A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal começa a entrar em uma fase decisiva, e o desempenho dos principais candidatos já provoca discussões sobre alianças e estratégias eleitorais.
Entre os nomes que enfrentam o desafio de crescer na corrida está o senador Carlos Fávaro (PSD). Levantamentos recentes mostram o parlamentar atrás de Mauro Mendes e Janaína Riva no cenário consolidado de primeiro e segundo votos.
Na pesquisa MT Dados realizada em julho, Fávaro apareceu com 15% no resultado consolidado, somando o primeiro e o segundo voto. Mauro Mendes registrou 46%, enquanto Janaína Riva ficou com 29%. José Medeiros marcou 20% e Pedro Taques, 15%.
Em uma rodada posterior do mesmo instituto, realizada em agosto, Fávaro apareceu com 16%, enquanto Mauro Mendes marcou 45% e Janaína Riva, 30%.
Um cenário que exige reação
Os números não determinam o resultado da eleição, mas mostram o tamanho do desafio enfrentado por Fávaro.
Na pesquisa de julho, o senador tinha 10% como primeira opção de voto e 5% como segunda. Na rodada de agosto, manteve 10% no primeiro voto e avançou para 6% no segundo.
Isso indica uma candidatura presente na disputa, mas distante dos dois primeiros colocados nos levantamentos citados.
Como Mato Grosso escolherá dois senadores em 2026, a competição possui uma dinâmica diferente da eleição para cargos majoritários com apenas uma vaga.
O reflexo sobre o grupo político
É nesse ponto que entra a candidatura de Irajá Lacerda, deputado federal que busca manter espaço na política estadual.
Uma eventual dificuldade de Fávaro não significa automaticamente prejuízo para Irajá. Entretanto, em eleições proporcionais e majoritárias realizadas simultaneamente, as alianças podem exercer influência sobre a distribuição de apoio político, estrutura de campanha e presença territorial.
Fávaro e Irajá estão inseridos no mesmo ambiente político do PSD e possuem relações com lideranças municipais e estaduais. Qualquer alteração significativa na estratégia do grupo pode provocar rearranjos entre candidaturas.
Por isso, a evolução da candidatura de Fávaro é acompanhada também por aliados que disputam outros cargos.
Irajá Lacerda disputa a reeleição para a Câmara dos Deputados e vem sendo citado em levantamentos eleitorais.
Pesquisa do Instituto Index divulgada em julho colocou Irajá entre os quatro nomes mais lembrados espontaneamente pelos eleitores para deputado federal em Mato Grosso.
Esse tipo de levantamento mede lembrança espontânea e não representa, isoladamente, garantia de eleição.
Além disso, dados disponíveis no acompanhamento de pesquisas registradas no TSE mostram que levantamentos foram registrados em setembro para a disputa de deputado federal, mas sem resultados públicos indicados na fonte consultada.
Apesar das dificuldades apontadas nas pesquisas, Fávaro continua exercendo seu mandato no Senado e mantém atuação política.
Em agosto, por exemplo, apresentou o Projeto de Lei 4.977/2026, que propõe proibir a exploração, divulgação, publicidade, patrocínio e intermediação das chamadas bets no Brasil. A proposta foi apresentada pelo próprio senador após visitas a municípios de Mato Grosso.
A atuação parlamentar pode fazer parte da estratégia de campanha, mas sua influência eleitoral somente poderá ser medida por novos levantamentos e, posteriormente, pelos resultados das urnas.
Outro fator importante é que a eleição de 2026 terá duas cadeiras em disputa no Senado.
Isso permite que um eleitor escolha dois candidatos e faz com que a chamada estratégia do segundo voto tenha peso significativo.
Na pesquisa MT Dados de agosto, por exemplo, Janaína Riva registrou 16% no primeiro voto e 14% no segundo, enquanto Fávaro apareceu com 10% e 6%, respectivamente.
O comportamento dos eleitores que ainda não definiram o segundo voto pode alterar significativamente o quadro até a eleição.
Uma eleição estadual envolve uma complexa rede de alianças entre partidos, prefeitos, vereadores, deputados, candidatos ao Senado e ao Governo.
Caso Fávaro precise modificar sua estratégia para ampliar sua votação, isso poderá provocar mudanças na composição de seu grupo político e na forma como os aliados serão mobilizados.
Para Irajá, o ponto central será manter sua própria estrutura eleitoral e evitar que eventuais mudanças na disputa pelo Senado comprometam sua campanha proporcional.
Não é possível, entretanto, afirmar antecipadamente que uma eventual derrota de Fávaro produziria uma queda de Irajá.
Os levantamentos mostram que Fávaro enfrenta uma distância considerável em relação aos primeiros colocados, mas também mostram que há movimentação entre os candidatos.
Na pesquisa MT Dados, Fávaro passou de 15% para 16% no consolidado entre julho e agosto, enquanto Pedro Taques foi de 15% para 17% e José Medeiros de 20% para 22%. Mauro Mendes passou de 46% para 45% e Janaína Riva de 29% para 30%.
São oscilações que precisam ser analisadas dentro das margens de erro e dos períodos de coleta.
Próximas pesquisas serão decisivas para medir o movimento
A corrida ao Senado ainda pode apresentar mudanças importantes.
Para Fávaro, o desafio é ampliar sua presença eleitoral e transformar sua atuação política em maior intenção de voto. Para Irajá, o objetivo é consolidar sua própria candidatura à Câmara Federal, independentemente das oscilações na disputa majoritária.
Mais do que uma eventual “queda”, o cenário atual mostra Fávaro diante de uma disputa difícil nas pesquisas e um grupo político que precisará avaliar suas estratégias.
Qualquer impacto sobre Irajá dependerá das alianças, da estrutura de campanha e, principalmente, da maneira como os eleitores responderão às candidaturas ao longo da reta final.



