O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), afirmou que a principal preocupação do Parlamento em relação às obras do BRT é garantir a conclusão do empreendimento, que acumula atrasos e continua provocando transtornos à população. Em entrevista ao Jornal Centro Oeste Popular, o parlamentar também comentou o andamento das investigações sobre o antigo VLT, defendeu a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Consignados e falou sobre o cenário político para as eleições de 2026.
Ao comentar a saída antecipada do secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, durante audiência pública na Assembleia Legislativa, Russi disse que respeita a justificativa apresentada pelo gestor, mas destacou que, caso seja necessário, uma nova convocação poderá ser feita para que os esclarecimentos sejam concluídos.
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Apesar do episódio, o deputado afirmou que o foco da Assembleia permanece na entrega da obra. Segundo Russi, é preciso endurecer as regras para empresas que vencem licitações e deixam de cumprir os contratos assumidos com o poder público.
"Mais importante do que discutir a audiência é entregar o BRT. A população está cansada de conviver com transtornos. São prazos anunciados e não cumpridos. Quem sofre é o trabalhador que enfrenta o trânsito todos os dias. Quem ganha uma licitação precisa ter capacidade para executar a obra. Quando abandona o contrato, gera prejuízo para toda a sociedade. Defendo multas pesadas e total transparência sobre esses contratos", afirmou.
Além disso, Max lembrou que, ainda no início das discussões sobre o novo modal, defendeu que a execução do BRT fosse dividida entre diferentes empresas, justamente para evitar que toda a obra fosse comprometida caso uma das contratadas deixasse de cumprir suas obrigações.
Questionado sobre as declarações envolvendo possíveis irregularidades nas obras do antigo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), Russi afirmou que qualquer denúncia deve ser formalizada e encaminhada aos órgãos de fiscalização e controle. "Se alguém tem conhecimento de alguma irregularidade, precisa comunicar os órgãos competentes. É assim que funciona o processo de fiscalização. Quem errou deve responder", disse.
Outro assunto abordado foi a possibilidade de instalação da CPI dos Consignados na Assembleia Legislativa. Segundo o deputado, a recente operação da Polícia Federal reforça a necessidade de aprofundar as investigações em Mato Grosso. Ele afirmou que, caso empresas investigadas em âmbito nacional também tenham atuado no estado, a Assembleia tem o dever de apurar os fatos, destacando que milhares de servidores públicos podem ter sido prejudicados.
Max lembrou que a Casa de Leis, já aprovou leis com o objetivo de aumentar a fiscalização sobre os empréstimos consignados contratados pelos servidores estaduais, embora parte dessas normas tenha sido posteriormente suspensa por decisões judiciais. "Naquele momento já tentávamos criar mecanismos para proteger o servidor. Infelizmente, algumas dessas iniciativas não permaneceram em vigor", pontuou.
Em contra-partida, o presidente confirmou que o Podemos deixará para definir seu posicionamento nas eleições de 2026 durante a convenção estadual marcada para o dia 4 de agosto.
Segundo ele, dirigentes do União Brasil, Republicanos e PL já procuraram o partido para discutir possíveis alianças, mas nenhuma decisão será tomada antes da convenção.
"O Podemos está conversando com todos. Nossa decisão será construída coletivamente, ouvindo prefeitos, vereadores, deputados e candidatos. Não será uma escolha individual", afirmou.
Russi revelou ainda que o senador Jayme Campos solicitou que o Podemos aguardasse a convenção do União Brasil antes de definir o rumo da legenda, pedido que, segundo ele, foi aceito pela direção partidária.
Sobre a possibilidade de uma mulher integrar uma eventual chapa majoritária como candidata a vice-governadora, o deputado afirmou que o partido possui nomes qualificados, mas ressaltou que o debate ainda está em estágio inicial.
Na avaliação do parlamentar, o cenário ideal para Mato Grosso é uma disputa com várias candidaturas ao Governo do Estado.
"Quanto mais candidatos disputando, melhor para a democracia. Quem ganha é o eleitor, que terá mais opções para avaliar e escolher", concluiu



