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POLÍTICA Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026, 13:41 - A | A

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026, 13h:41 - A | A

RELAÇÃO ENTRE POLÍTICOS

Após suspeita envolvendo Alexandre Aprá, silêncio volta a chamar atenção na eleição

Caso que envolveu denúncia de perseguição e suspeita de monitoramento de jornalista volta ao debate político, mas antigos questionamentos perderam espaço na campanha

Maykom Milas
Tangará Online

Reprodução

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A eleição de 2026 em Mato Grosso recoloca no centro do debate uma série de episódios que marcaram a relação entre políticos, imprensa e grupos de poder nos últimos anos. Entre eles está o caso envolvendo o jornalista Alexandre Aprá, que em 2021 denunciou às autoridades uma suposta perseguição e tentativa de incriminá-lo.

O episódio ganhou repercussão nacional depois que Aprá apresentou à Polícia Federal gravações envolvendo o detetive particular Ivancury Barbosa. Segundo o jornalista, o investigador teria sido contratado para monitorá-lo e para criar uma situação que pudesse resultar em sua incriminação. Na época, Aprá deixou Cuiabá após receber ameaças. A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso manifestaram solidariedade ao profissional e cobraram investigação.

O caso envolveu também o nome da então primeira-dama Virginia Mendes. Segundo registros publicados à época, o jornalista afirmou que o detetive teria indicado estar trabalhando para ela. Virginia e Mauro Mendes, por meio de advogado, negaram categoricamente qualquer participação ou contratação do investigador.

Um episódio que atravessou os anos

A história não terminou com as primeiras denúncias.

Em 2021, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados realizou audiência para ouvir Alexandre Aprá sobre as ameaças e sobre as denúncias apresentadas por ele. A própria Câmara registrou que o jornalista havia entregue áudios e vídeos para análise da Polícia Federal.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo também acompanhou o episódio. Segundo a entidade, a investigação instaurada posteriormente não resultou em indiciamento dos suspeitos apontados pelo jornalista.

Ou seja, desde o início, o caso apresentou versões conflitantes: Aprá sustentou que havia sido alvo de uma ação para persegui-lo e incriminá-lo, enquanto Mauro Mendes, Virginia Mendes e outros citados negaram participação.

A disputa judicial

O conflito chegou também aos tribunais.

Mauro Mendes e Virginia Mendes apresentaram queixa-crime contra Aprá, acusando-o de calúnia. Em novembro de 2024, o juiz João Bosco Soares da Silva, da 10ª Vara Criminal de Cuiabá, absolveu o jornalista. A ação estava relacionada às declarações de Aprá sobre o episódio envolvendo o detetive particular.

O resultado judicial passou a integrar a própria história do caso e é relevante para compreender por que o episódio continua sendo mencionado quando se discute a relação entre o grupo político de Mauro Mendes e setores da imprensa mato-grossense.

Novo capítulo em 2026

O assunto ganhou novo capítulo neste ano.

Segundo reportagem publicada em junho de 2026, a Polícia Civil de Mato Grosso concluiu um inquérito relacionado às ameaças e à tentativa de incriminar Alexandre Aprá. O procedimento, entretanto, estava sob sigilo, e a reportagem mencionou a existência de documentos com referências a pessoas que teriam sido investigadas. Um dos citados negou qualquer participação.

A existência de investigação, porém, não significa que todas as suspeitas tenham sido comprovadas. O conteúdo do procedimento precisa ser analisado à luz das conclusões oficiais e das decisões das autoridades competentes.

O silêncio na campanha

É justamente nesse ponto que o episódio ganha dimensão política em 2026.

Questões que em determinados momentos provocaram forte reação pública deixaram de ocupar o mesmo espaço no discurso de alguns dos envolvidos na disputa eleitoral.

O silêncio, por si só, não permite concluir que tenha existido acordo político, mudança de posição ou qualquer entendimento entre as partes. Mas a redução das referências ao episódio chama atenção porque a história teve grande repercussão e envolveu acusações extremamente graves.

A pergunta que permanece no ambiente político é simples: por que um episódio que já provocou tantos confrontos públicos perdeu espaço justamente durante uma eleição marcada por disputas e alianças?

Sem manifestação específica dos envolvidos, qualquer resposta seria apenas especulação.

O papel da imprensa

O caso também reacende uma discussão mais ampla sobre liberdade de imprensa.

A FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso classificaram, em 2021, as ameaças contra Aprá como um episódio grave e defenderam investigação rigorosa. A entidade afirmou que o jornalista havia deixado Cuiabá por razões de segurança.

A Câmara dos Deputados igualmente tratou o episódio como uma questão relacionada à segurança de profissionais da imprensa.

Independentemente das versões apresentadas pelas partes, qualquer denúncia de ameaça ou tentativa de incriminação de jornalista precisa ser examinada pelas autoridades com base em provas, e não apenas em declarações políticas.

Virginia Mendes no cenário eleitoral

Enquanto o episódio permanece como parte do histórico político, Virginia Mendes está inserida diretamente na eleição de 2026.

A ex-primeira-dama passou a disputar uma vaga na Câmara Federal e vem participando de agendas políticas pelo Estado. O cenário eleitoral também modificou relações entre grupos que anteriormente estiveram em lados opostos.

Essa nova configuração faz com que antigos episódios sejam observados sob outra perspectiva.

O que antes era tratado como confronto político direto hoje pode ser deixado em segundo plano diante de novas alianças, interesses eleitorais e prioridades de campanha.

O que é fato e o que permanece como alegação

No caso Alexandre Aprá, alguns pontos estão documentados:

o jornalista denunciou às autoridades ter sido alvo de perseguição e ameaças;
houve gravações envolvendo um detetive particular;
Mauro Mendes e Virginia Mendes foram citados nas acusações feitas pelo jornalista;
os dois negaram envolvimento;
o caso chegou à Câmara dos Deputados;
houve disputa judicial entre o casal e Aprá;
em 2024, Aprá foi absolvido da acusação de calúnia feita por Mauro e Virginia;
outro inquérito relacionado ao episódio foi concluído pela Polícia Civil em 2026, mas seu conteúdo estava sob sigilo.

Esses elementos precisam ser separados de qualquer conclusão sobre quem efetivamente ordenou ou participou de eventual perseguição.

A eleição e os velhos fantasmas

A campanha eleitoral costuma trazer de volta episódios que marcaram a política nos anos anteriores. O caso Alexandre Aprá é um desses capítulos.

A diferença, agora, está no comportamento dos atores políticos.

Enquanto no passado o episódio produziu acusações, respostas públicas, ações judiciais e manifestações de entidades de imprensa, na eleição de 2026 o assunto aparece com muito menos intensidade.

Se isso representa simplesmente uma mudança de estratégia eleitoral ou uma nova configuração das relações políticas, somente os envolvidos podem explicar.

O fato é que um dos episódios mais controversos da relação entre imprensa e poder em Mato Grosso continua fazendo parte da memória política do Estado, mesmo que o silêncio tenha substituído parte dos confrontos públicos que marcaram os primeiros anos do caso.

Na reta final da eleição, resta ao eleitor separar acusações, versões, investigações, decisões judiciais e fatos comprovados — especialmente quando episódios antigos voltam a ser utilizados ou simplesmente desaparecem do discurso político.


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