A investigação sobre a disputa pelo comando da Câmara Municipal de Várzea Grande provocou reação no meio político de Mato Grosso. O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) contestou a Operação Cathedra Venalis e colocou em dúvida as suspeitas que levaram o Ministério Público a investigar vereadores do município.
A ofensiva ocorreu na terça-feira (20), quando equipes ligadas ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco-MT) cumpriram mandados de busca e apreensão em três municípios. O caso envolve possíveis irregularidades na eleição da Mesa Diretora, incluindo suspeitas de compra de votos e oferta de vantagens indevidas.
Ao comentar a operação, Júlio afirmou que não está convencido da versão de que votos tenham sido comprados. Ele destacou que a disputa entre Wanderley Cerqueira e Lucas Torda foi apertada, com diferença de apenas um voto, e usou esse resultado para questionar as suspeitas.
O deputado, porém, não apresentou elementos que comprovem sua avaliação nem descartou categoricamente a possibilidade de irregularidades.
A distância entre a eleição e o cumprimento dos mandados também virou motivo de crítica. Júlio chamou atenção para o fato de a votação ter ocorrido em maio e a operação ter sido realizada meses depois.
Na avaliação do parlamentar, o intervalo causa estranheza. O tempo transcorrido, contudo, não esclarece por si só a validade das suspeitas, que dependem dos elementos reunidos pelos investigadores.
Durante a mesma manifestação, o deputado ampliou as críticas ao mencionar denúncias envolvendo a administração da prefeita Flávia Moretti (PL). Ele afirmou que gostaria de ver esclarecimentos sobre acusações relacionadas à gestão municipal e questionou o que considera diferença no andamento das apurações.
A operação não ficou restrita aos vereadores de Várzea Grande. Os mandados também tiveram como alvos os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, o suplente Samir Japonês (PL) e a diretora-geral da Câmara várzea-grandense, Lorineide Aparecida Trindade Inhan.
Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Mais de 200 agentes participaram da ação, em uma força-tarefa que reuniu órgãos de segurança e o Ministério Público.
O objetivo é apurar se houve articulação ilícita para influenciar a escolha da direção da Câmara, com possíveis práticas de corrupção, cooptação de agentes públicos e negociação de vantagens.
A eleição da Mesa Diretora já havia sido anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Uma nova votação deverá ocorrer até dezembro, enquanto a investigação procura esclarecer o que aconteceu nos bastidores da disputa anterior.
A manifestação de Júlio Campos acrescenta um componente político ao caso, mas não altera o curso formal da apuração. As declarações do deputado expressam sua posição sobre a operação, enquanto a confirmação ou não das suspeitas depende das provas reunidas pelas autoridades.
Até o encerramento das investigações, os alvos não devem ser considerados culpados apenas por terem sido incluídos na operação.



