O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, assumiu a articulação para tentar reduzir a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A estratégia inclui novas conversas individuais com os dois, previstas para a próxima semana, com o objetivo de preservar a unidade da legenda e reorganizar o projeto eleitoral do partido.
Segundo integrantes do PL, além de amenizar o desgaste provocado pelo afastamento entre Flávio e Michelle, Valdemar pretende convencer a ex-primeira-dama a permanecer no projeto político da sigla e disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal. A avaliação interna é de que ela teria um cenário favorável após a desistência do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) da disputa pelo cargo.
Com a mudança no cenário eleitoral, dirigentes do partido passaram a considerar Michelle um dos principais nomes da legenda para a disputa no Distrito Federal. A expectativa é que sua participação fortaleça a estratégia do PL e amplie a mobilização junto ao eleitorado ligado ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para tentar garantir a permanência da ex-primeira-dama no projeto, Valdemar estaria disposto a discutir mudanças internas, incluindo maior autonomia para o PL Mulher, espaço para definição de ações voltadas ao público feminino e apoio a candidaturas alinhadas ao grupo de Michelle.
“Michelle é uma pessoa especial, fez um trabalho com as mulheres do Brasil que nunca ninguém teve oportunidade de fazer. Ela tem talento, mostrou isso, é uma grande líder e nós precisamos dela com a gente. Nós não podemos sair brigando dentro de casa”, afirmou Valdemar.
Caso Michelle mantenha a decisão de não disputar o Senado, o partido avalia outros nomes para a vaga, como a deputada federal Bia Kicis e o senador Izalci Lucas. Outras legendas também analisam possíveis movimentações para a composição das chapas no Distrito Federal.
Apesar das alternativas, aliados de Valdemar avaliam que a ex-primeira-dama possui um peso eleitoral considerado estratégico para o partido. A intenção é reconstruir o diálogo entre Michelle e Flávio e evitar que o conflito interno prejudique a organização da campanha.
Paralelamente às negociações envolvendo a família Bolsonaro, Valdemar também trabalha na construção da chapa presidencial do PL e mantém conversas com outras siglas para alinhar alianças e palanques estaduais.



