O tenente-coronel da Polícia Militar Marcos Eduardo Ticianel Paccola será julgado pelo Tribunal do Júri pela morte do agente socioeducativo Alexandre Miyagawa de Barros, conhecido como “Japão”. O julgamento está marcado para 27 de agosto, no Plenário do Tribunal do Júri de Cuiabá.
Alexandre foi morto com três tiros disparados por Paccola em julho de 2022, nas proximidades de uma distribuidora de bebidas. A vítima foi atingida pelas costas, em um episódio que ocorreu diante de várias testemunhas.
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A defesa apresentou recursos ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso e ao Superior Tribunal de Justiça na tentativa de reverter a decisão que determinou a submissão do militar ao júri. Entre os pedidos estavam a absolvição sumária e a reconstituição do crime. As medidas, porém, não foram acolhidas.
A principal tese apresentada pela defesa é a de legítima defesa. Paccola sustenta que agiu no cumprimento do dever legal ao intervir em uma situação na qual Alexandre seria um suposto agressor de uma mulher.
A acusação do Ministério Público aponta uma versão diferente. Segundo a denúncia, o então vereador teria agido por motivo torpe e surpreendido Alexandre, que não teria oferecido risco no momento dos disparos.
Laudos periciais indicaram que a vítima foi atingida pelas costas. Um dos tiros atravessou o pescoço e, conforme a análise técnica, Alexandre já estaria caído quando foi atingido.
Durante o julgamento, serão ouvidas testemunhas indicadas pelo Ministério Público, entre elas o delegado Hércules Batista Gonçalves e a ex-companheira de Alexandre. A defesa também arrolou testemunhas, incluindo um capitão da Polícia Militar.
O Ministério Público também sustenta que Paccola teria apresentado o episódio publicamente como uma ação de heroísmo, inclusive em discursos na Câmara Municipal, ao afirmar que havia enfrentado um suposto agressor de mulher.
A morte de Alexandre provocou a cassação do mandato de Paccola por quebra de decoro parlamentar. O militar, que já estava na reserva remunerada, havia sido eleito vereador no ano anterior ao crime.



