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GERAL Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026, 10:57 - A | A

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NA MIRA

Gaeco pode oferecer nova denúncia sobre jogo do bicho em Cuiabá

Novos desdobramentos de investigações sobre jogos de azar podem ampliar o cerco contra estruturas suspeitas de exploração ilegal na Capital e em outras regiões de Mato Grosso

Saraiva Souza
Tangará Online

O combate à exploração ilegal de jogos de azar em Mato Grosso pode ganhar novos capítulos nos próximos meses. Investigações conduzidas por órgãos de segurança e pelo Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), mantêm o jogo do bicho e outras modalidades de apostas ilegais no radar das autoridades.

Embora não haja, até o momento, confirmação pública de uma nova denúncia específica contra um grupo de Cuiabá, o histórico de operações e processos relacionados ao setor mostra que novas diligências podem resultar em acusações adicionais caso sejam reunidas provas suficientes.

A possibilidade de novos desdobramentos chama atenção porque o jogo do bicho já foi alvo de grandes investigações em Mato Grosso, algumas delas com ramificações envolvendo organização criminosa, lavagem de dinheiro, extorsão e outras práticas investigadas pelas autoridades.

Histórico da Operação Mantus

Um dos principais antecedentes é a Operação Mantus, deflagrada em 2019 para investigar dois grupos que, segundo as autoridades à época, disputavam espaço na exploração ilegal do jogo do bicho em Mato Grosso.

Naquele episódio, o Gaeco ofereceu duas denúncias contra um total de 33 pessoas. Uma delas envolveu integrantes da organização denominada Colibri e a outra pessoas ligadas à organização Ello/FMC.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público na época, as acusações incluíam organização criminosa, contravenção penal relacionada ao jogo do bicho e lavagem de dinheiro. Em parte dos casos, também foram investigados crimes como extorsão e extorsão mediante sequestro.

O caso demonstra a dimensão que investigações sobre o jogo do bicho podem alcançar quando os investigadores identificam estruturas organizadas, divisão de tarefas, movimentações financeiras suspeitas e eventual conexão com outros delitos.

Condenação em processo derivado da Mantus

O assunto voltou a ter repercussão em 2026. Em fevereiro, a Justiça de Mato Grosso condenou Giovanni Zem Rodrigues, apontado como integrante da estrutura investigada na Operação Mantus, a 9 anos, 5 meses e 5 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A decisão foi proferida pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá e integra o conjunto de processos derivados da investigação de 2019.

O episódio mostra que os efeitos de uma grande investigação podem permanecer durante anos no sistema de Justiça, com novas decisões e desdobramentos mesmo depois da deflagração da operação.

Novas investigações podem produzir novos processos

Outro elemento que mantém o tema em evidência é a continuidade de operações contra estruturas relacionadas a jogos de azar em Mato Grosso.

Em junho de 2025, o Gaeco de Barra do Garças deflagrou a Operação Game Red, que investigou uma organização criminosa acusada de explorar ilegalmente o jogo do bicho e outros jogos de azar. Foram cumpridas 73 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo e medidas relacionadas a contas bancárias.

Segundo as informações divulgadas sobre a operação, as investigações apontaram uma estrutura que buscava estabelecer uma espécie de monopólio da atividade ilegal naquela região, além de apurar suspeitas de violência e obtenção de vantagens financeiras.

Apesar de a operação ter como foco principal Barra do Garças e Aragarças, o fato de as ordens judiciais terem sido expedidas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá demonstra a existência de uma estrutura de investigação e controle judicial que pode alcançar diferentes regiões do Estado.

O que pode levar a uma nova denúncia

Para que uma nova denúncia seja apresentada, o Ministério Público precisa avaliar o conjunto de provas produzido durante a investigação. Entre os elementos que tradicionalmente podem integrar esse tipo de apuração estão documentos, depoimentos, dados extraídos de aparelhos eletrônicos, movimentações financeiras e informações obtidas mediante autorização judicial.

Na própria Operação Mantus, o acervo de provas citado pelo Ministério Público incluiu interceptações telefônicas, afastamento de sigilo bancário, análise de dados de celulares apreendidos, documentos, interrogatórios e relatórios técnicos.

Assim, caso investigações mais recentes tenham identificado novos operadores, financiadores, estruturas financeiras ou conexões com outros grupos, esses elementos poderão ser analisados pelo Ministério Público antes de eventual apresentação de denúncia.

Cuiabá permanece no centro da atenção

A Capital tem importância estratégica nesse tipo de investigação por concentrar estruturas empresariais, financeiras e administrativas utilizadas por organizações que atuam em diferentes municípios.

Em processos anteriores, investigações sobre o jogo do bicho em Mato Grosso chegaram a apontar estruturas organizadas e disputas pelo controle territorial da atividade clandestina.

Em junho de 2024, por exemplo, a Justiça de Cuiabá reconheceu a prescrição da acusação de jogo do bicho contra João Arcanjo Ribeiro e outros investigados em uma ação decorrente da Operação Mantus. O processo, contudo, continuou em relação a outros crimes apurados naquela investigação.

O episódio também demonstra a complexidade jurídica desses processos e a necessidade de separar cada acusação e cada acusado conforme as provas existentes.

Possível nova fase

Caso novas provas tenham sido reunidas em investigações ainda não divulgadas integralmente, o próximo passo poderá ser a conclusão dos inquéritos e a avaliação do Ministério Público sobre eventual oferecimento de denúncia.

Uma eventual nova acusação poderá esclarecer quem são os responsáveis apontados pelos investigadores, como funcionaria a estrutura investigada, qual seria o volume financeiro movimentado e se haveria conexão com outros crimes ou organizações.

Até que uma denúncia seja oficialmente apresentada e recebida pela Justiça, entretanto, nomes eventualmente citados em investigações devem ser tratados como investigados, e não como culpados.

Pressão sobre o jogo ilegal

O avanço das investigações demonstra que o combate aos jogos de azar ilegais não está restrito a uma única operação. Nos últimos anos, diferentes forças de segurança têm buscado identificar estruturas financeiras, operadores e possíveis organizações criminosas relacionadas à atividade.

Em agosto de 2026, por exemplo, a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Engodo Digital, voltada à investigação de exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa. A operação resultou no bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias e no cumprimento de 56 ordens judiciais.

Embora essa operação não seja, por si só, confirmação de uma nova denúncia do Gaeco sobre o tradicional jogo do bicho em Cuiabá, ela reforça que as autoridades continuam investigando diferentes modelos de exploração ilegal de apostas e seus mecanismos financeiros.

Expectativa por novos capítulos

Com esse histórico, o eventual surgimento de uma nova denúncia envolvendo o jogo do bicho em Cuiabá poderá representar mais um capítulo de uma longa sequência de investigações que começaram há anos e continuam produzindo efeitos no Judiciário.

Por enquanto, porém, a existência de uma nova denúncia específica do Gaeco sobre o jogo do bicho em Cuiabá não está confirmada publicamente. O que está documentado é a continuidade de operações contra jogos de azar e os desdobramentos de processos anteriores.

A eventual apresentação de uma nova denúncia dependerá das provas reunidas, da conclusão das investigações e da avaliação jurídica do Ministério Público.


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