evidência pública que permita afirmar que o prestígio individual de um integrante de chapa, isoladamente, possa garantir uma vitória expressiva de determinado candidato.
O desempenho de Mauro Mendes dependerá de diversos fatores, entre eles a campanha nas diferentes regiões do Estado, a estrutura partidária, a transferência de apoio das lideranças, a comunicação eleitoral, a mobilização dos candidatos proporcionais e a decisão dos eleitores.
Além disso, Mato Grosso elegerá dois senadores em 2026, o que torna a disputa diferente de eleições nas quais apenas uma cadeira está em jogo. A própria série histórica disponibilizada pelo Senado Federal mostra as características específicas das eleições para o Senado no Estado.
A Musiva também aparece como espaço de relacionamento e realização de grandes eventos. A capacidade de reunir pessoas em torno de atividades culturais, empresariais e sociais dá ao empresário uma rede de contatos que pode ter utilidade durante uma campanha eleitoral.
Na prática, porém, a conversão desse relacionamento em votos depende de fatores que não podem ser mensurados apenas pelo tamanho de eventos ou pelo número de pessoas presentes.
O que já está documentado é que Elson Ramos ocupa uma posição oficial na chapa de Mauro Mendes e que sua presença faz parte da composição política que sustenta a candidatura ao Senado. O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso mantém a relação oficial das candidaturas e orienta os eleitores a consultar o DivulgaCandContas para informações sobre candidaturas e contas eleitorais.
Com a campanha entrando em sua fase decisiva, a tendência é que cada liderança da chapa seja utilizada para ampliar a presença eleitoral em determinados segmentos.
Nesse contexto, Elson Ramos pode funcionar como uma ponte entre a política tradicional e setores empresariais, culturais e do entretenimento, enquanto Cidinho Santos agrega experiência política e Mauro Mendes concentra a candidatura majoritária.
A combinação dessas diferentes redes de relacionamento pode fortalecer a presença da chapa em determinados ambientes, mas o impacto eleitoral efetivo somente poderá ser conhecido com a evolução das pesquisas e, principalmente, com a apuração oficial dos votos.
Por enquanto, os dados disponíveis mostram uma candidatura de Mauro Mendes oficialmente registrada, uma chapa composta por Cidinho Santos e Elson Ramos e levantamentos recentes que o colocam na liderança da corrida pelo Senado.
O prestígio de Elson, portanto, aparece como um ativo político da campanha — mas sua eventual influência sobre o resultado dependerá da capacidade de transformar relacionamento, articulação e presença regional em apoio eleitoral efetivo.



